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Bradesco projeta taxa de juros a 12% em 2007

Até o final de 2007 a taxa de juros brasileira deve cair para 12% e impulsionar a demanda por crédito, principalmente imobiliário, elevando o patamar de rentabilidade deste segmento. A projeção foi feita por Jean Philippe Leroy, superintendente executivo do departamento de Relações com o Mercado do Bradesco em apresentação de resultados da Apimec-Sul, ontem à noite.

Conforme Leroy, o Bradesco projeta um PIB em 3,7%, aliado a uma taxa de juros real abaixo de 10%, o que deve propiciar elevação na demanda por crédito e queda da inadimplência. “Uma taxa de juros real de um dígito era o que nós estávamos sonhando há algum tempo”, afirmou Leroy. A expectativa maior se concentra no crédito imobiliário, que deve ser o grande carro-chefe do próximo ano.

A inadimplência, principalmente de pessoa física, tende a recuar com a baixa dos juros e espantar a preocupação do Bradesco. Neste semestre houve aumento da inadimplência de 6,4% para 6,6%. Pode parecer pouco, mas como a rentabilidade da carteira de crédito somou R$ 88 bilhões, o 0,2% representa um grande impacto. Deste total, R$ 37,5 bilhões foram destinados à pessoa física, R$ 25,9 bilhões para pequenas e médias empresas e R$ 25,1 bilhões para grandes empresas. Para o próximo ano a projeção é de incremento em mais de 20% no segmento de crédito, mantendo as boas expectativas da demanda.

Mas os representantes do maior banco privado do Brasil fizeram questão de frisar que estão longe de apostar todas as fichas na carteira de crédito. O lucro recorde de R$ 3,1 bilhões teve como suporte cinco pilares: serviços, TVM, captações, crédito e seguros. Esse último foi responsável por 33% do lucro, em especial no seguro de veículos, deixando a fatia do crédito com dez pontos percentuais a menos, 23%. A diversificação é uma aposta do banco. “A segmentação nos ajudou a melhor se relacionar com nossos clientes e os deixou mais satisfeitos”, afirmou Milton Vargas, diretor vice-presidente e de Relações com Investidores.

Recentemente o Bradesco anunciou a antecipação da amortização de um ágio de R$ 2,5 bilhões. O que seria amortizado nos próximos dez anos foi adiantado para o terceiro trimestre de 2006, o que trará impacto no resultado da empresa em R$ 1,3 bilhão, mas irá recuperar nos próximos semestres.

Entre os principais destaques do semestre estão o crescimento de 23% do patrimônio líquido, passando de R$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2005 para R$ 21,4 bilhões no mesmo período de 2006; aumento dos fundos e carteiras de investimento em 26,9%, saindo de R$ 108,4 bilhões para R$ 137,6 bilhões; e rentabilidade sobre patrimônio líquido acima de 30% nos últimos anos.

 
22/09/06
Apresentação Resultados Apimec-Sul
Jornalista Flávia Regina Pollo
redacao@acionista.com.br

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