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Desempenho

19 de fevereiro de 2009

O ano da CCR começa na contramão do setor. A empresa anunciou no início do mês de fevereiro a aquisição de 45% da Controlar. A concessionária de inspeções ambientais em veículos na cidade de São Paulo vem ao encontro dos planos da companhia na diversificação do portfólio de negócios. Apesar de ainda não estar concluída, a operação vem num momento em que a principal fonte de receita da CCR – o tráfego de veículos – deve ser impactada em razão da crise mundial. 

A forma como a compra será paga é um indicativo de uma das vantagens da empresa sinalizada por analistas de mercado: o caixa da companhia e a estrutura operacional eficiente. A aquisição da Controlar, se confirmada, será paga 70% à vista, através de recursos do caixa. O negócio diversificado em relação à exploração de concessões é importante diante do cenário. No entanto, os dados do 3tr08 ainda revelam as condições excepcionais de 2008. O tráfego de veículo nas rodovias administradas aumentou 9,5% em relação ao mesmo período do ano passado, e 8,8% na comparação com os primeiros nove meses de 2008. O número de usuários ativos STP (ou seja, por meio da arrecadação eletrônica) teve incremento de 35,8% frente 2007, totalizando 1,158 milhão entre julho e setembro. Todas as rodovias administradas pela companhia tiveram suas tarifas reajustadas até o 3tr08.

A CCR é  considerada a maior empresa de concessões de rodovias do país, e uma das maiores da América Latina. Tem pouco mais de dez anos, e controla seis rodovias  Ponte S.A. (RJ), NovaDutra (SP-RJ), ViaLagos (RJ), RodoNorte (PR),AutoBAn (SP) e ViaOeste (SP). Elas totalizam 1.452 quilômetros, ou seja, quase 15% das rodovias licitadas no Brasi. A licitação mais recente vencida foi o trecho oeste do Rodoanel Mario Covas (SP).

 

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Mercado de Ações

A CCR encerrou o primeiro mês do ano com variação negativa na Bovespa de 3,30%. No entanto, desde a abertura de capital e entrada no Novo Mercado há cerca de sete anos, o investidor da concessionária ganhou 568,13%, diferentemente da maioria dos outros papéis do setor de transportes, concessão e logística.  A companhia participa dos índices de maior liquidez, assim como do Índice de Sustentabilidade da Bovespa (ISE). Cerca de 30% das suas ações, todas ON, estão no mercado para negociação.

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Destaques
.

CCR/ R$ Milhões

3tr07

3tr08

9M07

9M08

Variação % 9M

Ativo Totais

4.076,26

5.407,94

4.076,26

5.407,94

32,7

Ebitda

410,70

482,00

1.077,70

1.257,70

16,7

Lucro Líquido

179,00

219,60

447,57

524,80

17,3

Receita Líquida

617,60

744,10

1.719,20

1.999,80

16,3

Patrimônio Líquido

1.481,84

1.537,20

1.481,84

1.537,20

3,7

ROE (%)

12,00%

14,28%

30,20%

34,20%

13,2

Resultado da Concessionária Renovias foi incorporado a partir de junho de 2008.
9M - resultado dos primeiros nove meses do ano. A variação (%) leva em conta este período.
ROE - Retorno sobre Patrimônio - calculado pelo Acionista.com.br  
Fonte: Relatório CCR

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Opinião do Mercado

Antonio Goes - Gerente de Análise da Senso Corretora

Neste ano a CCR, como outras empresas do setor, não devem esperar por novas licitações. Os resultados da última licitação ganha ainda não devem aparecer no desempenho do 4tr08. Esse balanço também não deve vir dos melhores. A diminuição do tráfego nas rodovias é o principal driver da empresa e, portanto, deve impactar os próximos trimestres. Por outro lado, a empresa tem operações na região Sudeste, que tem um volume de veículos que, normalmente, gera um bom desempenho operacional para a companhia.

Por isso, em 2009, acredito que a CCR não será tão penalizada como a maioria das outras empresas e setores. A companhia deve continuar com uma situação de caixa confortável, pois não fez nenhuma aquisição. Por outro lado, a empresa parece estar aberta às oportunidades de aquisição, como demonstra a mais recente (ainda nãoconcluída). Até agora, o que podemos esperar são poucas notícias para este ano, assim como investimentos nas rodovias que tem concessão não devem ser consideráveis.  

Recomendação: Estamos com preço-alvo de R$ 36,00 para este ano. Isso significa um potencial de rentabilidade de cerca de 55%. Essa projeção foi feita no início do ano, quando o Governo Federal anuncio políticas de implementação de obras do PAC. Apesar de incluí-las, não acreditamos que este ano haverá licitações.  
 


Kelly Trentin - Gerente da Análise da Corretora SLW

Frente a outras empresas do setor, a CCR é a que menos deve sofrer diante do cenário que acompanhamos em janeiro: redução do tráfego rodoviário. A receita da companhia é boa parte baseada no tráfego. A redução de veículos deve diminuir o ganho da empresa. No entanto, ainda estamos no início do ano. O tráfego, que cresce a uma relação de 1,5% ao PIB, ele deve crescer em 2009, apesar do ritmo menor.  

A companhia tem uma grande eficiência de custo. Isso também se traduz num aumento maior de receitas do que as outras companhias e, portanto, do resultado operacional. Ela tem mostrado um aumento de margem Ebtida. Uma demonstração dessa eficiência foi o anuncio da compra de parte da Controlar. Outra possibilidade para a empresa são aquisições fora do Brasil. Portanto, tem uma dinâmica boa de evolução nos negócios e, por isso, também de lucratividade.     

Recomendação: COMPRA
 


Mônica Araújo - Chefe da Análise da Ativa Corretora

A CCR vem mantendo o nível de rentabilidade. Parte das operações talvez não venham com o mesmo brilho no 4tr08 que apresentou no restante do ano passado, mas ainda deve apresentar bons resultados. Ela teve reajuste em quase todas as suas concessões, está dando continuidade aos investimentos nos atuais contratos. Por isso, deve manter o desempenho em 2009, a não ser que haja uma recessão muito forte.

Recomendação: NEUTRA para todo o setor de Concessão.

 

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Visão da Empresa


A empresa foi contatada em prazo hábil, mas não conseguiu se manifestar até o fechamento da matéria.

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redacao@acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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