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09 de junho de 2006
O crescimento do PIB no primeiro trimestre, a lenta queda da taxa Selic
e o aceno de reformas na previdência pública e privada e no sistema de
remuneração dos funcionários públicos, divulgadas pela imprensa nos
últimos dias, agitam os meios políticos e econômicos do país. São temas
importantes que irão suscitar muita polêmica especialmente no período
pré-eleitoral que já estamos atravessando, pois Governo e partidos,
alheios aos impedimentos legais, investem maciçamente em propaganda,
deixando a comunidade descrente dos objetivos de tais discussões.
Pouco se tem a comemorar em relação ao PIB se compararmos seu desempenho
com o de muitos outros países em desenvolvimento, como Chile, México,
Índia e China nos últimos anos. Em 2005 nosso PIB cresceu 2,3%. Na
América Latina e no Caribe só o Haiti registrou crescimento inferior ao
nosso no período, segundo dados da CEPAL.
O aumento da meta de superávit primário de 3,75% para 4,25% do PIB,
adotada pela gestão atual, reduziu os recursos para investimento público
em infra-estrutura, segundo avaliam conhecidos analistas econômicos,
fazendo com que a União nos últimos três anos investisse em média 0,64%
do PIB por ano, contra 0,84% do qüinqüênio anterior. Paralelamente, o
gasto público parece não ter obtido nenhum ganho de qualidade. Os
recursos públicos drenados pela corrupção que assola a gestão
governamental, comprovada pelas diversas CPIs com sessões abertas e
transmitidas via TV para todo país demonstram a precariedade dos
controles das contas públicas e o desvio de expressivo volume de verbas
que poderiam alimentar investimentos absolutamente necessários,
alavancando nosso crescimento. A verdade é que investimentos da ordem de
0,64% ou 0,84% do PIB, além de serem insuficientes para as demandas da
infra-estrutura do país, são inexpressivos se comparados com os dos
países em desenvolvimento anteriormente referidos.
O ritmo da evolução da taxa Selic é outro tema que vem ocupando a
atenção dos analistas pelo seu reflexo no volume dos investimentos e no
crescimento da nossa economia. De 19,75% em maio de 2005 a taxa nominal
de juros caiu para 15,25% em maio último, representando uma queda
significativa de 22,8% no período. O debate tem se travado muito mais em
relação à velocidade da queda do que ao patamar em que ela se encontra e
que lhe confere o título de “maior taxa de juros do mundo”. A taxa real
Selic, deduzida da inflação, hoje é de 10,6% a.a. enquanto no México é
de 4,1%, no Chile é de 4,6%, na China é de 4,3% e na Índia de 4%. É esta
expressiva diferença que explica, de certa forma, parte do vigoroso
desempenho da economia desses emergentes e os pífios crescimentos que
temos experimentado nos últimos anos. Não se percebe de parte do governo
nenhuma ação no sentido de levar a discussão deste tema para o fórum
adequado que é o Congresso. Também de parte deste, preocupado em antes
resolver o problema da corrupção endêmica que assola seus membros, nada
é feito no sentido de discutir e debater o patamar dos juros nas suas
diversas comissões gerando estudos e projetos para a solução deste
importante problema que retarda, há anos, nosso crescimento econômico.
Nova reforma na previdência pública e privada e no sistema de
remuneração dos servidores públicos é acenada por fontes governamentais
sob a alegação de que o peso crescente de tais despesas vai asfixiar o
orçamento do país com deletérios resultados na nossa economia. Este
problema é real e preocupante não só no Brasil como também em muitos
outros países. O que preocupa a sociedade é que no mesmo momento em que
tais propósitos são externados o Governo divulga projetos de aumento de
salários para importantes segmentos do funcionalismo público, em período
pré-eleitoral, agravando, ainda mais, as distorções existentes e a
solução dos problemas dos planos de carreira dos diversos poderes.
Ademais, tratar deste tema como rediscussão do conceito de “direito
adquirido” é, no mínimo, acrescentar-lhe tal complexidade jurídica que
por si só inviabiliza qualquer alternativa de solução e o transforma em
mera discussão para alimentar o processo eleitoral.
O eleitor em outubro deve pensar bem antes de votar. É por essa via
democrática que se pode chegar mais rápido à recuperação da nossa
economia. Eleger candidatos com princípios morais e capacidade
intelectual para enfrentar os complexos problemas da sociedade moderna é
o primeiro e grande passo dessa longa caminhada que o país tem pela
frente.
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