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Desempenho

19 de março de 2009

A American Banknote – Abnote - é líder no fornecimento de cartões plásticos, sistemas de identificação e gestão de serviços gráficos nos mercados onde atua. Inicia 2009 com o processo de consolidação das plantas finalizados e sem expectativas de ter despesas não recorrentes consequentes disso nos resultados deste ano, como acontece em 2008. A aquisição da Interprint (do grupo sueco Bonnier) e a redução de onze centros de produção para sete resultaram em despesas não-recorrentes no valor de R$12,3 milhões provenientes da reestruturação de plantas. A entrada no mercado de smart cards (cartões inteligentes) foi outra novidade do ano passado, e que a empresa considera como um começo bem sucedido. Apesar do baixo volume produzido, aproximadamente 9 milhões de cartões no ano passado, já representou 13,8% da receita líquida da divisão de cartões, e 5% da receita consolidada da companhia. Os smart cards são a grande aposta da Abnote, principalmente porque está relacionada ao único dos três segmentos de atuação da empresa que enfrentou alguma dificuldade do ano passado para cá.

Em 2008, a companhia chamou de inesperada e abrupta a queda no volume de vendas dos cartões indutivos no 2T08, que foi de 50% no período em relação ao trimestre anterior, e no ano, a produção foi de 280 milhões para 3 clientes. Esse tipo de cartão é aquele utilizado pelo mercado de telefonia. Outros segmentos de cartões são os magnéticos – que tiveram algum impacto no 4T08. No ano, a companhia vendeu quase 800 milhões de cartões. A readequação de plantas foi uma das estratégias para redesenhar a atuação da companhia. A divisão de cartões manteve a maior participação na receita de 2008, sendo responsável por 36,0% da receita. A participação da divisão de serviços gráficos saltou de 27,5% em 2007 para 35,3% em 2008. Sistemas de identificação se mantiveram semelhante ao ano anterior, com 28,7% da receita líquida (28,2% em 2007).

Portanto, para os próximos anos, a tendência é aumentar as vendas de cartões smart cards. De acordo com a companhia, eles têm uma margem inferior aos outros cartões, entre 10% e 15% - a histórica fica entre 22% e 27%, mas isso não significa que o volume financeiro deva vir menor. No longo prazo a margem esperada é maior. Para este ano, a margem consolidada da Abnote deve ser menor, nas projeções da própria companhia. No entanto, no longo prazo, tanto o produto novo, como as outras duas divisões que formam a Abnote devem apresentar crescimento de receita e Ebitda.

 

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Mercado de Ações
No ano, as ações da Abnote, que ingressou no Novo Mercado e na Bovespa em 24/4/2006, estão com variação de 1,41%, abaixo dos 4,3% do Ibovespa. A cotação do papel está mantendo o preço entre os R$ 10,00, desde setembro, quando fechou a cerca de R$ 14,00. Desde a abertura do capital, a queda é de 35,45% de acordo com o Acionista.com.br, variação bem abaixo da queda da maioria dos papéis do setor de tecnologia da informação (do qual se aproximam suas atividades).  

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Destaques

ABNOTE/ R$ Milhões

2007

2008

Variação %

Ativo Totais

337,80

661,00

95,7

Ebitda

121,10

166,20

37,2

Lucro Líquido

71,90

53,90

(25,0)

Receita Líquida

462,10

678,70

46,9

Patrimônio Líquido

130,00

208,20

60,2

ROE (%)

55,30%

25,80%

(53,3)

ROE - Retorno sobre Patrimônio - calculado pelo Acionista.com.br
Fonte: Abnote

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Opinião do Mercado

Beatriz Battelli- Analista Brascan Corretora
Informações do Relatório

Atualizamos nosso modelo para as ações da American Banknote (ABnote) com o objetivo de incorporar novas premissas macroeconômicas e para taxa de desconto; redução na receita líquida projetada para o segmento de cartões, em função da desaceleração econômica, além da concorrência mais acentuada do celular pré-pago e recarga virtual sobre as vendas dos cartões indutivos; e o contrato anunciado (dia 12/02/09) com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo para emissão de Carteira de habilitação. Além disso, alteramos o custo médio ponderado de capital (WACC) da ABnote de 13,2% para 14,4% em função, principalmente, do aumento do custo de capital próprio (ke) de 14,2% para 15,5%, com a elevação do Risco-país de 175 bp para 300 bp (fevereiro de 2009, período de divulgação dos resultados consolidados de 2008).

Acreditamos que o segmento de cartões poderá ser o mais impactado por uma desaceleração econômica (dentre os segmentos de atuação da ABnote), o que, aliado às perspectivas menos favoráveis para o segmento de telecomunicações, por conta da concorrência do pré-pago e da recarga virtual, resultou na revisão para baixo na nossa receita líquida estimada. Para 2009 estimamos uma produção de 20,1 mil smart cards. Acreditamos que 50% da produção de cartões da ABnote no ano de 2012 será de smart cards. Consideramos que haverá uma migração, ainda lenta, do cartão magnético para o smart card. No segmento de cartões financeiros também reduzimos nossa perspectiva para o volume produzido em função da desaceleração econômica, uma vez que quanto menor a renda disponível da população, menor é o grau de “bancarização”. Para 2009, esperamos recuperação da margem deste segmento em comparação ao 3T08 e 4T08, mas projetamos que ela ainda deva permanecer bem abaixo do patamar de 30%.

