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No primeiro semestre de 2005, a Braskem exportava cerca de 96% da
produção. Atualmente, as vendas externas representam apenas 24% da
receita líquida (mesmo com o incremento de 27 % no volume exportado no
2T06). Ao final do mês de julho deste ano, a Braskem comemora o
crescimento de 14% do mercado brasileiro devido aos superiores volumes
vendidos e importados de resinas termoplásticas. A maior absorção da
produção das empresas do setor significa o incremento de 250 mil t/ano
de resinas produzidas no País.
No início do ano passado, mercado e acionistas comemoravam a política
de alinhamento dos preços da empresa com os praticados em mercados
internacionais. O lucro líquido da Companhia crescia de R$ 10 milhões
para R$ 206 milhões entre os primeiros trimestres de 2004 e 2005. Com
valores competitivos para vendas em patamares iguais ao do cenário
internacional, a Petroquímica era forte concorrente mundial.
O aumento de 3,4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em relação
ao mesmo semestre do ano passado e o crescimento de 5% da indústria
nacional justificam a atenção voltada para clientes no mercado
interno. A valorização do real em relação ao dólar influenciou para
que os valores praticados no Brasil ficassem inferiores aos níveis no
exterior. Além disso, a instabilidade no Oriente Médio resultou na
elevação dos preços da venda do nafta – principal matéria-prima da
Braskem. Em relação ao segundo trimestre de 2005, a cotação média da
commoditty aumentou, em dólar, 35%. O nafta ARA (Amsterdã – Roderdã)
foi de US$ 602 por tonelada no 2T06.
Durante a Apimec-Sul, em que a Petroquímica apresentou estes
resultados, analistas questionaram quando, novamente, a empresa
voltará a ter política semelhante. A resposta do vice-presidente de
finanças e relações com investidor da Companhia, Paul Altit, foi a
contextualização do momento pelo qual passa a empresa: elevado custo
do capital e queda de receitas.Com 80% dos custos dolarizados e 20%
calculados em reais, mesmo que o valor do câmbio seja estável, é
difícil, de acordo com Altit, vender a valores semelhantes aos
internacionais.
Devido à valorização do real frente à moeda norte-americana, a receita
líquida da Braskem reduziu 5% em relação ao segundo trimestre do ano
passado. Esse rendimento passou de R$ 2.995 milhões para R$ 2.832
milhões. O lucro líquido representou prejuízo de R$ 54 milhões em
relação ao segundo trimestre de 2005, em que o resultado foi de R$ 437
milhões. Conseqüentemente, o Ebitda reduziu 57% no mesmo período, para
R$ 253 milhões.
Desmembrando o resultado do Lucro antes do pagamento de juros,
impostos, depreciação e amortizações, o cambio diminuiu em R$ 102
milhões o valor no Ebitda na comparação entre o segundo trimestre
deste e do ano passado. Além da influência negativa na margem Ebitda,
se não fosse a valorização no câmbio, o resultado financeiro da
Braskem seria melhor que no ano passado. Para as despesas financeiras,
as perdas com a moeda brasileira, mesmo com pouca variação verificada
no primeiro semestre deste ano, foram de R$ 616 milhões a mais. No
segundo trimestre de 2005, a empresa deixou de gastar R$ 39 milhões
com o câmbio.
O aumento de 6% nos preços do polietileno (PE), 4% do polipropileno
(PP) e 1% no PVC são necessários para elevar margens no próximo
semestre e responder ao acréscimo de 19% na demanda de PP e 12% no
aumento da necessidade que o mercado nacional apresenta do PVC. Apesar
da perspectiva de dificuldade nas negociações nos mercados
internacionais, frente ao acréscimo nos preços, Altit afirma que,
gradativamente, as tarifa e a demanda da Braskem será relacionada ao
mercado regional.
Os países da América do Sul já fazem parte da estratégia de expansão
da Petroquímica. Ao complexo de “Olefinas de Jose” (será submetido ao
Conselho de Administração da empresa), na Venezuela, está estimado um
investimento entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2,5 bilhões. Pretende-se
produzir 1,2 milhão de toneladas por ano de gás natural na planta de
Venezuela, integrando a produção de Polietileno e outros produtos de
segunda geração. Em El Tablazo, no mesmo País, estima-se a produção de
400 mil toneladas anuais de PP.
Além das obras anunciadas, plantas na Bolívia estão programadas;
porém, aguardam situação política estável. No mês de abril, a Braskem
adquiriu o controle da Politeno pelo montante de US$ de 111 milhões.
No final de maio, aconteceu a incorporação da Polialden. A
Petroquímica de Paulínia renovou a licença ambiental prévia para a
construção de uma planta de PP, em Paulínia, Estado de São Paulo. A
capacidade de produção anual deverá atingir 300 mil toneladas. A
empresa é uma Joint-venture com a Petrobrás.
A fim de recuperar margens, a Companhia destaca, diversas vezes,
durante Apime-Sul, a prioridade dado ao aumento das taxas de
utilização de capacidade dos produtos em todas as suas Unidades de
Negócios. Na comparação entre os segundos trimestres de 2005 e 2006, a
capacidade do Eteno reduziu de 92% para 87%,do PE, de 96% para 94%
(incidente de produção), do PVC, de 95% para 78% (parada programada de
14 dias). Apenas a taxa de utilização de capacidade do PP manteve-se
em 97%. Para o PVC, há a expectativa de ampliar a capacidade em 100
mil t/ano, devido ao potencial de crescimento do mercado habitacional
e de obras de infra-estrutura.
Outro driver apontado pela Braskem para o próximo semestre é a
consolidação do Projeto Fórmula Braskem. A inovação introduz o sistema
integrado de gestão, que engloba todos os processo do negócio. O
investimento foi de R$ 130 milhões. O registro da segunda patente em
nanotecnologia e a elevação da classificação de risco de investimento
na Companhia são destaques para a empresa. A classificação da Braskem,
pela “Fitch Ratings”, passou de BB para BB+ no mercado internacional,
e de AA- para AA, no cenário doméstico, também apontando uma
perspectiva estável. Além disso, a empresa está totalmente adequada às
exigências aos dispositivos da Lei Sarbanes-Oxley.
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