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O Sistema
Usiminas iniciou em 2008 um processo de crescimento. Após anunciar a
compra da mineradora J.Menes, no mês de fevereiro, apresentou um
plano de investimentos. O planejamento é composto de duas etapas, e
foi o destaque da companhia durante apresentação de resultados para a
ApimecSul. Como os indicadores de rentabilidade - lucro líquido,
Ebitda, e receita líquida - tiveram incrementos pequenos em relação
ao primeiro trimestre do ano passado, o grupo destacou os principais
projetos para elevar a capacidade de produção de placas, agregar
valor aos produtos, através da melhoria no mix, e para
diminuir custos. Essa redução será a partir do aumento da geração de
energia própria, que atualmente, é de 15% (o restante está contratado
com a Cemig até 2014), de novas termelétricas, de projetos ambientais
e de atualização tecnológica. Até 2012, serão aplicados US$ 5,2
bilhões na Usina de Ipatinga (MG), e US$ 2 bilhões na unidade de
Cubatão(SP). Essas obras elevarão a capacidade de produção das
unidades, respectivamente, em 3,2 milhões e 325 mil toneladas ao ano.
A produção do grupo tem sido de cerca de 8 milhões ton/ano, cerca de
27,5% da produção nacional de aço bruto.
Entre 2013 e
2015, a
Usiminas programa US$ 2,7 bilhões para investir em uma nova usina. No
entanto, ela ainda não tem local definido. Provavelmente, será
próxima ou em Cubatão/SP, mas também pode ser uma aquisição ou a
construção de uma nova planta em outro país. O objetivo da ampliação
de capacidade é se preparar para o crescimento de demanda por aço que
o Brasil deve continuar apresentando. Em 2008, a expansão deve ser de
9%, frente os 18% do ano passado. No 1tr08, as vendas da Usiminas
foram de 1.886 milhão/ton. Mais de 80% ficaram no mercado interno, e
o restante foi exportado. Apesar do foco e da liderança no mercado
interno, a Usiminas perdeu dois pontos percentuais no market share
brasileiro, e ficou com 48%. A justificativa dos profissionais de
relações com investidores presentes da ApimecSul, Gilson Bentes e
Matheus Rosa, é o processo de consolidação que vem ocorrendo no
setor. De acordo com os executivos, a Usiminas mudou o setor quando
comprou a Cosipa. Mas a indústria foi novamente impactada com a
consolidação da Arcelor-Mittal e com a presença do grupo no Brasil.
É diante desse
cenário que a companhia se prepara para manter a liderança isolada em
alguns segmentos, como na indústria naval (100%), de tubos de grande
diâmetro (86%), no setor de petróleo, e a forte presença no setor
automobilístico (53%) e de auto-peças (58%). O aumento de capacidade
também é necessário diante dos atuais níveis de preços e custos. Os
preços praticados no mercado interno, que antes tinham um prêmio de
10% a 20%, já estão se equiparando aos internacionais, apesar do
aumento de 10% em abril, e outro de 12% que a indústria de aços
planos praticará em junho. O plano é se tornar auto-suficiente na
produção de minério de ferro, matéria-prima que representa entre 10%
e 13% do custo do produto vendido na Usiminas.
A mineradora
J.Mendes entra nos planos de crescimento neste momento. A capacidade
total que a última mina comprada, de um negócio que incluiu mais
quatro minas, todas no Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais, ainda
não é conhecida – por isso, o restante do pagamento pela compra ainda
será definido, e será no máximo US$ 1,9 bilhão. As reservas esperadas
são de 25 anos, com um montante que deve contribuir para a capacidade
total de mais de 29 milhões de toneladas de minério de ferro até
2013. A
produção atual da J. Mendes é de 5 milhões ton/ano. Já que a empresa
precisa de 1,5 tonelada de mineiro de ferro para produzir 1 tonelada
de aço, existiria um excedente que seria exportado. Manter as vendas
para o exterior faz parte da estratégia da companhia, que considera
ser uma forma de proteção em eventuais momentos de crise do Brasil,
que até então, eram freqüentes.
A compra de
outros ativos, como de carvão, não faz parte dos planos do grupo,
pelo menos, por enquanto. O carvão é uma importante matéria-prima da
produção, e participa de 18% do custo do produto final. Ele é
utilizado diretamente nos fornos, como combustível, e também na
produção do coque, outra forma de energia. Segundo a Usiminas, o
preço do carvão deve aumentar de 180% a 200% até o final do ano, ou
seja, os US$ 100 pagos por tonelada no início do ano devem se
transformar em US$300/ton. Para produzir 1 tonelada de aço são
necessários
600 kg de carvão.
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