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05 de agosto de 2009
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Os impactos do programa federal “Minha Casa, Minha Vida” se juntaram à reestruturação que está sendo promovida pela Construtora Tenda desde o início do ano, e impactaram positivamente o desempenho de segundo trimestre. Os esforços, através da redução de despesas e o realinhando das práticas internas, foram impulsionados pela participação relevante da Gafisa no capital, com aquisição pela companhia da marca FIT, atual premier. Outro motivo foi a demanda reprimida que o Governo está estimulando através de subsídios às famílias de até 10 salário mínimos ao mês, faixa que engloba o cliente da empresa, principalmente aquele que pode adquirir um imóvel com o preço entre R$ 80 mil e R$ 130 mil.
A reestruturação foi concomitante à capitalização. O alinhamento de procedimentos internos, em linha com a Gafisa, como centralização de processo de decisão, eliminação de sobreposição de departamentos, aprimoramento do processo da performance de vendas e ao aumento do ritmo de construção (redução do tempo de dez para seis meses), possibilitou que a empresa lançasse mais e, por isso, apropriasse mais receitas. Esse ciclo deve ser atualizado e se tornar mais rápido nos próximos trimestres, devido também ao reforço no caixa da companhia, após emissão de debêntures. No entanto, isso elevou o percentual da dívida líquida sobre Patrimônio Líquido (DL/PL) de 0,3% para 9% em doze meses.
Para fazer frente à corrida do setor, a empresa também anunciou sete novos empreendimentos no segundo trimestre, e deve anunciar um número superior no segundo semestre. Eles totalizam quase 1.500 unidades e um VGV (Valor Geral de Vendas – potencialmente a ser obtidos) superior a R$ 191 milhões. Ser correspondente financeiro da Caixa Econômica Federal em seis regiões do País é um ponto destacado pela construtora, como ter 39 parceiros de construção e algumas equipes próprias, especialmente destinadas aos lançamentos da marca Life, voltada para baixa renda, e responsável por 50% das vendas. No primeiro semestre deste ano, tiveram os financiamentos aprovados para a Caixa mais de 2 mil clientes, montante que deve dobrar no próximo ano, e que crescer 1,5x (vez) o valor que seus imóveis representavam de 2008. Atualmente estão em construção quase 20 mil unidades. A meta para 2009 é atingir o valor de vendas contratadas entre R$ 1,4 e R$ 1,6 bilhão, e uma margem Ebitda entre 14% e 16%.
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O papel voltou a reagir principalmente com o pacote habitacional do Governo Federal. De acordo com dados do www.acionista.com.br, a Tenda foi a empresa do setor imobiliário que mais valorizou no primeiro semestre de 2009, alcançando uma alta 189,66%. No acumulado até julho, o ganho é de 292,24%.
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Construtora Tenda /R$ Milhões |
2TR08 |
2TR09 |
Variação % |
Ativos Totais |
1.004,66 |
2295,60 |
128,5 |
Ebitda |
27,40 |
38,70 |
41,2 |
Lucro Líquido |
17,40 |
23,40 |
34,5 |
Receita Líquida |
183,20 |
261,40 |
42,7 |
Patrimônio Líquido |
748,36 |
1101,19 |
47,1 |
ROE |
2,32 |
2,12 |
(8,6) |
| Fonte: relatório empresa / Resultados Consolidados |
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Cristiano Hees
Corretora Brascan
A companhia está ainda em reestruturação. Ela ficou sem caixa, e teve que aumentar ele rapidamente, quando viu que precisava aproveitar os incentivos do setor. A Tenda tem grandes chances de aproveitar esse cenário. Boa parte do seu banco de terrenos (landbank) é elegível para o segmento foco do “Minha Casa, Minha Vida”. A incorporação da Fit, subsidiária da Gafisa, motivou e fez parte do processo de adaptação a esse cenário.
O primeiro trimestre foi ainda de demanda fraca. Os números da companhia não foram bons, pois ela não tinha condições de entregar as obras que havia lançado, especialmente devido à falta de caixa. Isso mudou no segundo trimestre. É esperado que a cada trimestre a companhia entregue resultados melhores, pois ela pode a partir de agora apropriar mais receitas (pois elas só podem ser contabilizadas nos resultados à medida que novas obras são lançadas). O valor levantado com as debêntures é suficiente para este e o próximo ano. Talvez no final de 2010, ela precise de uma nova capitalização.
Recomendação: OUTPERFORM (valorização acima do Ibovespa), com upside (sob fechamento 30.07) de 28,4%, com preço-alvo de R$ 5,83 para final do ano. Devido à reestruturação e as oportunidades do setor, acreditamos que o papel deve subir mais ainda até o final do ano. A expectativa do múltiplo Preço/Lucro é de 22,2x (vezes), e do EV/Ebitda 14,5x.
Equipe de Análise
Corretora Coinvalores
Os resultados na Tenda, como de outras empresas do setor foram impactados pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, mas também por outros indicadores. A taxa de desemprego, que não cresceu muito como se esperava no início do ano, a redução das taxas de juros, e pelo nível de confiança brasileiro, que vem aumentando ao longo do ano. A continuidade do consumo impulsionou o programa do Governo Federal, e também o empresário, que não parou de investir totalmente.
