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Estratégia de compra no mercado livre beneficia resultado e continua como opção da Tractebel
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26 de agosto de 2008
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A Tractebel Energia, da qual 68,71% das ações pertencem ao grupo belga-francês Suez, anunciou os resultados e a aquisição de mais duas usinas durante reunião na ApimecSul. O crescimento da companhia de energia integrada (geração, comercialização e distribuição) passa pela elevação da capacidade de geração. E os drivers financeiros, pela obtenção de maior flexibilidade e preço dos contratos de venda, conquistados através do aumento da participação no mercado livre. No primeiro trimestre do ano, isso foi possível, segundo o diretor financeiro, Marc Vestraete, através da adoção da estratégia de sazonalidade, em que a empresa vendeu no mercado spot (livre e à vista), quando os preços chegaram a R$ 500 MW//h.

No segundo trimestre a cotação de energia elétrica foi inferior ao trimestre passado e atingiu a média de R$ 102 MW/h. Mesmo assim o valor médio negociado foi maior 16,2% do que no 2tr07. Com isso, mesmo com volume menor de energia vendida, o faturamento bruto e líquido cresceram mais de 5% em relação a 2007, e a geração de caixa teve incremento de 13%. No segundo semestre, a companhia deve continuar sendo impactada de forma positiva pela decisão governamental de despachar as usinas fora de ordem e mérito, o que normalmente organiza a venda da energia gerada. O objetivo do governo federal é manter os reservatórios num nível considerado adequado para evitar falta de energia. Isso beneficia as geradoras que utilizam termelétrica porque elas recebem um desconto do governo, que reduz as despesas operacionais finais. Para 2008 e 2009, a Tractebel está com toda a sua energia contratada. Entre 2011 e 2013, ela está com apenas 20% do portfólio comprometido. O restante ela deve continuar vendendo ao máximo que puder no mercado spot, no qual cálculo que o MW/h deve custar cerca de R$ 130 em 2010.

A partir do segundo trimestre deste ano, a companhia já conta com o incremento de capacidade de geração, a fim de fazer frente ao desabastecimento do mercado que a empresa projeta para a partir de 2011. Duas usinas, já em funcionamento, foram compradas. As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) de Rondonópolis e José Gelazio da Rocha (em Mato Grosso) adicionarão 50,3 MW de capacidade instalada de 6,100 mil MW, elevando ainda mais a participação de liderança de 6,1% no mercado doméstico de geração, que tem capacidade instalada de pouco mais de 100 mil MW.

Entre os projetos já anunciados, mas que ainda estão em construção, está a usina hidrelétrica (UHE) de são Salvador, projeto greenfield com operação estimada em 2009 e energia assegurada de 148 MW (dos 243 MW) até 2036 através de leilão de energia nova. A hidrelétrica de Estreito, na qual tem 40% de participação, já está com a capacidade de 435 MW assegurada através da venda de leilão A-5 até 2037. Outro projeto esperado é a usina de carvão na reserva de Candiota no Rio Grande do Sul. A companhia aguarda o final das negociações bilaterais entre Brasil e Uruguai, país para o qual a Tractebel deve vender os 340 MW de energia térmica gerada a partir de 2012, início estimado para as operações da unidade.

O aporte necessário para esses projetos totaliza R$ 1,554 bilhão em 2008. Pouco menos de 10% é destinado à manutenção, R$ 230 milhões foram usados na compra da UHE São Salvador, R$ 385 milhões para a continuidade da construção da UHE de Estreito. Mais de R$ 600 milhões foram utilizados na compra da hidrelétrica Ponte de Pedra, e outros R$ 200 milhões foi pago pelas PCHs. Além desses, outros projetos de energia alternativa devem ser cada vez mais freqüentes no portfólio da companhia, que segue a estratégia mundial da holding Suez de aumentar a produção através de fontes renováveis. Neste ano a Tractebel tinha a meta, que já cumpriu, de desenvolver 100 MW de energia a partir de fontes como biomassa, vento e PCHs. Para a produção de energia eólica já existem dois projetos, mas que ainda estão como ativos da Suez (responsável pelo desenvolvimento das plantas, venda de energia, negociação de financiamento e obtenção de licença). As unidades ficam no estado do Piauí e no Ceará. A empresa considera uma taxa de retorno favorável de 12% para todos os projetos. No entanto, o retorno varia conforme o local e o tipo de energia gerada. As fontes alternativas, normalmente, geram maior retorno, como as térmicas, com 14%.

Para fazer frente a esse desenvolvimento, a Tractebel é beneficiada por um endividamento 1,2 vezes a geração de caixa, medida pelo Ebitda e uma dívida em moeda estrangeira que foi reduzida em função da elevação do câmbio. O diretor Vestraete considera que, se for necessário, a companhia tem condições de elevar o nível de endividamento para até 2,5 vezes o Ebitda. Por isso, o percentual pago do lucro líquido em dividendos e juros sobre capital (payout) pode continuar em 95%. No entanto, a companhia não sabe se manterá esse nível de pagamento, mas que por ter ações listadas no Novo Mercado, o pagamento mínimo pode ser de até 55%.



Apresentação  Apimec-Sul
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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