Por outro lado, destacamos como ponto positivo o novo contrato assinado com o Estado de São Paulo para emissão de Carteira de Habilitação, não apenas em função do incremento de receita, dada a elevação do preço médio, como pelo fato de aumentar as perspectivas da ABnote vir a ser vencedora em novos contratos de CNH’s ou de carteira de identidade digital em outros Estados. Destacamos ainda, que esperamos um crescimento satisfatório de 14,5% para a receita consolidada e 10,7% para o EBITDA consolidado da companhia no ano de 2009. A companhia destacou que serão necessários investimentos de R$ 15 milhões para ampliação do número de sites e a contratação de aproximadamente 800 novos funcionários. Excluindo esse evento, nossas projeções para este segmento não foram significativamente alteradas, uma vez que entendemos que a perspectiva de crescimento mais baixo da economia brasileira não impactará de forma relevante o volume de vendas. Nosso CAGR (taxa de crescimento) 2008-2013 para o volume produzido neste segmento é de 6,2% (já incluindo o novo contrato). É importante destacar, que existe a perspectiva de licitação para produção da carteira de identidade digital em outros Estados, o que poderá impulsionar o volume de produção neste segmento.

Da mesma forma que no segmento de sistemas de identificação, não esperamos impacto significativo da desaceleração econômica sobre o volume produzido no segmento de serviços gráficos. Nosso CAGR 2008-2013 é de 2,9% para o volume produzido. Estimamos leve crescimento para a margem EBITDA deste segmento, que deverá alcançar 14,5% em 2013.

Recomendação: Nosso novo preço-alvo para as ações da ABnote é de R$ 26,82 por ação, uma redução de 19% em relação ao preço-alvo anterior. Mantemos nossa recomendação de OUTPERFORM (acima do Ibovespa) para as ações da companhia.


 

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Visão da Empresa

Fabio Bueno
Gerente de Relações com Investidor

Acreditamos que a características da companhia de ter três divisões – cartões, sistemas de identificação e serviços gráficos – a torna com um hedge natural. Se um dos segmentos sofre, outros dois não. A crise atual não afetou todos os negócios da Abnote. Não se percebeu impacto significativo, inclusive, em nenhum deles nos resultados da companhia. Acreditamos que eles continuarão tendo um desempenho positivo em 2009.

O segmento de sistemas de identificação e de serviços gráficos, que de certa forma estão relacionados ao consumo não devem ser impactados. Isso é explicado porque, mesmo com a queda do consumo, por exemplo, contas de diversos tipos continuam sendo emitidas. Alguma redução nos serviços gráficos pode ocorrer, mas será muito marginal. No caso dos negócios de emissão de cartões, que seria um dos atingidos pela crise, nem os bancos ainda conseguem enxergar se poderá haver alguma conseqüência das dificuldades econômicas. A nossa atuação nesse mercado acontece através de duas etapas: na primeira, fabricamos e controlados os estoques nos bancos, pois eles ficam estocados. A segunda é a emissão de cartões personalizados. Nos resultados do 4T08, percebemos algum efeito, que foi a queda na fabricação dos cartões, que foi 27% menor que o trimestre anterior, não na emissão e personalização deles. No entanto, não reduzimos a produção deles, pois a segunda etapa do nosso serviço continua, e é essa fase que sinalizaria a necessidade de diminuição no nosso ritmo de produção.   

Sobre Governança Corporativa: Estamos no Novo Mercado e temos cerca de 67% das nossas ações sendo negociadas. Pagamos pelo menos 30% do lucro líquido a cada trimestre. Em 2008, o valor total foi de R$ 25,6 milhões em dividendos, atingindo um dividend yield de 4,7%. A equipe de relações com investidor faz cerca de 40 reuniões mensais com possíveis investidores, acionistas e analistas. Conquistamos a certificação SA8000, norma internacional de avaliação de responsabilidade social corporativa.


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redacao@acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
I – As recomendações expressas pelo analista entrevistado e publicadas pelo Acionista.com.br, refletem única e exclusivamente suas opiniões pessoais, e que foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à instituição à qual esteja vinculado, se for o caso;
II – O analista entrevistado não mantém vínculo com qualquer pessoa natural que atue no âmbito das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado;
III – A instituição à qual o analista entrevistado pelo Acionista.com.br está vinculado, quando for o caso, bem como os fundos, carteiras e clubes de investimentos em valores mobiliários por ela administrados não possui participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% (um por cento) do capital social de quaisquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou está envolvida na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
IV – O analista entrevistado não é titular, direta ou indiretamente, de valores mobiliários de emissão da companhia objeto de sua análise, que representem 5% (cinco por cento) ou mais de seu patrimônio pessoal, ou esteja envolvido na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
V – O analista entrevistado pelo Acionista.com.br ou instituição à qual esteja vinculado não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com qualquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou pessoa natural ou pessoa jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse desta companhia; e
VI – A remuneração do analista entrevistado ou esquema de compensação do qual é integrante não está atrelada à precificação de quaisquer dos valores mobiliários emitidos por companhias analisadas no relatório, ou às receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela instituição a qual está vinculado, se for o caso.


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