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| Zamprogna se prepara para abrir capital | |
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| 30 de abril de 2008 | |
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Preparar relatórios trimestrais, publicá-los nas versões USGAAP (balanço em inglês) e nos padrões do modelo IFRS (padrão internacional que passará a ser obrigatório), utilizar o sistema de gerenciamento de dados SAP (líder do mercado) e implementar controles internos exigidos pela lei americana Sarbanes-Oxley (SOX) é rotina para as companhias de capital aberto da Bovespa, essencialmente, para aquelas que fazem parte de um grupo formado por cerca de um quarto de delas. A gaúcha Zamprogna S/A não é uma das empresas listadas no Novo Mercado de Governança Corporativa, e ainda não tem capital aberto. No entanto, há um ano vive a rotina de uma companhia de grande porte, bem capitalizada, e com uma lista de obrigações com o mercado, e principalmente, com os acionistas. A divulgação pública (com publicação em jornais de grande circulação no Brasil) e nas normas exigidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) dos resultados referentes ao exercício de 2007 pode ser um recado para o mercado de que a Zamprogna está quase pronta para abrir capital. Mas, por enquanto, como explicou o presidente Luiz Eduardo Franco de Abreu, a IPO (Oferta Pública de Ações) ainda é só um plano, mas que pode se consolidar em 2009. As mudanças que vem ocorrendo na empresa com 70 anos de história, nascida em Guaporé no interior do Rio Grande do Sul, e com duas unidades no estado de São Paulo e uma em Porto Alegre (RS), fazem parte do tipo de administração proposta pelo fundo de participações (FIP) NSG Brazil Metal Participações, controlado pela NSG Capital Administradora de Recursos. Com um capital comprometido de US$ 315 milhões, em 2007, a produtora de tubos e chapas de aços criada pelos irmãos José e Ernestro Zamprogna em 1937 foi comprada com a finalidade de obter retornos superiores a 20%, através de uma administração pautada nas melhores práticas de investimento e gestão, objetivos característicos de FIPs e dos fundos tipo Private Equity e Venture Capital. E foi isso que aconteceu. A administração da Zamprogna conseguiu entregar um crescimento entre 20% e 30% em muitos dos indicadores de rentabilidade. A meta de atingir faturamento próximo de R$ 1 bilhão foi atingida. A receita líquida foi de R$ 723 milhões e representou um incremento de 27% em relação a 2006. Na comparação com o mesmo período, o lucro bruto cresceu 26%, e foi de R$ 107,5 milhões, e o Ebitda (sinaliza a geração de caixa) aumentou 20,2%, totalizando R$ 49,4 milhões. O lucro líquido de R$ 30,6 milhões traduziu uma expansão de 3,4% em doze meses. Ele foi impactado por despesas operacionais, superiores 26,8% em relação a 2006, da ordem de R$ 68,5 milhões. Mais de R$ 5 milhões, que são considerados não-recorrentes, foram gastos na contratação de consultorias, planejamentos e auditorias, responsáveis pela condução da profissionalização da gestão na empresa, que até ser comprada, era marcada por uma administração familiar. O diretor financeiro da Zamprogna (desde junho do ano passado na companhia), Marcos Silveira, exemplifica os processos iniciados que fazem parte desses serviços de terceiros, que vão além da finalidade de elevar a transparência nas informações prestadas internamente e para o mercado. Além da consultoria que conduz a implementação dos processos da SOX, outra empresa foi contratada para revisar cargos e salários, e preparar um plano de remuneração. Outra iniciativa foi a contratação de 118 colaboradores no ano passado, que totalizaram 1.123 funcionários. Um grupo de 13 pessoas trabalha na gestão da nova fase da companhia. Em 2006, eram cinco, sendo que um deles era o controlador. Neste ano, está sendo reorganizado o Comitê Executivo, e deve ser formado um Conselho Fiscal e um Comitê de Auditoria. Entre as empresas contratadas está uma de endomarketing, com o objetivo de criar meios de comunicar aos colaboradores das três filiais as mudanças da empresa. Em relação às novas condutas que chegaram à Zamprogna após a venda pelos controladores, o presidente Luiz Eduardo Franco de Abreu destaca que ela já era uma empresa muito bem gerida, e que a forma de trabalhar focada no cliente e pautada em padrões éticos foi mantida e ajudou a nova administração a atingir os resultados pretendidos já no primeiro ano. No entanto, Abreu esclarece que uma gestão familiar é diferente de uma profissionalizada, e as diferenças se traduzem nesses processos que a NSG Capital está implantando desde a aquisição, e também nos recursos utilizados pela empresa, que dá importância a uma estrutura de capital “ótima” que permita fazer os investimentos necessários. No ano passado, a empresa aplicou R$ 16 milhões, parte na manutenção e expansão orgânica das plantas. Para este ano e com a mesma finalidade estão planejados R$ 40 milhões. Esse planejamento também é parte do trabalho de uma consultoria, que está contribuindo com a finalização de um plano que a empresa chamou de “Agenda 2012”. Incluído nele estão R$ 300 milhões que devem ser utilizados entre 2007 e 2009 na expansão orgânica e nas futuras aquisições da Zamprogna. Algumas delas já devem ser apresentadas ao mercado no segundo semestre de 2008. A companhia mantém onze acordos de confidenciabilidade com empresas para futuros negócios. Só que de acordo com o presidente Luiz Eduardo Franco de Abreu, nem todos os contratos serão fechados. Silveira conta que a partir de agora a companhia vai olhar o Brasil não mais através dos seus mercados regionais, mas sim de acordo com nichos de negócios. Para aumentar a produção de 330 mil toneladas de aço manufaturado de 2007 (um aumento de 29,3% versus 2006), e as vendas de 278,9 mil tonelada, que cresceram 22,1% em doze meses, a empresa vai olhar futuras aquisições e focar em novos mercados a partir dos nichos de produção e consumo de automóveis, bens duráveis e de capital, e construção civil. A idéia é elevar o número de clientes ativos de 4.500, mas também reforçar o relacionamento com os atuais, através do aumento do valor dos produtos e serviços que oferece, grande parte nas regiões sul e sudeste.
Apesar de líder na
distribuição de tubos e chapas de aço de até 8 polegadas, de
acordo com seu presidente, a Zamprogna deve crescer mais. Em 2008, essa
expansão deve acompanhar o percentual de 2007, entre 20% e 30%. Para
isso, além das mudanças na gestão, a companhia aposta no crescimento
do mercado interno, e não se preocupa com o aumento do preço das suas
matérias-primas. Com o crescimento de 5% esperado para o Produto
Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2008, o consumo de bens
relacionados ao aço devem crescer 15%. Na visão do presidente da
Zamprogna, o setor está passando por um momento interessante para
investidores, clientes e para a cadeia como um todo. “O momento é de
consolidação, em que o aperto nas margens e a necessidade dos
clientes exigem investimentos em volume maior do que as empresas são
capazes de gerar internamente, e onde os benefícios da economia de
escala são importantes”, complementa Abreu, que parece dar o recado
de que a Zamprogna está se preparando para enfrentar e aproveitar
esse cenário. |
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Entrevista exclusiva para o Portal Acioni$ta Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski |
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