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Desempenho

02 de agosto de 2007

O início do segundo semestre será de recuperação para a terceira maior fabricantes de jatos comerciais do mundo. Após três exercícios de queda nos resultados (3T06, 4T06 e 1T07), o mercado espera um desempenho positivo, impulsionado pela alteração de parte do processo de produção. Há um ano, a empresa sofreu com atrasos no fornecimento de peças para asas das aeronaves, tendo seus resultados prejudicados, e tomou iniciativas, como a produção própria de alguns equipamentos. Após adiamento de entregas da cadeia de jatos Embraer 170/190, o 3T07 inicia com uma carteira de pedidos (backlog) histórica de US$ 15,6 bilhões. Para 2007, o capex programado está em torno de US$ 430 milhões. Em 2008, deverão ser investidos quase US$ 300 milhões.       

Em curto prazo, o driver significativo da companhia deve ser o comportamento das margens. Em longo prazo, a atenção do mercado estará focada no anúncio e na consolidação das entregas divulgadas recentemente pela empresa. Também será importante o acompanhamento da demanda global de aviões, em especial da aviação executiva, para poder avaliar a atuação da companhia, diante de um cenário de expansão mundial da aviação civil.

O segmento executivo tem chamado a atenção. A Embraer estima demanda mundial de mais de 10 mil jatos para os próximos dez anos. Com mercado comercial (aeronaves para transporte de grande número de passageiros) consolidado, a empresa tem investido no desenvolvimento de jatos ultra-leves e leves, respectivamente, os Phenom 100 e 300. Lançados há mais de dois anos, os produtos já recuperaram o custo de US$ 250 milhões. Desde maio de 2005, 450 unidades foram comercializadas pelo preço de US$ 3 milhões (aeronave para 6 pessoas) e US$ 6 milhões (entre 8 e 9 passageiros).   

 

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Mercado de Ações

O papel está volátil. Os riscos da ação da Embraer, listada no Novo Mercado de Governança da Bovespa e em todos os índices de liquidez (exceto os setoriais), estão no não cumprimento das entregas anunciadas para este ano, além da valorização cambial. A apreciação do real sobre o dólar é um problema significativo para uma exportadora como a Embraer, que possui cerca de 90% das receitas em moeda americana. A corretora SLW apostou nos ganhos de curto prazo para papel EMBR3 e incluiu a ação na carteira recomendada na terceira semana de julho. A corretora atribui a escolha à divulgação das entregas do 2T07 e ao preço justo de R$ 31,00/ação no final do ano. A cotação de fechamento do dia 16/07, quando divulgou a carteira de entregas do 2T07 e de pedidos, foi de R$ 23,30.

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Destaques
 

Embraer/ R$ Milhões

1T06

1T07*

Variação %

Ebitda

179

91,4

(48,94)

Lucro Líquido

86,80 

58,50 

(32,6)

Receita Líquida

1.768,90 

1.772,80 

0,2

Patrimônio Líquido

4.822.835,00 

5.055.720,00 

4,8

Fonte: Relatório de Resultados    
*Previsão resultado 2T07: 2º quinzena de Ago/07  
 

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Opinião do Mercado

Sara Delfim - Analista Banco Bear Stearns

Esperamos margens melhores para os próximos trimestres. O segundo semestre é mais forte. Os produtos vendidos têm maior valor agregado. O segundo trimestre foi melhor. A empresa anunciou mais entregas. O primeiro trimestre é sazonalmente mais fraco. Além disso, o desempenho continuou sofrendo impacto dos atrasos de fornecedores, apesar do processo de integralização da cadeia de produção ter iniciado.

Recomendação: Neutra, porque considero o potencial de valorização da ação baixo. Isso é resultante dos ajustes na cadeia de produção, no não cumprimento das metas de entregas e no nível elevado do câmbio nacional. O papel é volátil no curto prazo, e por isso, não indicado a pessoas físicas. Mas é um bom investimento de longo prazo, porque a Embraer é uma boa empresa e tem os melhores produtos do setor.


Mel Marques Fernandes - Relatório Brascan Corretora

O número de entregas no 2T07 foi igual ao 2T06 e maior do que o 1T07. A companhia deve acelerar as entregas no segundo semestre, a fim de atingir o guindance (meta) do ano de 165 a 170 aeronaves, do qual  60% têm que ser cumprido a partir deste trimestre (3T07), para que 100% das entregas anunciadas para este ano sejam cumpridas.

Em função da mudança do mix de aeronaves entregues (após trimestres com atrasos), a receita no segmento comercial deve ficar acima do que o mercado esperava. Além disso, aguardamos um crescimento de 24% na receita de todos os segmentos de aviação (comercial, executivo, defesa) no 2T07 em comparação ao período de doze meses.

Recomendação: OUTPERFORME, ou seja, o retorno esperado para a ação excede em cinco pontos percentuais (p.p.) o retorno aguardado para o Ibovespa. Preço justo para EMBR3 é de R$ 28,27/ação, representando um up side de 21,03%, calculado a partir do fechamento de 13/07 até o final do ano.

 

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Visão da Empresa

Carlos Eduardo Camargo
Gerente de Relações com Investidor

A Embraer busca constantemente a criação de valor para os seus acionistas (e isso é obtido através do desenvolvimento de novos produtos nas diversas áreas em que atua), respeito à concorrência e a atuação em novos mercados. Os planos de crescimento são traçados através da observação das tendências tecnológicas e de mercado. A capacitação industrial e os investimentos são focos importantes, uma vez que a qualidade  e pontualidade das entregas depende deles. Além disso, também objetiva a diversificação da base de clientes, e a melhor distribuição das receitas por área de atuação.

O mercado de aviões comerciais ainda apresentará expansão, devido demanda crescente. A aviação executiva é um segmento em ascensão. O maior mercado de jatos está nos Estados Unidos. A ampliação desse segmento acontece por conta das medidas de segurança que tomam muito tempo dos passageiros, do crescimento da economia mundial e da demanda impulsionada pelo aumento do número de empresas globais. Atualmente, a receita do segmento executivo representa 15% da receita total da Cia. No intervalo de quatro a cinco anos, deve ser de 20%.

Além dos Phenom, o Lineage 1000 (maior aeronave executiva) é mais um produto para o mercado executivo. Lançado no final de 2006, é um jato grande, com custo (reduzido) de US$ 41 milhões. O investimento foi baixo porque a aeronave foi desenvolvida sobre a plataforma do EMBRAER 190. Ainda para o mercado executivo, existe espaço para lançar um ou até dois produtos nas categorias entre o Phenom 300 e o Legacy 600 (de tamanho médio, entre 13 e 16 passageiros), este tendo 29 aeronaves já entregues neste ano.

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redacao@acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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