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Os números do primeiro
semestre da operadora portuária Santos Brasil vieram com
rentabilidade superior aos exercícios passados. O faturamento cresceu
16,8% devido a um índice de contêineres cheios de 80%, acima dos
níveis históricos da companhia. O incremento no volume comercializado
através do Porto de Santos (SP) e da armazenagem também contribuiu
para o aumento das receitas na visão da companhia, que apresentou os
resultados do 2tr08 e 1s08 em webconferência. Foi por causa desse
cenário que os indicadores de Ebitda, Receita e Lucro Líquido foram
maiores em relação ao mesmo período de 2007.
A empresa de onze anos de
existência e operações no Porto de Santos (SP), tem no local a maior
vantagem competitiva. Ele é o maior porto da América Latina e está
localizado na região que representa mais de 60% do PIB brasileiro. No
primeiro semestre de 2008 cerca de 97% do volume transportado pela
empresa foi no Porto de Santos de um total de mais de 400 mil
contêineres. Esse volume ficou praticamente estável, com alta de 0,3%
em relação ao mesmo semestre de 2007. Cerca de 87% do faturamento da
empresa vem do transporte de cargas e 13% dos serviços logísticos.
Após a abertura de capital e
ingresso no Nível 2 de Governança Corporativa em 2006, a única
operadora de portos públicos licitados a partir da Lei 8.630 de 1993
com ações listadas na Bovespa, tem impulsionado esse crescimento
também a partir de aquisições. Foram os investimentos para a
reestruturação de uma delas, o Convicon no Pará, que ajudaram a
elevar os custos da companhia em 8,7% no segundo trimestre. A
participação na Convicon se deu através da compra de 75% das ações da
controladora indireta Nara Valley. De acordo com o diretor de
operações da Santos Brasil, Antonio Carlos Sepúlveda, o prejuízo da
Convicon será revertido até o final do ano, pois os problemas
estruturais devem estar solucionados em no máximo seis meses. Outra
recente aquisição foi um terminal em Imbituba (SC) com prazo para
começar a operar completamente até 2010. Através do investimento de
R$ 283 milhões a empresa espera movimentar 650 mil contêineres. Outra
oportunidade de expansão pode ser o complexo Barnabé-Bagra no próprio
Porto de Santos. A Santos Brasil já tem a autorização para fazer um
estudo de viabilidade. A intenção é entregá-lo no final do ano que
vem, e a partir daí é investir R$ 9 bilhões em uma estrutura onde se
possa transportar 200 milhões de toneladas de carga ao ano.
Os esforços para crescer, no
entanto, não garantem 100% dos rumos da companhia. Apesar do forte
potencial que analistas consideram ainda ter o comércio internacional
brasileiro, o impacto do câmbio e o risco da não renovação da
concessão do Porto de Santos (de cerca de 20 anos) põem em risco
qualquer garantia de crescimento. Para 2008 a companhia revisou os
guindances.
O câmbio nos patamares atuais deve reduzir o número de contêineres
cheios até o final do ano. Outro motivo para a não sustentação do
percentual de 80% atingido no primeiro semestre é a redução sazonal
das importações no segundo semestre. Outro
drive
negativo é o aumento dos juros que devem ajudar a reduzir ainda mais
as compras das importadoras brasileiras.
O montante anunciado para
investimentos é de R$ 272 milhões no consolidado do ano. A meta para
o Ebitda é de R$ 282 milhões (ligeiramente acima dos R$ 224 milhões
conquistados em 2007), com uma margem de 40% (em linha com o ano
passado) e um volume de contêineres transportados de 880 mil (acima
dos 8328.732 de 2007). Para 2009 as perspectivas da companhia são
mais positivas. A empresa vai buscar uma rentabilidade melhor devido
ao esperado pequeno incremento no volume transportado. E a assinatura
final do decreto que aperfeiçoa o marco regulatório do setor de 1993
também traz expectativas para um setor que há seis anos não passa por
uma licitação. A complementação da Lei 8.630 promete licitar portos
públicos a empresas privadas e permitir que estrangeiros façam
dragagens em território nacional. |