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Inflação preocupa Grendene
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25 de setembro de 2008
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“A economia brasileira ainda não sentiu os efeitos da desaceleração dos Estados Unidos. O que continua sendo a nossa preocupação é a inflação”, declarou o diretor de relações com investidor da Grendene, Francisco Schmitt. O executivo admite que uma queda da atividade doméstica é esperada. A expectativa de redução do crescimento do PIB neste e no próximo ano terá impacto no consumo doméstico, que deverá afetar a compra de bens secundários, como calçados. Segundo o diretor, desconsiderando que o segundo e o terceiro trimestres são mais fracos, o que foi possível sentir foi um pouco de receio dos lojistas ao começar as compras para o verão no mês de julho. No entanto, nem crise americana, nem inflação, mudam os planos da companhia.

Neste mês, uma nova linha de produtos está chegando aos cerca de 60 pontos de venda que a Grendene tem no país. A marca Zaxyteen é mais uma opção entre as mais de 20 linhas próprias, terceirizadas e licenciadas.  Ela vai ocupar um nicho de calçados femininos para adolescentes. Nesse segmento a empresa já encontrará produtos concorrentes, mas a expectativa está na confiança da qualidade e diferenciação do produto. O segredo para vencer a concorrência são produtos diversificados. Mas ainda os maiores volumes e receitas vêem de produtos considerados de massa, como chinelos e sandálias.

No primeiro semestre, a Grendene vendeu 64,8 milhões de pares, cerca de 14% a mais que no mesmo período do ano passado. A meta é elevar em 5% os volumes vendidos no segundo semestre. O faturamento, que cresceu 6,6% no 1S08, deve crescer  10% até o final do ano. No período, a receita líquida aumentou quase 6%, e foi ajudada pelos volumes vendidos, já que o preço médio dos produtos caiu 6,5% (o preço médio ficou em R$ 9,54). Para atingir os guidances, a companhia vai trabalhar com preços maiores até o final do ano.

No mercado externo, o incremento de receita foi maior, cerca de 15,5%. O faturamento no exterior representou 13,21% da receita total do primeiro semestre. A estratégia é elevar esse percentual a partir de um esforço de fortalecimento da marca. Atualmente, a companhia é responsável por cerca de 28% do volume de calçados exportados do Brasil (em 2007 foram 40 milhões de pares exportados). A desaceleração da economia norte-americana não representa risco às vendas da Grendene. Cerca de um quarto da exportação vai para o bloco do nafta, e entre 2008 e 2007, os volumes foram maiores cerca de 60%. Conforme Schmitt, o que tranqüiliza a empresa é que ela está presente em 85 países, com participações diversificadas. 

A região da Ásia, incluindo a China, onde já vende, representa cerca de 20% das receitas das vendas internacionais. A expectativa é que esse percentual aumente. A companhia entende que o potencial do mercado consumidor chinês é significativo, mesmo o país sendo o maior exportador de calçados. O consumo é de 1,9 pares de calçados por habitante ao ano, abaixo da média dos países desenvolvidos de 7 a 8, e do Brasil, cuja média é de 3,1.

Para fazer frente às vendas, a companhia conta com uma capacidade de produção de 190 milhões de pares, para uma produção que no ano passado foi de 145 milhões. Eles estão agrupados em cerca de 500 a 600 produtos. A produção de 90% vem das plantas do Nordeste (além da região, possui unidades no Rio Grande do Sul). A companhia não está fazendo novos investimentos. Por enquanto, deve continuar com as doze fábricas de calçados, sendo que uma delas é a produtora do PVC, a resina utilizada nos calçados. A produção de parte da matéria-prima utilizada foi uma das razões para que os custos não acompanhassem o movimento de subida dos preços das matérias-primas como a nafta, o gás e o carvão. Outra razão, que reduziu os impactos da valorização do câmbio, é a operação de hedge com 100% da carteira de pedidos.

Mais detalhes sobre os resultados do 2tr08 e 1S08



Tá na mesa -
Federasul
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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