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Desempenho

16 de janeiro de 2009

Os drivers da Porto Seguro vão muito além do crescimento da indústria de veículos. A expansão da frota de veículos é um sinalizador do mercado mais importante do que a produção da indústria, deixa claro o gerente de relações com investidor da companhia, Alexandre Peev. Da mesma forma, o aumento da renda, da massa salarial, do emprego também representa mais procura por seguro. No entanto, 2009 começa sem sabermos se esses importantes indicativos, tanto para a Porto Seguro, como para tantas outras empresas e setores, virão positivos. Até agora, a venda de carros usados possibilitou que o final do ano acompanhasse os bons números do setor de veículos. A massa salarial ainda não apresentou retração.

Por outro lado, o incremento do PIB deve vir menor nos próximos resultados. A queda da produção industrial de novembro para outubro assustou. Da mesma forma como o início das demissões e as férias coletivas. Os resultados do 3tr08 já vieram pressionados. As margens operacionais, ou seja, os índices combinados, foram pressionadas por conta de quatro fatores, de acordo com o analista da Consultoria Lopes Filho & Associados, João Frota Sales. O primeiro foi no ramo de automóveis, que, diante da evolução de custos do insumo aço e suas repercussões na indústria de autopeças, pressionou o índice de sinistralidade nesse ramo de seguros. O segundo ocorreu no ramo de saúde, impactado pelo incremento do custo dos sinistros, em decorrência da inflação médica. Além disso, a Porto Seguro implementou como estratégia vendas agressivas, com o objetivo de avançar em fatias de mercado. O terceiro fator diz respeito à forte evolução de suas despesas administrativas que cresceram 39%. Esses gastos aumentaram devido à ampliação de verbas publicitárias, das despesas com novas localizações, comissões e funcionamento. Tudo isso reflexo, principalmente, de seu plano de expansão para fora do eixo Rio - São Paulo e dos investimentos em diferentes produtos e serviços. O menor ganho financeiro é o quarto fator e reflexo da queda na taxa de juro futuro e da queda do Ibovespa.

 

 

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Mercado de Ações

Desde outubro, quando o Brasil começou a sentir os efeitos da crise mundial seus títulos registraram altas. Boa parte dessa alta pode ser explicada pelo plano de recompra de ações. O movimento de alta foi oposto do que parte do mercado pensava. No entanto, as más notícias na indústria de veículos e os resultados considerados fracos para uma empresa como a Porto Seguro não puxaram as ações para baixo. Resta saber se esses fatores ainda podem influenciar o papel nos próximos meses

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Destaques

R$ milhões

3T08

3T07

Variação

9M08

9M07

Variação

 

 

 

 

 

 

 

Prêmios Auferidos Porto Seguro Auto

655,0

613,5

6,8%

1.874,4

1.773,9

5,7%

Prêmios Auferidos Azul Seguros Auto

154,7

85,1

81,8%

423,7

258,4

64,0%

Total Auto

809,7

698,6

15,9%

2.298,1

2.032,3

13,1%

Prêmios Auferidos Saúde

168,6

135,1

24,8%

468,0

376,0

24,5%

Prêmios Auferidos Pessoas (Vida)

77,9

62,8

24,0%

203,2

165,0

23,2%

Prêmios Auferidos Patrimonial

72,6

53,8

34,9%

195,8

150,2

30,4%

Prêmios Auferidos Outros Segmentos

125,5

85,9

46,1%

371,5

262,5

41,5%

Prêmios Auferidos – Del Uruguay

18,5

14,6

26,7%

38,5

26,6

44,7%

Total Prêmios Aferidos

1.272,8

1.050,8

21,1%

3.575,1

3.012,6

18,7%

 

 

 

 

 

 

 

Resultado Financeiro

112,0

125,7

-10,9%

339,9

394,4

-13,8%

Resultado das Operações

115,7

206,4

-43,9%

338,2

561,4

-39,8%

Lucro Líquido

75,0

129,4

-42,0%

211,6

348,9

-39,4%

 

 

 

 

 

 

 

ROE

15,4

31,7

-16,3 p.p.

14,5%

28,5%

-14,0 p.p.

Índice de Sinistralidade Total

54,3

50,9

3,4 p.p.

56,1%

53,0%

3,1 p.p.

Índice Combinado

98,8

91,7

7,1 p.p.

99,2%

94,3%

4,9 p.p.

Índice Combinado Ampliado

90,1

81,0

9,1 p.p.

89,9%

82,6%

7,3 p.p.

   Fonte: Porto Seguro (Relatório Lopes Filho & Associados)

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Opinião do MercadoJoão Frota Sales - Analista e Economista Sênior da Consultoria Lopes Filhos & Associados

O setor de seguros no Brasil não ficou incolume à crise financeira atual. Já se percebe um desaquecimento nas vendas da indústria automobilística, e as empresas tendem a investir menos no quesito de seguro saúde, com impactos gerais nos prêmios auferidos. Isso não significa, no entanto, taxa negativa de crescimento para 2009, mas que o ritmo de crescimento deverá ser menor, tanto para a indústria de seguro quanto para a Porto Seguros.

