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O Vento da Democracia Provoca Tempestade no Oriente Médio

 

O siroco é um vento quente e seco que sopra do deserto do Saara em direção ao Litoral Norte da África na região da Líbia e causa grandes tempestades de areia. Freqüentemente este vento cruza o Mediterrâneo atingindo o sul da Itália e também a Costa Azul. Uma nova tempestade assola agora vários países árabes movida pelo vento da liberdade e da democracia que nasceu no seio de povos já cansados da repressão de regimes autoritários.

A crise política iniciou no Egito com a renúncia forçada de Hosni Mubarak, ditador no poder há 40 anos e hoje retido em seu país com todos seus bens bloqueados inclusive no exterior. O Iêmen é outro país cujo governo nas mãos de Ali Abdullah Saleh há 32 anos está sendo pressionado por inúmeros movimentos populares que exigem um novo regime democrático e reformas econômicas. No Bahrein depois de várias manifestações populares o príncipe herdeiro Salman bin  Hamad Al-Khalifa admite iniciar negociações com a oposição a fim de encontrar uma saída para a crise. A Líbia do ditador Muamar Kadafi vive hoje uma declarada guerra civil com conflitos sangrento entre a população civil e as forças militares aliadas do governo. Com todos seus bens já bloqueados no exterior Kadafi enfrenta uma oposição cada vez mais forte internamente e uma pressão internacional via ONU que exigem sua renúncia depois de 42 anos no poder. O Irã de Mahmoud Ahmadinejad também enfrenta movimentos iniciais reivindicatórios da população civil por mais liberdade. 

É muito complexa a realidade do Oriente Médio em razão de se tratar de regiões isoladas por culturas, religiões e idiomas impenetráveis aos estrangeiros. A solução dos problemas políticos que esses movimentos sociais enfrentam está nas mãos das respectivas populações e só elas podem resolvê-los à luz de suas crenças, mitos e respectivas realidades. 

Conforme dados de 2009, 56,6% das reservas mundiais de petróleo estão no Oriente Médio. Este é o fato econômico que preocupa a comunidade internacional. A produção da Líbia que detém a oitava maior reserva do mundo e os maiores campos da África abastecem cinco de cada 100 barris de petróleo consumido na Europa. Trata-se de um petróleo de excelente qualidade, do tipo leve que é utilizado para a produção de gasolina e querosene de aviação.

A ameaça que ronda a economia internacional é uma crise política generalizada em regiões grande produtoras de petróleo o que pode gerar aumento de preço a níveis capazes de provocar sério desequilíbrio em países já debilitados pela crise econômica recente. A preocupação de investidores e analistas é de que esse movimento se entenda a outros produtores como a Arábia Saudita, que detém a maior reserva do mundo. É difícil também estimar com precisão o comportamento dos preços do petróleo na atual conjuntura onde impera a incerteza no mercado internacional do óleo. Os preços como demonstra o gráfico abaixo tem tendência de alta nas últimas semanas e se eles permanecerem altos, a atividade econômica certamente cairá em todo o mundo. O aumento da gasolina e dos derivados abala o poder de compra das famílias colocando a economia em recessão. Isto ocorreu em várias ocasiões como a dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EE.UU. Embora o preço dos combustíveis no Brasil seja controlado pela Petrobrás e não haja intenção de aumentá-los, segundo se informa, o preço da matéria prima do plástico, por exemplo, já foram reajustados contribuindo para o aumento da inflação. O mercado brasileiro como os demais ao redor do mundo vão enfrentar, possivelmente, um longo período de grandes oscilações no valor dos seus papéis e nos seus indicadores de desempenho.             

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