Empresa em Foco

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Mercado de Ações Destaques
Opinião do Mercado Visão da Empresa
Desempenho
17 de agosto de 2009

A crise mundial reduziu os volumes negociados nas bolsas de valores e mercadorias de todo o mundo. Isso ficou bem claro nos resultados do primeiro trimestre deste ano da BM&FBovespa, com as receitas impactadas diretamente por eles. No entanto, a retomada do mercado e de indicadores econômicos também resultou em alguma recuperação no segundo trimestre. O que não mudou em 2009, mas foi reforçado após mais de 1 ano de capital aberto, foram os investimentos em tecnologia da informação (TI) e os planos de expansão em outros países.

O capex em TI é de R$116 milhões e será destinado a uma série de ações¹ desenvolvidas ao longo de 2009. Os investimentos incluem os segmentos de negócio da Bovespa e da BM&F, e têm a finalidade de elevar a capacidade de negociação dos ativos, promovendo um ambiente mais eficiente e, por isso, apto a um volume maior de negócios e de investidores.

A busca por novos mercados ocorre através de diagnósticos com o qual a companhia já conta sobre os potenciais de países da América Latina, como Chile e Colômbia. O objetivo é formar parcerias para desenvolvimento do mercado regional de equity e derivativos. Para as expansões pretendidas, a BM&FBovespa reforçou a equipe. Em Nova York, onde já tem um escritório, direcionou um novo executivo, e em Londres, abriu um escritório. Entre os assuntos que circulam nas rodas internacionais, das quais a companhia tem feito parte, está a necessidade de maior regulação e desenvolvimento do mercado de balcão não-organizado, ao qual o Brasil está muito na frente, conforme o presidente da companhia, Ademir Pinto.

Um outro projeto que a empresa destaca é o de Popularização do Mercado de Capitais, que vem sendo incrementado cada vez mais. A razão para estimular o aumento da participação da pessoa física nos negócios é a projeção de que o volume deste público, que hoje representa 1/3, seja 10 vezes maior nos próximos 5 anos, e passe dos 530 mil para aproximadamente 5 milhões de pessoas.

¹A evolução tecnológica nos ambientes de negociação está detalhada nos resultados dos 2tr09, que você pode acessar aqui.
No material é possível encontrar a agenda desses investimentos ao longo de 2009.

 

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Mercado de Ações

O papel mais que acompanhou a valorização do Ibovespa, ao qual ele é muito correlacionado. De acordo com dados da Corretora Ativa, até o final do mês de julho, o Ibovespa acumula alta de 45,8%, e a BVMF, conforme cálculos do www.acionista.com.br, de 102,69%. Porém, desde a abertura de capital, em 20.08.08, o papel tem alta de somente 9,54%. Na visão do analista da Consultoria Lopes Filho & Associados, Alexandre Furtado Montes, não há razão para o papel estar tão caro. “Além disso, os resultados do 2tr09 vieram muito abaixo do que eu esperava, claro que uma das razões foi o impacto negativo do efeito contábil tributário”, detalha o analista. Sua recomendação para o papel é NEUTRA ou, de VENDA, pois seu preço-justo, que é de R$ 9,00, já foi ultrapassado.

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Destaques

BM&FBovespa /R$ Milhões

2TR08 Pró-Forma

2TR09

Variação %

Ativos Totais

21.270,16

20.936,24

(1,6)

Ebitda

302,93

259,93

(14,2)

Lucro Líquido Ajustado

246,31

325,36

32,1

Receita Líquida

443,31

378,24

(14,7)

Patrimônio Líquido

19.626,02

19.557,98

(0,3)

ROE

1,25

1,66

32,8


Fonte: Relatório da Empresa / Resultados Consolidados

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Opinião do Mercado

Rodney Ottero Melhados
Analista Planner Corretora


O driver de crescimento da BM&FBovespa é o volume de operações e o preço dos ativos. Para elevar a capacidade de processar ordens e, portanto, tornar mais eficiente as operações, a companhia pode fazer diversos tipos de investimentos em TI. No entanto, é essencial que haja investidores operando. Portanto, podemos considerar que os seus drivers são exógenos e, até dizer, que a empresa não tem poder sobre o seu crescimento.

Entre as ações para crescer, destaco a parceria que fez com a CME, Bolsa de Chicago (EUA). Através dela, o sistema de negociação de derivativos brasileiro está disponível para que todos os investidores cadastrados na CME operem através dele, e vice e versa. Isso significa um montante maior de estrangeiros negociando através da BM&F do que de todos os investidores brasileiros. Em relação à Bovespa, uma das novidades interessante é o “colocation”, que vai proporcionar que o investidor opere na bolsa diretamente do seu computador. Ou seja, é como se a máquina dele estivesse dentro do sistema de negociação da Bovespa. Essas são algumas iniciativas interessantes entre outras em TI que têm o objetivo de elevar o volume negociado e a capacidade de investidores operarem.

