Empresa em Foco

Índice

 
Mercado de Ações Destaques
Opinião do Mercado Visão da Empresa
Desempenho

2009 inaugura uma nova etapa na história da Lupatech. Oficialmente, a fase de crescimento por aquisições foi finalizada. Por isso, os investimentos foram reduzidos dos habituais R$ 120 milhões ao ano para R$ 50,2 milhões neste ano. Desde 2006, a companhia investiu mais de R$1 bilhão, e mais de 20 empresas foram adquiridas ou nelas adquirida a totalidade da participação. Nos próximos anos fica claro o desafio da companhia: mostrar crescimento através das sinergias e unidades adquiridas nesse período, além de entregar resultados constantemente positivos.

No longo prazo, é o setor de óleo e gás que mais chama a atenção do mercado no sentido de garantir uma forte demanda. Os investimentos estratégicos da Petrobrás, muitos dos recursos vindo através das obras do Programa de Aceleração do Crescimento, serão acompanhados de perto pela Lupatech. No curto prazo, de acordo com relatório da corretora Ativa, a divulgação de medidas de estímulos governamentais ao mercado produtivo interno trazem expectativas para empresa, essencialmente devido à redução de impostos e da TJLP (Taxa de juros de longo prazo). Ou seja, além dos efeitos ao setor automotivo, a prorrogação e o corte em algumas taxas também devem ter efeito no setor industrial, o que pode beneficiar a Lupatech.
 

 

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Mercado de Ações

Em 2009 o papel está com variação positiva de 5,6%, significativamente abaixo dos quase 40% que o Ibovespa fechou o primeiro semestre. Observando os fechamentos de mês, a volatilidade característica da ação da Lupatech marcou o segundo trimestre, o que de alguma forma era esperado como efeito da divulgação dos resultados do 1tr09, que não foram positivos.
 

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Destaques

Lupatech /R$ Milhões

1TR08

1TR09

Variação %

Ativos Totais

1.097,336

1.662,398

51,5

Ebitda

33,348

29,683

(11,0)

Lucro Líquido

(4,422)

(12,129)

174,3

Patrimônio Líquido

252,666

172,326

(31,8)

Receita Líquida

139,475

151,217

8,4

ROE

(1,74)

(7,05)

305,2

Fonte: Relatório Lupatech e Bovespa

 

 

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Opinião do Mercado

Equipe de Análise - SLW Corretora

O desempenho da Lupatech foi afetado pela crise, apesar da atuação de mais longo prazo Mesmo apresentando crescimento de receitas, seu desempenho operacional não foi bom e seu prejuízo aumentou no período. O lucro bruto da empresa apresentou crescimento e chegou a R$ 51 milhões, impulsionado principalmente pelo setor de Energy Products e pelas aquisições feitas nos últimos trimestres. Mas o Ebitda caiu 10,7%, devido ao desempenho operacional mais fraco dos segmentos Flow e Metalurgia, que representam 30% do faturamento da companhia. Com desempenho operacional mais fraco e um pior resultado financeiro, devido às despesas com juros e variação cambial sob as dívidas da empresa, o resultado financeiro líquido passou de uma despesa de R$ 16 milhões para uma despesa de R$ 32 milhões e, consequentemente, o prejuízo do período aumentou de R$ 4 milhões no 1T08 para R$ 12 milhões no 1T09.

O segundo semestre deve ser um período de recuperação para muitas companhias, que juntas, venderão mais. O guindance dado pela Lupatech até agora é até mais conservador, com estabilidade e até continuidade de retração no segmento de Flow e Metalurgia, mas crescimento do mercado de óleo e gás, puxado pelos investimentos da Petrobrás anunciados até 2013. Por isso, acredito que o foco da Lupatech deveria se manter no mercado brasileiro. A atuação na Argentina deve ter alguma justificativa em termos de retorno para a empresa, pois traz um risco econômico, apesar do político não existir.

Recomendação: ainda não temos, mas entendemos que a companhia é um investimento de longo prazo. No curto prazo o seu resultado, acompanhado pelas cotações do papel na Bovespa, são muito voláteis. A partir do segundo semestre deste ano, poderemos avaliar a Lupatech em um momento que deve ser de desenvolvimento operacional, já que a etapa de aquisições está praticamente finalizada, pelo menos no ritmo que vinha tendo nos últimos anos.


