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Os problemas causados pela
cadeia de suprimentos parecem estar devidamente solucionados na
Embraer. “Hoje, a companhia tem o controle total da produção, e já se
prepara para expandi-la”, afirmou o gerente de relações com
investidor, Carlos Camargo, durante apresentação dos resultados na
ApimecSul. O que indica a retomada do desempenho é o recorde de
entregas atingido no primeiro semestre, com 97 aeronaves. Com isso, a
meta para o ano se mantém entre 195 e 200, com a possibilidade de
mais 10 a 15 entregas de jatos da família Phenom 100 e 300. O número
de entregas é um indicador importante da rentabilidade da companhia,
porque a receita líquida acompanha esse dado, assim como as margens
conquistadas.
No segundo trimestre, o
faturamento líquido atingiu R$ 2.695 bilhões, e a margem ficou em
14,8%, acima dos 13,4% do primeiro trimestre deste ano, e em linha
com o mesmo trimestre do ano passado. A geração de caixa, medida pelo
Ebitda, atingiu R$ 199 milhões. O lucro líquido foi de R$ 176
milhões, bem acima dos R$ 80 milhões de um ano atrás, quando a
empresa enfrentava os efeitos do atraso na cadeia de suprimentos. No
mercado financeiro brasileiro, onde a Embraer tem ações listadas no
Novo Mercado, a recuperação ainda não foi plena. A companhia perdeu
valor de mercado, na visão da empresa, em função dos problemas no
setor aéreo, e fechou o semestre com US$ 5,1 bilhão.
Para continuar com os
resultados crescentes, a Embraer aposta em cinco projetos. Três deles
fazem parte da expansão do segmento de aviação executiva, no qual a
empresa começou a atuar no ano de 2000. A família Phenom 100 já entra
em operação agora em 2008, e os Phenom 300, até o final de 2009. Os
modelos Legacy 450 e 500 já foram aprovados pelo conselho da
companhia, e têm entregas previstas para 2012 e 2013. A companhia
investe no desenvolvimento de novos modelos executivos e no
desenvolvimento de centros, como o recém inaugurado na Flórida (EUA).
Essas aeronaves têm um valor agregado maior. Por enquanto representam
cerca de 14% da receita líquida da companhia, mas de três a cinco
anos, pode chegar a 25% do faturamento. Para isso, os investimentos
devem aumentar até o ano que vem. Este ano serão US$ 123 milhões, dos
R$ 243 milhões aplicados em Pesquisa e Desenvolvimento. E no ano que
vem, serão US$ 227 milhões investidos no segmento, de um montante de
US$ 352 milhões.
A aviação comercial continua
sendo o principal ramo de atuação da companhia, pois representa 70%
da receita. Foi através desse segmento que a Embraer consegui
preencher um espaço que havia no mercado, desenvolvendo jatos com
mais de 50 e menos de 120 assentos. Através dessa atuação, a empresa
conseguiu diversificar a clientela. Uma das apostas é com os negócios
fechados com a TRIP e com a Azul, nova empresa brasileira. A família
ERJ 145 é outro projeto, que obteve certificação final na Rússia.
Através da entrada nesse mercado, a empresa espera estar presente no
mercado de aeronaves usadas, através da prestação de serviços, um dos
quatro segmentos em que a empresa atua. De acordo com Camargo, devido
à crise nos Estados Unidos, cerca de 10% dos aviões atualmente
ativos, devem ficar fora de operação. Eles poderão ser revendidos
para outros países, como México, Rússia e inclusive América Latina.
É com o governo de muitos
países vizinhos do Brasil que a Embraer tem contratos no segmento de
Defesa e Governo. Camargo explica que esses negócios continuaram
estratégicos para a companhia, pois todos os custos de
desenvolvimento são bancados pelos clientes. Além disso, após a
entrega dos produtos, há a adequação de tecnologia para o portifólio
da Embraer. O último dos cinco projetos é dessa área, que é o C-390.
É um cargueiro, que ainda está em estudo, e que não há concorrência
para a Embraer. Para dar continuidade ao desenvolvimento, a empresa
tenta fechar parceria com o Governo Federal, pois facilitaria a venda
da aeronave para outros clientes posteriormente.
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