.Índice

Cemig: “Impossível ficar fora da Amazônia” e da briga pela liderança na consolidação do setor
.
20 de março de 2008
.

A ênfase dada ao crescimento do Ebitda e da respectiva margem da Cemig em 2007 por seu superintendente de relações com investidor, Agostinho Faria Cardoso, durante a ApimecSul foi o recado deixado ao mercado de que a companhia integrada de energia elétrica do estado de Minas Gerais está pronta para as próximas aquisições e licitações previstas na agenda do setor. O indicador que faz referência ao caixa da empresa contabilizou mais de R$ 4 bilhões, acompanhado de uma margem Ebitda de 40%.

A idéia de uma posição de caixa forte foi reforçada com a apresentação do fluxo de caixa positivo com mais de R$ 2 bilhões com o qual a Cemig encerrou o ano, com o crescimento de 21% da receita líquida, que totalizou R$ 10,246 bilhões, e com o perfil da dívida que foi alongado. Tudo isso para repetir o discurso sucessivo da empresa que a companhia crescerá através de novos projetos, sempre com visão de longo prazo, e via aquisições, que tenham expansão acelerada e sinergias para agregar ao grupo. Os negócios mais recentes foram as incorporações da distribuidora Light e da TBE Transmissoras Brasileiras de Energias, um conjunto de cinco linhas. Ambas foram adquiridas em 2006.   

A meta da Cemig é gerar 20% da energia do Brasil. Os seus ativos atuais cresceram 16% através da capacidade de geração, que é de 6.678 Mw. Em linhas de transmissão, aumentaram 10%, e 20% em distribuição. A importância de aquisições é o salto que elas possibilitam na expansão da companhia. A participação na licitação da usina de Santo Antônio, primeira do Rio Madeira na Bacia Amazônica, deve ser uma de muitas outras, e que trará retorno aos acionistas. “O futuro passa pela Amazônia”, justificou Cardoso. A região tem 65% da potência hidráulica do país e oferece 100 mil Mega Watts (Mw) de potência dos 243 mil Mw que ainda podem ser desenvolvidos e dos 170 mil Mw cujo desenvolvimento ainda não foram iniciados. O superintendente lembrou ainda que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tem mais US$ 50 bilhões previstos para o setor, e US$ 35 são para geração de energia.

A Cemig se prepara para 2011, quando o país precisará gerar mais energia. Por isso, deve participar das próximas licitações, mas sempre visando uma taxa de retorno (TIR). No caso da usina de Santo Antonio, a Cemig estima que a TIR seja de 12%. A explicação de como isso é possível após o preço aceito pelo consórcio do qual participou e saiu vencedora ter vindo muito abaixo do teto e do esperado pelo mercado é a expectativa do aumento do preço da energia, em razão da crescente demanda do Brasil com o passar dos anos. E, mesmo não tendo sido considerada pré-qualificada para concorrer no leilão da Cesp, com data prevista para 26 de marco, sobre o qual a companhia entendeu que o preço estava muito alto, ela não descarta participar de uma segunda etapa desse processo.  A participação deve estar estruturada como em Santo Antônio, assim como na possível privatização da Eletropaulo, que tem como um dos ativos a AES Tietê, e na licitação da outra usina do Rio Madeira, a de Jirau.

Enquanto isso, a Cemig tem alguns desafios, com soluções apresentadas há alguns exercícios ao mercado. Mas a percepção quanto ao esforço da companhia para reduzir custos e despesas, por exemplo, não tem acompanhado as saídas apresentadas pela empresa. As despesas da companhia aumentaram 17% no ano passado, e totalizaram R$ 6.951 bilhões. Mais de 65% desse valor é devido ao incremento nas despesas operacionais com a energia comprada. No entanto, o gasto com essa energia comprada pode ser toda repassada à tarifa. Já as despesas com pessoal estão sendo reduzidas com uma série de ações. Fazem parte dela a eliminação de anuênio e da gratificação de 16,7% paga aos novos funcionários e ao Programa Prêmio Desligamento.

A Cemig espera obter uma TIR de cerca de 15% com essas medidas. Mas, por enquanto, a empresa apenas gastou. O montante mais recente foi de R$ 358 milhões para os empregados novos que não entram no novo regime de remuneração extra no ano por meio de mérito e cumprimento de metas. Essas despesas impactaram o lucro líquido da companhia, que em 2007 foi 1% maior do que no ano anterior, e contabilizou R$ 1.735 bilhão. Excluindo esses efeitos considerados não recorrentes, o lucro cresceu 6%. Quanto ao desempenho com o seu negócio, que é gerar, transmitir e distribuir, a Cemig continua entregando resultados crescentes. As vendas com energia foram 46% maiores em 2007. Os guindances para 2008 serão informados a mercado no mês de maio, após a revisão tarifária feita pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) que será em abril.      

 
Apresentação Resultados Apimec-Sul
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

* Este artigo expressa a opinião do seu autor. O Acionista.com.br não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações dadas no artigo ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em conseqüência do uso destas informações.