Recomendação: NEUTRA, pois o papel subiu muito nos últimos meses, e o preço-alvo que temos para o final do ano de R$ 13,25, já está quase sendo ultrapassado. Devido a essa alta, não vejo muitas oportunidades, inclusive relacionadas ao resultado do 2tr09 divulgado recentemente, para o papel subir mais.

Aloísio Lemos
Analista Ágora Invest

Relatório de Análise - 12.08.09

O resultado operacional da companhia veio muito bom, mas o lucro líquido veio abaixo, por conta de efeito fiscal (imposto de renda e contribuição social, com participação do reconhecimento do passivo), mas que não teve efeito no caixa. Foram observados avanços importantes em termos operacionais em relação ao primeiro trimestre do ano, notadamente via crescimento de receitas e redução de despesas. Com relação aos negócios com derivativos e futuros (BM&F), alguns fatores se combinam, interferindo no desempenho da área, como o mix entre os vários contratos negociados (os mais relevantes são juros e taxa de câmbio), e o preço médio de cada contrato, que varia conforme as circunstâncias do próprio mercado.

As despesas operacionais mostraram redução de 13,8% em comparação ao 1tr09, somando R$ 128,2 milhões. As despesas com pessoal tiveram redução de 22%, ainda refletindo ganhos com sinergia e desligamentos. As despesas com processamento de dados recuaram 23%, refletindo a redução no número de prestadores de serviços em TI. Adicionado a isso, a empresa conta com uma importante contribuição de receitas financeiras líquidas, pois praticamente não tem dívidas. Portanto, trata-se de uma companhia muito bem capitalizada.

Recomendação: COMPRA, com preço-alvo de R$ 13,64 para o final do ano,ou seja, um upside de 6,4%. Além disso, é uma boa pagadora de dividendos.


 

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Visão da Empresa

Edemir Pinto – Presidente
Carlos Kawal Leal Ferreira – Diretor Financeiro e de Relações com Investidor


Nos resultados de 2009 tivemos algumas mudanças sob o prisma da questão da amortização do ágio da união das duas bolsas – a BM&F e a Bovespa. A amortização tributária do ágio, resultante desse tipo de transação, passou a não constar no balanço societário, de acordo com as normas internacionais de contabilidade (IFRS) vigentes. Com isso, neste trimestre, tivemos uma diferença temporária entre a base dos resultados em relação a 2008: um passivo adquirido, mas sem impacto no resultado do caixa da companhia. No entanto, reconhecendo esse ganho, os dividendos distribuídos foram calculados proporcionalmente.

Outro destaque é a recuperação das receitas em relação ao 1tr09, apesar do indicador ainda vir abaixo do mesmo período do ano passado, em razão da redução dos volumes negociados nos mercados de renda variável e derivativos. Nosso Ebitda também caiu, mas mantemos as margens constantes. Parte disso é devido ao esforço contínuo em reduzir as despesas operacionais, como as demissões que fizemos no primeiro trimestre. No entanto, elas não devem mais acontecer daqui para frente.

No 2tr09, reduzimos em 25,3% as despesas em relação ao 1tr09, e algumas despesas não tiveram impacto no caixa da companhia, como depreciação e a venda de opções para funcionários. Neste ano, as despesas ajustadas serão de R$ 450 milhões, e representam a obtenção de sinergias que a companhia está buscando após o processo de integração no início de 2008.

Governança Corporativa: A companhia está listada no Novo Mercado. Ela se considera uma empresa de capital pulverizado, pois tem seu capital muito distribuído. Mais de 90% das suas ações estão no mercado (free float). Entre 45% e 50% dessa parcela é detida por investidores estrangeiros. E mais de 15% fica com o varejo brasileiro. Ao qual a companhia atribuiu um foco muito grande, por isso, está reforçando uma série de ações que já existiam, como o “Mulher em Ação” e o “Bovespa vai até você” e inovando em outras. Além disso, a companhia destaca seu site de relações com investidor e a produção de materiais com linguagem acessível para esse perfil de acionista. Neste ano, a empresa investirá R$ 20 milhões em ações para segmento pessoa física.

Os percentuais de proventos pagos anualmente chamam atenção. No 2tr09, representaram 93% do lucro societário; no 1tr09, 50%; e no primeiro semestre deste ano, 70%, ou seja, R$ 175 milhões. Em 2008, foram distribuídos 80% do lucro líquido. A justificativa é o próprio perfil da companhia, uma geradora de caixa. Ainda não há uma política de dividendos determinada, mas é uma das questões que o Conselho de Administração está debatendo.


Se quiser saber quais são os conselheiros de outras empresas de capital aberto, acesso o link da página de Conselheiros, da editoria de Governança Corporativa do Acionista.com.br.


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redacao@acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
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