Antonio Bezerra - Analista Ativa Corretora

A crise afetou os resultados do 1T09 da Lupatech, principalmente no segmento de Metalurgia, que apresentou queda de receita de 30,9% (ano) e de 11,9 p.p. na margem bruta. O segmento de Metalurgia tem aproximadamente 50% de suas receitas advindas do setor automotivo. Apesar das medidas adotadas, como a redução do IPI, que ajudaram o setor a manter as vendas aquecidas, a produção de veículos não respondeu da mesma maneira, apresentando queda, no 1T09, de 16,8% (ano). Isso se deu em função dos estoques elevados de veículos, no início de 2009, e da queda nas exportações.

O Segmento de Flow Control apresentou queda de 14,2% em relação ao mesmo período de 2008 e queda de 2,6 p.p. na margem bruta. O segmento de Flow Control tem exposição de 16% ao segmento de máquinas e equipamentos, que foi bastante afetado pela crise, com a suspensão de investimentos em aumento de capacidade. A queda de receita menor se deu graças à maior diversificação dos setores de atuação do segmento de Flow Control.

O setor de Energy Products foi o menos afetado pela crise em função dos investimentos que as empresas do setor, em especial a Petrobras, vêm realizando. Com isso, a Lupatech vem apresentando crescimento de seu backlog (contratos em carteira), que está em R$613 milhões, o que tem contribuído para o crescimento das receitas de Energy Products e da manutenção das margens.

Nos próximos cinco anos, os investimentos da Petrobras serão de R$174 bilhões, que representa uma aceleração dos investimentos em relação ao que a companhia vinha realizando. Esse aumento dos investimentos da Petrobras representa um potencial crescimento para a Lupatech, porém é difícil de mensurar o quanto destes investimentos poderá beneficiar a companhia. A empresa concluiu, no 1T09, a aquisição da Norpatagonica, que atua na prestação de serviços no segmento de petróleo e gás. A aquisição está em linha com a estratégia da companhia de aumentar a participação no segmento de petróleo e gás.

A empresa tem apresentado um bom histórico nas integrações das aquisições realizadas e a deterioração do ambiente de negócios na Argentina não é um fato novo, o que nos leva a crer que o mercado já precificou o risco do país vizinho. A outra alternativa que a empresa teria para crescer, seria via projetos greenfield, que certamente apresentariam um período de maior de crescimento.

Recomendação: Ainda não temos.


 

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Visão da Empresa

Thiago Alonso Oliveira
Diretor Financeiro e de Relações com Investidor


 Em um horizonte de médio prazo, consideramos: a cadeia de fornecimento para o mercado de petróleo e gás e o mercado consumidor brasileiro para balizar nossos negócios e desempenho. Boa parte do movimento relativo à demanda do segmento afeta a demanda pelos nossos produtos. O mercado brasileiro nos últimos anos é fruto da atividade exploratória de Petróleo, como a descoberta de camadas pré-sal e de outras fontes. Para elas passarem a produzir petróleo, as empresas precisam investir em estrutura. Entendendo isso, a companhia passou a fabricar para atender essa demanda. Portanto, a primeira etapa, que está em fase de finalização, foi aumentar a nossa capacidade. Por isso, a partir deste ano, veremos um declínio do Capex.

Essa revisão de investimentos aconteceu entre 2007 e 2008. A partir daí, passamos a ter uma visão mais aprofundada da nova dinâmica do mercado brasileiro de Petróleo, principalmente, quando começam ao ouvir a falar das novas descobertas de pré-sal. A crise internacional cujos efeitos tiveram mais força no Brasil a partir do segundo semestre do ano passado não impulsionaram a companhia a revisar seu planejamento. Hoje, todos esses investimentos feitos em capacidade e aquisição nos últimos anos, permitem ainda dobrar o tamanho da empresa, sem seguir elevando o montante investido. As aquisições continuam fazendo parte da nossa estratégia de crescimento. O foco é combinar oportunidades que já temos hoje, com negócios complementares, com o objetivo de crescermos no segmento de petróleo e gás e válvulas, onde há mais espaço para isso.

Governança Corporativa: A companhia está listada no Novo Mercado de Ações. Por isso, tem por obrigação pagar no mínimo 25% do lucro líquido em forma de dividendos de juros sobre capital aos investidores. No entanto, até agora, desde abertura de capital, apresentou anualmente apenas lucro líquido negativo. O endividamento em dólar e a necessidade de amortização do ágio (que a partir da nova norma contábil não existe mais) impediram a empresa de registrar lucro líquido positivo, e daí pagar aos acionistas a parte que lhe cabe. A expectativa é que isso venha a acontecer em 2009. O seu tag along é de 100%. O conselho de administração é composto por sete membros, três deles independentes. O conselho fiscal ainda não está implementado.


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redacao@acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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