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Rentabilidade do açúcar continua a orientar a estratégia da Açúcar
Guarani para 2010
O mercado das produtoras de açúcar e álcool no Brasil, como a Açúcar
Guarani, foi marcado por uma valorização dos preços do açúcar na safra
2008/09 como há alguns anos não acontecia. Esse patamar deve continuar
caracterizando o setor nos próximos anos, influenciado também por fatores
climáticos, especialmente na Índia. Por isso, a Açúcar Guarani destinou boa
parte das suas unidades produtivas a fabricação do açúcar. Conforme o
gerente de relações com investidores da empresa, Alexandre Luis Menezio, que
esteve em reunião na Apimec-Sul, o foco da companhia é optar pela produção
que mais retorno der no curto prazo, entre o açúcar e o etanol para uso
industrial e a produção de energia.
No primeiro semestre do ano fiscal 09/10, contabilizado entre abril e
setembro deste ano, 64,6% da sua receita líquida veio das vendas do açúcar,
a maioria a produtores industriais do mercado de alimentos. Em relação ao
mesmo período do ano passado, a companhia elevou em 24% esse faturamento,
devido ao aumento de 4% do volume vendido e 45% da cotação da commodity.
Para os próximos anos, a perspectiva seguida pela Guarani, segundo Menezio,
é de que a produção de açúcar no Brasil aumente 10%, e da cana, 5%.
A maior parte da capacidade das cinco plantas em funcionamento, que tem a
característica de se adaptarem ao açúcar, etanol e energia, tem resultado em
açúcar. Da capacidade total de moagem de 14,5 milhões de toneladas, 10
milhões foram para o processamento da cana-de-açúcar. Além das vantagens
atuais do açúcar, o preço pago pelo etanol não tem incentivado a companhia a
investir nele. A empresa está com um projeto greenfield ainda sem produção,
que pretende explorar 100% de etanol. Outra planta, a Tanabi, pode ter
elevado o percentual da produção de açúcar para além dos 50% atuais.
Neste ano, o faturamento líquido em etanol caiu 10%, influenciado pela menor
venda e preço. Para os próximos anos, no entanto, as perspectivas são
positivas. A frota crescente de carros flexíveis entre diesel e gasolina no
Brasil é uma das justificativas, já que 80% dos automóveis novos atualmente
são flex. Além disso, a empresa considera os investimentos crescentes de
outros países na produção de etanol de cana-de-açúcar. Nos EUA, por eles
terem um potencial limitado de utilização do milho, e no Japão ter anunciado
recentemente o uso do etanol em 25% entre as energias renováveis até 2020.
Para o ano que vem, no entanto, o Brasil ainda deve produzir menos 5% de
etanol.
As atividades em energia ainda são pequenas na Açúcar Guarani, mas devem
ganhar força a partir do acordo feito com a Tractebel recentemente. Durante
15 anos, a empresa vai fornecer o bagaço da cana para a produção nas plantas
da companhia energética, e ficará com 30% do faturamento. Depois disso, 100%
da propriedade passa a ser da Guarani. Atualmente, a produção de energia
representa apenas 1,5% da receita líquida empresa. Outros 26,6% vem das
vendas do etanol, e 7,3% de outros diversos produtos.
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