Empresa em Foco

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Desempenho

10 de junho de 2009

A Anhanguera opera no setor de educação com foco em qualidade e preço acessível, conforme ressalta a companhia, para os todos os níveis de educação profissional. Ela também opera com faculdades de ensino superior e cursos preparatórios, principalmente para concursos públicos e jurídicos. Essa atuação se dá através de três divisões: os campus tradicionais, com aulas presenciais; o ensino à distância, com pólos em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal; e os centros de formação profissional. Em torno deles, a Anhanguera reúne mais de 90 cursos em mil unidades, com mais de 252 mil alunos. Hoje a empresa já atua com mais de 100 cursos diferentes através do ensino à distância e atende mais de 110 mil alunos. A expectativa é que em cinco anos, ela tenha 400 mil alunos nesse segmento. Nos campus, a Anhanguera atende a 150 mil alunos, e também projeta alcançar 400 mil ao final do mesmo período.

O que possibilitará essa expansão é uma estratégia bem definida em cada um desses três segmentos e a taxa de penetração ainda baixa que o setor de educação tem no Brasil. A companhia vem se mantendo capitalizada para isso. Há pouco mais de dois anos, começou com R$ 360 milhões a partir da abertura de capital, e no ano passado, outros R$ 500 milhões com uma oferta de ações. Os investimentos têm ido para muitas aquisições, só em 2008, foram 13. Este ano o Capex deve ficar em linha com 2008,ou seja, em R$ 150 milhões. A meta da companhia é alcançar um faturamento bruto em 2009 entre R$ 800 milhões e R$ 900 milhões. E em três a cinco anos, ultrapassar os R$ 2 bilhões – 30% desse montante deve vir do ensino à distância.     

Sobre o início
A Anhanguera Educacional foi fundada em 1994 por um grupo de professores liderados pelos Professores Antônio Carbonari Netto (atual diretor presidente) e José Luis Poli (atual diretor acadêmico). Iniciou suas atividades por meio de uma instituição de ensino superior constituída na cidade de Leme, no estado de São Paulo. Em 2007 foi a primeira empresa da América Latina a abrir capital.

 

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Mercado de Ações

Os papéis do setor e da companhia sofreram com a saída dos estrangeiros do Brasil, também devido à reduzida liquidez. De acordo com levantamento do Acionista.com.br, o papel está com valorização de mais de 65% no ano (até o final de maio). Portanto, superior ao ganho do Ibovespa (que até o dia 08.06 acumulava 42,8%). Segundo o analista do Santander, o setor é negociado a um múltiplo P/E (Preço sobre lucro por ação) mais alto no exterior, a 19,4 vezes, do que no Brasil, que é de 13,7 vezes. De acordo com o analista, os papéis brasileiros merecem esse desconto por se apresentarem menos defensivos que seus pares internacionais. Uma das razões é que nos EUA 76% do ensino superior é subsidiado. No Brasil praticamente não há crédito para a educação. Apenas 7% é subsidiado aqui, a maior parte, ou 5%, vem do Governo.

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Destaques

Rentabilidade/R$ Milhões

1TR08

1TR09

Variação %

Ativos Totais

1.000,93 

1.552,59 

55,1

Ebitda

44,50 

65,20 

46,5

Lucro Líquido

32,30 

45,50 

40,9

Patrimônio Líquido

498,40 

1.016,60 

104,0

Receita Líquida

142,40 

242,80 

70,5

ROE

6,48 

4,47 

(31,0)

FONTE: Anhanguera e Bovespa / Resultados Consolidados

 

ROE - calculado pelo Acionista.com.br (LL/PL)

 

 

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Opinião do Mercado

Gustavo Lôbo - Analista Fator Corretora

No ano passado a Anhanguera foi a empresa que mais fez aquisições no setor. A Microlins (foca em ensino profissionalizantes) e a LFG (líder no segmento de cursos de pós-graduação e extensão à distância) foram as mais importantes. A companhia comprou mais que qualquer outra no setor. A partir de setembro do ano passado, as aquisições do setor desaceleraram de forma geral. No entanto, a crise afetou mais as instituições de pequeno e médio porte. Por enquanto, o processo de consolidação vai parar, mas no futuro, ele deve continuar, e as consolidadoras devem encontrar preços mais atraentes.

O que esperamos para a Anhanguera é crescimento orgânico e melhora de eficiência a partir dessas últimas incorporações. Este ano ela deve ainda abrir algumas unidades orgânicas, mas a expansão deve vir do aumento do número de alunos, já que, no ano passado, muitas das aquisições que fez foi de campus. Portanto, ela não precisará investir como se tivesse construindo novos.    

Recomendação: COMPRA, com preço-alvo de R$ 25,90 para junho/2010, o que significa um potencial de valorização de cerca de 40% comparando-se o fechamento da primeira semana de junho.


Daniel Gewehr - Analista Banco Santander

O setor é interessante porque tende a consolidar. Os 15 maiores players do país não têm nem 25% do mercado. Em cinco anos, eles devem ter 50%. Esse setor consolidado deve crescer 4% ao ano. A Anhanguera é um dos que deve se destacar nesse movimento. A empresa tem um expertise administrativo, devido à participação do fundo de Private Equity Pátria na empresa, e pelo acadêmico, exemplificado, por exemplo, pela presença dos fundadores da companhia na sua administração. A presença do Pátria dá uma segurança financeira para a empresa. Ela vem sendo bem gerida e tem conseguido ter uma margem alta. Estimamos que para 2010, a margem líquida será de 17%.

