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A boa diversificação geográfica, por meio da atuação em 90 países, e um mix variado de marcas próprias e licenciadas foram razões importantes para a fabricante de calçados não ter percebido a crise na proporção em que ela se mostrava há um ano atrás. Um par de calçado de cada três vendidos pelo Brasil no exterior foi produzido pela Grendene no primeiro semestre de 2009. Isso dá a ela a liderança internacional entre as empresas nacionais do setor, com 36,3% do marketshare.
A perspectiva para o segundo semestre de 2009 é que os problemas isolados continuem, conforme ressalta o diretor de relações com investidores, Francisco Schmitt, em entrevista concedida em reunião promovida pela Apimec-Sul. “Desde o início da crise, vimos alguns mercados em dificuldades, como o México, devido também à gripe suína e à dependência dos EUA, e os países do Leste Europeu, devido à situação econômica na Rússia. No entanto, eles são casos isolados comparando com o montante de países em que estamos”, argumenta Schmitt.
Os países do Nafta e a China continuam sendo importantes mercados consumidores para a Grendene. O Bloco é responsável por cerca de 20% da receita da companhia, e a China representa um mercado consumidor em potencial, conforme ressalta o diretor de relações com investidor: “Os chineses ainda não conseguem nos alcançar em termos de design e diversidade de produtos, pois a cada três meses estamos fazendo um lançamento”.
A confiança contra a concorrência com os importados chineses também não assunta neste momento. De acordo com Schmitt, boa parte dos calçados orientais são do tipo esportivo, que a Grendene não produz. A empresa produz em média 600 novos produtos ao ano. Boa parte da produção é feita nas 11 unidades localizadas no Nordeste. Estar posicionado nesta região traz algumas vantagens, na visão da companhia. “Quando fomos para lá nos anos 90, identificamos uma mão-de-obra abundante, um lugar próximo de locais para escoar as exportações, passamos a estar mais próximo de fornecedores, contamos com um clima mais propício à produção, e estamos no maior mercado consumidor em potencial do Brasil”. Nos últimos sete anos, a Grendene cresceu praticamente o dobro do que a indústria nacional de calçados, cerca de 6,5%.
A bolsa família, o aumento do salário mínimo e a estabilidade da inflação são os drivers que dão segurança à empresa de que o setor de consumo no Brasil melhora a cada trimestre. O quarto trimestre, sazonalmente, já é o melhor, pois vem marcado por datas festivas. O segundo trimestre é o mais fraco. Mesmo assim, os resultados da companhia foram crescentes. E foi exatamente a venda de produtos com ticket menor que proporcionou esses resultados, tanto no Brasil, como no exterior. A marca mais recente lançada, a Zaxy, no final do ano passado, foi responsável por boa parte desse desempenho, revela Schmitt.
A perspectiva para os próximos cinco anos é crescer a uma taxa média bruta entre 8% e 12%. O crescimento líquido deve ficar entre 12% e 15%. As despesas com propaganda e publicidade devem se manter o carro-chefe da companhia, representando de 8% a 10% da receita líquida no período.
Confira os resultados do segundo trimestre e do primeiro semestre da Grendene aqui.
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