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CCDI: Uma incorporadora diferente, mas que entra na briga num setor que toma impulso no Brasil

A Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) é diferente das demais incorporadoras do mercado. Esse foi o recado deixado pelo Diretor Financeiro e de Relações com Investidor, Paulo Mazzali, aos investidores presentes na reunião promovida pela Apimec Sul. A empresa abriu capital em janeiro deste ano e listou ações no Novo Mercado de Governança Corporativa da Bovespa em um momento marcado por muitas IPOs (ofertas de ações primárias) no setor imobiliário. No caso da CCDI, a trajetória começou diferente. A presença e a história da marca Camargo Corrêa influenciaram a empresa a ter um IPO bem sucedido, e continuam na prospecção de clientes, na formação de parcerias comerciais e nas relações com as instituições bancárias e o sistema de crédito brasileiro.

A CCDI atua somente no negócio de incorporação de imóveis, ou seja, não constrói e não vende, e também não tem a pretensão de se unir ou comprar empresas que atuam nesse outros segmentos. A maior parte dos seus empreendimentos são residenciais, voltados para classes médias. Tradicionalmente, os valores unitários são na faixa de R$ 100 mil a R$ 350 mil. A maioria dos negócios ainda está na região metropolitana de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde a companhia não vê super oferta, nem redução de demanda, e muito menos, trabalha com sua margem apertada. Por outro lado, deve acompanhar a expansão do mercado imobiliário para outras regiões do país, assim como prestar atenção na demanda crescente de classes com rendimentos mais baixos da atendida tradicionalmente pelo mercado brasileiro.

Neste momento, a empresa estuda como será sua atuação em segmentos da incorporação com valores por unidades menores, que vão de R$ 30 a R$ 100 mil. Possivelmente, nos próximos meses, a CCDI  anunciará os planos de atuação no segmento de menor renda - em que o déficit habitacional e a necessidade de financiamento são muito altos -, no qual as empresas líderes do setor já começam, literalmente, a montar suas bases. Entrar em um mercado diferenciado não exigirá mudanças na forma de atuar na empresa. A construção e a venda dos imóveis são feitos através de parceiras locais. O financiamento aos clientes também será possível a partir dos bancos com quem tem acordos como Bradesco, Itaú e Unibanco.

Da mesma forma, o caixa da companhia deve continuar robusto - o que é um bom indicador para avaliar a saúde de uma empresa do setor imobiliário. No IPO, a CCDI encheu o caixa com R$ 450 milhões com meta de  R$ 5 bilhões nos próximos anos. O segredo ou a atuação diferenciada da incorporadora é seguir com uma estratégia não mais comum entre as concorrentes. A empresa compra terrenos através de permuta com o dono. Ou seja, ela não paga em dinheiro, mas em percentual durante o período em que o cliente/comprador do imóvel vai pagando sua compra. A estratégia dá um banco de terrenos considerável - R$ 2 bilhões em vendas potenciais (VGV) para 2008, formado por unidades de tamanhos e preços vultuosos, que variam entre R$ 20 e R$ 30 milhões. Com isso, a empresa também apresenta um valor de R$ 3 bilhões em lançamentos para 2008 e  cumpre o montante prometido para 2007 de R$ 4 bilhões.

Os resultados abaixo refletem uma forma particular de contabilizar os ganhos neste setor, e que de certa forma, distorce o balanço de uma incorporadora em crescimento como a CCDI. O Ebitda e o Lucro Líquido vêm pressionados, porque as receitas da companhia  não são incluídas no balanço de resultados a partir do início do projeto. A obra demora cerca de três anos para começar.

CCDI/ R$ Milhões

2tr06

2tr07

Variação %

Ebitda

4

-0,8

(120,00)

Lucro Líquido

2,67 

2,75 

3,0

Receita Líquida

26,30 

41,20 

56,7

Resultado da Venda/a apropriar

44,40 

70,10 

57,9

Vendas contratadas

46,60 

82,70 

77,5

VGV (potencial de vendas)

244,10 

428,30 

75,5

Fonte: Relatório de Resultados      
28/08/07

Apresentação Resultados Apimec-Sul
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
redacao@acionista.com.br

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