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15 de dezembro de 2009


Rentabilidade do açúcar continua a orientar a estratégia da Açúcar Guarani para 2010

O mercado das produtoras de açúcar e álcool no Brasil, como a Açúcar Guarani, foi marcado por uma valorização dos preços do açúcar na safra 2008/09 como há alguns anos não acontecia. Esse patamar deve continuar caracterizando o setor nos próximos anos, influenciado também por fatores climáticos, especialmente na Índia. Por isso, a Açúcar Guarani destinou boa parte das suas unidades produtivas a fabricação do açúcar. Conforme o gerente de relações com investidores da empresa, Alexandre Luis Menezio, que esteve em reunião na Apimec-Sul, o foco da companhia é optar pela produção que mais retorno der no curto prazo, entre o açúcar e o etanol para uso industrial e a produção de energia.

No primeiro semestre do ano fiscal 09/10, contabilizado entre abril e setembro deste ano, 64,6% da sua receita líquida veio das vendas do açúcar, a maioria a produtores industriais do mercado de alimentos. Em relação ao mesmo período do ano passado, a companhia elevou em 24% esse faturamento, devido ao aumento de 4% do volume vendido e 45% da cotação da commodity. Para os próximos anos, a perspectiva seguida pela Guarani, segundo Menezio, é de que a produção de açúcar no Brasil aumente 10%, e da cana, 5%.

A maior parte da capacidade das cinco plantas em funcionamento, que tem a característica de se adaptarem ao açúcar, etanol e energia, tem resultado em açúcar. Da capacidade total de moagem de 14,5 milhões de toneladas, 10 milhões foram para o processamento da cana-de-açúcar. Além das vantagens atuais do açúcar, o preço pago pelo etanol não tem incentivado a companhia a investir nele. A empresa está com um projeto greenfield ainda sem produção, que pretende explorar 100% de etanol. Outra planta, a Tanabi, pode ter elevado o percentual da produção de açúcar para além dos 50% atuais.

Neste ano, o faturamento líquido em etanol caiu 10%, influenciado pela menor venda e preço. Para os próximos anos, no entanto, as perspectivas são positivas. A frota crescente de carros flexíveis entre diesel e gasolina no Brasil é uma das justificativas, já que 80% dos automóveis novos atualmente são flex. Além disso, a empresa considera os investimentos crescentes de outros países na produção de etanol de cana-de-açúcar. Nos EUA, por eles terem um potencial limitado de utilização do milho, e no Japão ter anunciado recentemente o uso do etanol em 25% entre as energias renováveis até 2020. Para o ano que vem, no entanto, o Brasil ainda deve produzir menos 5% de etanol.

As atividades em energia ainda são pequenas na Açúcar Guarani, mas devem ganhar força a partir do acordo feito com a Tractebel recentemente. Durante 15 anos, a empresa vai fornecer o bagaço da cana para a produção nas plantas da companhia energética, e ficará com 30% do faturamento. Depois disso, 100% da propriedade passa a ser da Guarani. Atualmente, a produção de energia representa apenas 1,5% da receita líquida empresa. Outros 26,6% vem das vendas do etanol, e 7,3% de outros diversos produtos.
 

 


Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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