Angelo Ikeda /Especial
para BrazilFX
São Paulo, 29 de julho
(BrazilFX) -- O dólar pode volta a cair nesta sexta,
com a briga entre comprados e vendidos para a formação
da Ptax de fim de mês e a indicação do BC de que a
taxa básica de juros será mantida em 19,75% ao ano em
agosto. "Esse é um movimento normal. Os vendidos estão
tentando levar a cotação para baixo, para amanhã abrir
mais tranquilo", disse o gerente de câmbio da
corretora Souza Barros, Hideaki Iha. "Depois os
comprados vão tentar se defender."
Volatilidade deve continuar
Para Hideaki, após a
formação da Ptax a volatilidade deve retornar ao
mercado. "Depois da Ptax deve haver um ajuste",
previu. "Não sei se o dólar vai subir, mas não deve
cair muito. Todo mundo está trabalhando com cautela,
ninguém é louco de sair batendo com essa situação que
está aí", disse, referindo-se à crise política.
Está marcado para a
próxima terça o depoimento do ex-ministro da Casa
Civil, deputado José Dirceu, ao Conselho de Ética da
Câmara. O depoimento é bastante aguardado, já que
Dirceu foi acusado pelo deputado Roberto Jefferson de
ser um dos mandantes do esquema do mensalão e era um
dos políticos mais próximos do presidente Lula. "Ele é
visto como um homem-bomba, que pode até poupar o
presidente, mas pode atirar para todo lado", comentou
Hideaki.
Ata do Copom
Apesar das incertezas
políticas, a ata da última reunião do Copom, divulgada
hoje, abriu espaço para a apreciação do real. No
documento, o Banco Central sinaliza que a taxa básica
de juros, de 19,75% ao ano, será mantida em agosto.
Assim, os juros reais brasileiros, os mais altos do
mundo, deverão continuar atraindo fluxo de capital
especulativo.
Unibanco
Outro fator que pode
influenciar os negócios é a liquidação da emissão de
bônus perpétuos do Unibanco, que, segundo Hideaki, da
Souza Barros, está marcada para amanhã. "Mas não dá
para saber se esse dinheiro vai entrar", alertou.
Cenário externo
Há pouco, o euro
recuava 0,28%, para US$ 1,2096. Em relação ao iene, o
dólar subia 0,13%, para 112,35, ante as expectativas
com o PIB dos EUA, que sai daqui a pouco. O barril de
petróleo WTI para entrega em setembro recuava US$
0,49, para US$ 60,43. O rendimento das notas de dez
anos do Tesouro dos EUA subia 1 ponto-base, para 4,20%
ao ano.