No consolidado de 2008, os prêmios auferidos pela empresa devem alcançar um crescimento de 15%. Para 2009 as projeções preliminares apontam para uma evolução de 10%. Deve-se considerar, ainda, que a maior sinistralidade, por conta de pressões inflacionárias, tende a arrefecer os resultados da Porto Seguro em 2008. Mas para 2009 a tendência é que os índices de sinistralidades se acomodem num patamar inferior ao verificado no 3T08, seja pelos novos realinhamentos de preços no ramo de seguros de automóveis, seja pela implementação de novos modelos de reavaliação no ramo de seguros saúde, o que possibilitará uma revisão de contas mais precisa no nicho empresarial.

Recomendação: MANUTENÇÃO.

 

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Visão da Empresa

Alexandre Peev
Gerente de Relações com Investidor

Para os próximos anos nossa estratégia continua voltada para os cliente e corretores, no atendimento de melhor qualidade e na prestação dos melhores serviços. O ano passado foi de investimentos, com resultados menores que 2007. Não dá para dizer que saímos satisfeitos de 2008. Ele poderia ter sido mais satisfatório em relação aos resultados, e a volatilidade do mercado financeiro também atrapalhou.

Em 2008 abrimos regionais novas, fizemos reformas e lançamos produtos e serviços. Alguns exemplos são o Usebike (através do qual o segurado tem acesso a uma bicicleta em determinados pontos de algumas cidades, se quiser utilizar menos o carro), o bikesocorro (é a disponibilidade de uma bicicleta caso haja um problema com o carro), o helpdesk (assistência a computadores em residências), outros serviços às residências, investimos em cartões de crédito e fizemos as mudança na nossa marca. Os serviços são sempre lançados pensando em aumentar a fidelização do cliente. Por isso, 2009 será um período de implementação. O desafio é que todos os investimentos tragam resultados, e que os segurados fiquem mais fiéis.

No ano passado, observamos algumas mudanças no mercado. A ocorrência de roubos e furtos diminuiu. Por isso, os seguros desse segmento ficaram mais baratos, e o risco também diminuiu. Com os preços menores, aproveitamos para oferecer mais serviços, que desenvolvem mais o seguro, por isso, a margem continuou a mesma. Nos seguros de automóveis não crescemos tanto. A Azul aproveitou muito mais, pois é focado em preços, e capturamos boa parte desse crescimento, diferentemente da Porto.
 

Governança Corporativa: A Porto Seguro tem ações, todas de classe ON, cotadas no Novo Mercado de Governança da Bovespa. Por isso, respeita o limite mínimo de 25% dos papéis em bolsa, e tem tag along de 100%. A empresa paga no mínimo 50% do lucro líquido aos investidores através de dividendos e juros sobre capital. O Conselho de administração da empresa tem no mínimo cinco membros, com mandato de até dois anos.

A empresa corrige em 19/01/09: "Está escrito na parte de Governança Corporativa (último paragrafo) que a empresa paga no mínimo 50% do lucro na forma de dividendos e JCP. O número correto é de 25%, sendo que nos últimos anos mantivemos uma média superior a 30%".

Outros links de interesse:

Raio X das Empresas: Porto Seguro
Resultados jan a out 2008
Resultados jan a nov/08

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redacao@acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
I – As recomendações expressas pelo analista entrevistado e publicadas pelo Acionista.com.br, refletem única e exclusivamente suas opiniões pessoais, e que foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à instituição à qual esteja vinculado, se for o caso;
II – O analista entrevistado não mantém vínculo com qualquer pessoa natural que atue no âmbito das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado;
III – A instituição à qual o analista entrevistado pelo Acionista.com.br está vinculado, quando for o caso, bem como os fundos, carteiras e clubes de investimentos em valores mobiliários por ela administrados não possui participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% (um por cento) do capital social de quaisquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou está envolvida na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
IV – O analista entrevistado não é titular, direta ou indiretamente, de valores mobiliários de emissão da companhia objeto de sua análise, que representem 5% (cinco por cento) ou mais de seu patrimônio pessoal, ou esteja envolvido na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
V – O analista entrevistado pelo Acionista.com.br ou instituição à qual esteja vinculado não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com qualquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou pessoa natural ou pessoa jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse desta companhia; e
VI – A remuneração do analista entrevistado ou esquema de compensação do qual é integrante não está atrelada à precificação de quaisquer dos valores mobiliários emitidos por companhias analisadas no relatório, ou às receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela instituição a qual está vinculado, se for o caso.


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