Nos próximos trimestres devemos continuar vendo os resultados sendo impactados pela redução da taxa de juros, visto que a queda tem um efeito real na economia depois de seis a nove meses. O endividamento das companhias, como no caso da Tenda, também deve continuar a ser observado. E, dentro dos limites, é a maneira que elas têm de aproveitar a demanda reprimida que esse programa do governo estimulou. Considero uma relação saudável o múltiplo DL/PL de 2,5 vezes.
Recomendação: não tem.
Errata: A última frase da análise da Corretora
Coinvalores está errada, pois não existe o múltiplo DL/PL, e sim
DívidaLíquida/Ebitda. Por isso, a frase corretra seria: "Considero
saudável a relação DívidaLíquida/Ebitda de 2,5 vezes".
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Carlos Trostti – Presidente
Paulo Roberto Mazzali – Diretor Financeiro e de Relações com Investidor:
Teleconferência de Resultados 2T09
O foco da companhia permanece no segmento considerado popular, ou seja, aquelas famílias cuja renda máxima é de 10 salários mínimos, grupo a que se destina o programa do Governo Federal “Minha Casa, Minha Vida”. No 1tr09, já havíamos sentido os primeiros impactos positivos do programa. Desde o lançamento (em abril deste ano), estamos focados nele, ajustando nossas operações, com o objetivo de aumentar o ritmo das vendas. O montante de R$ 656,925 milhões levantados com a emissão de debêntures não conversíveis com a Caixa Econômica (com prazo de cinco anos, três de carência, com taxa de TR + 8% ao ano) permitiu nos preparamos para isso.
No 2tr09 mantemos nossa prioridade de vendas dos estoques. Mais de 65% das vendas contratadas foram no segmento premier, ex-Fit, obras que não havíamos entregues de trimestres anteriores. Mas nosso foco permanece no segmento Life, com unidades de preços abaixo de R$ 130 mil, e nas grandes metrópoles, onde estão 85% dos nossos empreendimentos. Até junho, nosso banco de terreno (landbank) totalizou R$ 5,5 bilhões, e mais de 71 mil unidades, e 74 cidades em onze estados e no Distrito Federal.
Governança Corporativa: Listada no Novo Mercado, a empresa tem pouco mais de 20% das ações em negociação (free float). Outros 15,29% são de José Olavo Mourão Pinto e Henrique de Freias Pinto, e outros 60% da controladora Gafisa. No final do primeiro trimestre, a Equity Internacional (co-fundada por Samuel Zell e Gary Garrabrant em 1999) anunciou a aquisição de 20 milhões de ações, o que corresponde a 5,03% do capital total da Tenda. A participação possibilitou que a empresa focada em investimentos no setor imobiliário participasse, através do conselheiro Thomas McDonald, no Conselho de Administração. A Tenda tem sete membros no Conselho de Administração, sendo três independentes, e três efetivos no Fiscal.
Veja a cotação das empresas do setor imobiliário no material produzido pelo Acionista.com.br.
Se quiser saber quais são os conselheiros de outras empresas de capital aberto, acesso o link da página de Conselheiros, da editoria de Governança Corporativa do Acionista.com.br.
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Atendendo a instrução
CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br
declara que:
I – As recomendações expressas pelo analista entrevistado e publicadas
pelo Acionista.com.br, refletem única e exclusivamente suas opiniões
pessoais, e que foram elaboradas de forma independente e autônoma,
inclusive em relação à instituição à qual esteja vinculado, se for o caso;
II – O analista entrevistado não mantém vínculo com qualquer pessoa
natural que atue no âmbito das companhias cujos valores mobiliários foram
alvo de análise no relatório divulgado;
III – A instituição à qual o analista entrevistado pelo Acionista.com.br
está vinculado, quando for o caso, bem como os fundos, carteiras e clubes
de investimentos em valores mobiliários por ela administrados não possui
participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% (um por
cento) do capital social de quaisquer das companhias cujos valores
mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou está
envolvida na aquisição, alienação e intermediação de tais valores
mobiliários no mercado;
IV – O analista entrevistado não é titular, direta ou indiretamente, de
valores mobiliários de emissão da companhia objeto de sua análise, que
representem 5% (cinco por cento) ou mais de seu patrimônio pessoal, ou
esteja envolvido na aquisição, alienação e intermediação de tais valores
mobiliários no mercado;
V – O analista entrevistado pelo Acionista.com.br ou instituição à qual
esteja vinculado não recebe remuneração por serviços prestados ou
apresenta relações comerciais com qualquer das companhias cujos valores
mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou pessoa
natural ou pessoa jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue
representando o mesmo interesse desta companhia; e
VI – A remuneração do analista entrevistado ou esquema de compensação do
qual é integrante não está atrelada à precificação de quaisquer dos
valores mobiliários emitidos por companhias analisadas no relatório, ou às
receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela
instituição a qual está vinculado, se for o caso.
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