Outro ponto importante é que o crescimento do ensino superior no Brasil virá do ensino privado. O estudante de nível superior custa ao governo cinco vezes mais do que um aluno do ensino médio. O que o governo pode fazer daqui em diante é isentar o Imposto de Renda de instituições privadas, por exemplo, se para cada 1 aluno que o governo subsidiar, a universidade tiver mais 10. Um outro foco dela, que é a educação profissional, traz muitas vantagens. Ela tem sido vista como uma universidade que realmente prepara para o mercado de trabalho. Isso tem se dado, por exemplo, através de acordos com empresas e outras instituições.

            O investimento da empresa na sua marca é outro destaque. Este ano, ela foi considerada a 37ª marca mais valiosa do Brasil, de R$ 193 milhões. A nossa expectativa é que seu investimento em marketing deva ser maior daqui para frente, algo na ordem de 7% da sua receita. Isso é importante, pois é através da marca que ela atrai mais alunos. O número de novos estudantes que ingressaram via vestibular de verão é respeitável – 81 mil. Esse crescimento também se mostra através de outros indicadores como o Ebitda. Nossa estimativa – que se aproxima muito do guindance da empresa – é que o Ebitda seja 44% maior neste ano em comparação com 2008 e atinja R$ 180 milhões.     

Recomendação: COMPRA, com preço de R$ 24,50 para dez/09.

 

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Visão da Empresa

José Augusto Teixeira
Diretor de Planejamento e Relações com Investidor

A educação profissional se apresenta como o melhor negócio hoje no Brasil. O país tem cerca de três milhões de alunos em formação através do MEC, e por isso, é líder desse mercado, com 17% ou 500 mil alunos. A expectativa é que alcance os 20% de marketshare. A companhia se consolidou como player nacional com estabilidade. Deve continuar expandindo o número de alunos, e melhorando o modelo de negócios, trazendo mais eficiência e economia em um mercado que deve crescer a taxas de 5% a 10% por ano.

A nossa atuação através de campus já tem uma estratégia mais estabelecida: atender com qualidade e mensalidade acessível. Isso é possível e destaca a companhia porque o mercado brasileiro, primeiramente, não atende toda população brasileira que poderia estar no ensino superior. A taxa de penetração ainda é baixa em comparação a outros países. Considerando pessoas entre 18 a 24 anos, no Brasil ela é menor que 20%, sendo que, por exemplo, no Chile e na Argentina, é de mais de 40%. Há três motivos para esse cenário: (1) não existem instituições que oferecem curso superior a preços acessíveis como a Anhanguera; (2) A dificuldade de se trabalhar com preços menores é a ineficiência na gestão. Muitas dessas empresas menores já estão operando no vermelho, o que dificulta ainda mais a redução das mensalidades.  

Hoje o segmento de educação superior conta com um número grande de instituições pequenas, ou seja, com 1200 a 2000 alunos. Esse grupo possui 75% dos brasileiros cursando ensino superior. Por isso, para crescer, a Anhanguera deve criar mercado para elevar o marketshare. A tendência é que o número de universidade e faculdades diminua, garantindo que a companhia aumente sua participação de mercado. Isso pode se dar através da aquisição dessas instituições ou a migração de alunos. A forma de fazer isso é entrar em cidades de pequeno e médio porte e competir com essas instituições, muitas delas ainda de administração familiar. Com uma mensalidade mais acessível, possibilitada por uma gestão de eficiência e qualidade, comprovada, por exemplo, com os últimos resultados do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), de 2007, em que os da Anhanguera tiveram uma média de 3,3 de 5, superior à nacional de 2,5. Portanto, hoje o mercado está estável, se considerarmos a taxa de penetração.

O ensino à distância é o segmento que tem apresentado um crescimento mais expressivo. Um dos motivos é que ele cria uma possibilidade de levar cursos superiores e profissionalizantes para cidades com até 100 mil habitantes. O foco da Anhanguera até aqui estava em cidades de mais de 100 mil habitantes. A atuação neste segmento à distância tem dado certo também porque montamos pólos físicos em cidades maiores e próximas a essas com menos de 100 mil habitantes, com o objetivo de complementar o ensino à distância.  

Governança Corporativa: A empresa está listada no N2 de Governança Corporativa, segundo ela, porque há uma preocupação e determinação do Governo Federal que ainda não permite a participação de capital estrangeiro em empresas do setor de educação, impedindo que companhias como a Anhanguera possam listar suas ações no Novo Mercado. As ações Preferenciais da companhia têm todos os direitos das Ordinárias. O tag along da empresa é de 100%. Desde que abriu capital, ela não pagou dividendos (ano passado apresentou prejuízo). No entanto, a companhia destaca, assim como o mercado entende, que ela é uma empresa de crescimento, e tem entregado algo em torno de 100% nesses últimos anos. Além disso, continua num momento propício para isso, portanto, não deve pagar percentuais muito altos, talvez 1%, referente ao exercício deste ano.  Ela é formada por um Conselho Fiscal, um de Administração com um membro independente. Ele é constituído de comitês de Governança Corporativa, Financeiro e de Expansão.   


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redacao@acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
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