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Os Primeiros Obstáculos da Presidenta

 

É preocupante o cenário econômico externo traçados por analistas, acadêmicos e observadores da evolução dos mercados. A economia americana se arrasta em busca de reaquecimento que lhe devolva os índices de crescimento do passado usando a política de dinheiro barato como meio de reflação da demanda. O dólar americano desvalorizado e o crédito abundante transferem liquidez aos mercados globais pela emissão de moedas nacionais para compra de dólares pelos bancos centrais o que redundará, certamente, em grandes pressões inflacionárias em curto prazo. Na Europa, o foco é o obsessivo combate à inflação, começando pela austeridade monetária do Banco Central Europeu e a exigência de disciplina fiscal imposta aos países da zona do euro, como foi o caso de Grécia e Irlanda. A China, por outro lado, procura o caminho da inflação administrada para espraiar pelo resto do mundo sua incomensurável produção competitiva e para manter sob controle de preços as mercadorias dos países fornecedores de commodities e matérias primas.

O cenário interno não é menos preocupante. O excesso de dólares que aporta no país decorrente da política econômica americana aprecia o real e impacta nossas exportações e nosso crescimento industrial. O crescimento das importações é uma decorrência e o saldo da balança comercial torna-se uma incógnita. Manter o crescimento da economia é vital para o sucesso do novo governo, dando continuidade à política econômica do antecessor, conforme reiteradamente manifestado pela Presidenta. O custo Brasil representado pela mais alta taxa de juros do mundo aqui praticada, pela política tributária que confisca 36% do PIB da nossa economia, pelo alto custo da mão-de-obra, pela legislação trabalhista do século passado, por si só, já são problemas suficientes para ocupar o tempo dos políticos brasileiros e os homens responsáveis do governo. A inflação em alta nos últimos quatro anos que chegou a 5,91% em 2010, medida pelo IPCA, superando o centro da meta de 4,5%, estabelecida pelo Banco Central, é mais uma preocupação para o mercado e para o governo.

Mas, parece que este cenário não é percebido pelos partidos políticos que participam da vergonhosa barganha por cargos no novo governo. Preocupados em ocupar posição no ministério e nas empresas públicas os nossos políticos, lamentavelmente, forjam crises e fazem chantagens para colocar seus representantes, muitas vezes de discutível passado e difusa reputação, em postos-chaves priorizados pelo valor do respectivo orçamento. Esta guerra por cargos não é só no âmbito federal; também nos estados repetem-se estas batalhas pelo poder, disputados por grupos que defendem interesses próprios, muitas vezes inconfessáveis, poucos preocupados com o bem- estar social, obrigação primeira de quem ocupa cargo público.

Diante de um quadro tão lamentável a reforma política talvez fosse a primeira a ser proposta pelo governo a fim de reorganizar a legislação que rege partidos políticos e as atribuições, deveres e direitos dos ocupantes de cargos públicos no poder executivo e legislativo. Na esteira da reforma política a criação de um sistema de aperfeiçoamento e desenvolvimento de servidores, visando à profissionalização de executivos do setor público, poderá contribuir para a melhoria da prestação do serviço público de deplorável desempenho em muitas áreas. O novo governo não atingirá o nível de desempenho qualitativo esperado sem que este obstáculo seja retirado no início de seu longo e penoso caminho que por enquanto tem mais pedras do que flores.           
 


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