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A Aracruz Celulose, empresa 98% exportadora de
celulose de fibra curta, encerra 2007 com resultados inferiores ao ano
anterior. A redução de indicadores que medem a rentabilidade operacional da
companhia, como o lucro e margem operacional, foram impactados negativamente
pela apreciação cambial de 17,3% no ano, e pela conseqüente elevação dos
custos de produção e logística. O lucro líquido reduziu 9% em relação a
2006, e totalizou R$ 1.045 bilhão, da mesma forma que o lucro por ação, que
fechou o período a R$ 1,01 real. O Ebitda, ou os ganhos antes de impostos e
taxas, foi menor 5% no consolidado de 2007 e totalizou R$ 1.669 bilhão.
O cenário negativo de valorização do real em relação ao dólar veio
acompanhado de um cenário positivo, mas que não conseguiu reverter os
efeitos daquele cenário. Em 2007 a Aracruz bateu o recorde nos volumes
vendidos e vendeu mais de três milhões de toneladas , superior 3% ao ano
anterior. Além disso, houve um aumento da demanda mundial, impulsionado pela
demanda asiática, de uma pressão nos estoques mundiais e de um aumento no
preço da celulose, cenários que devem permanecer em 2008, e que beneficiam
principalmente as produtoras brasileiras, que têm os menores custos e as
terras mais produtivas do mundo.
Durante reunião de Apimec em São Paulo, que foi transmitida por
teleconferência, a Aracruz se apresentou otimista em relação ao seu
desempenho atual e futuro. Os efeitos do cenário resultante de um dólar
desvalorizado serão revertidos pelo crescimento da empresa, através do
aumento de escala da produção e da produtividade e das estratégias de
proteção da moeda (hedge). Para crescer, a Aracruz apresentou um plano de
elevação da produção anual de celulose das 3,300 milhões de toneladas atuais
para 4,600 milhões de toneladas em 2010, com a ampliação da unidade de
Guaíba, para 5,300 milhões de toneladas produzidas em 2012, com o aumento da
fábrica da Veracel (que detém 50% através de join venture com a Stora Enzo).
O objetivo é produzir 7 milhões de toneladas de celulose ao ano até 2015.
Esse patamar tem potencial de suprir ¼ da demanda mundial atual da
commodity, mas só será possível se a Aracruz construir uma nova unidade. A
empresa garante que estuda a compra de terras, assim como outras
possibilidades que garantirão a expansão pretendida.
O desempenho de 2007 resultou na queda de 2% na cotação da ação PNB da Cia
na Bovespa no período de doze meses. O Diretor Financeiro, Isac Zagury ,
garante que a empresa é um investimento rentável no longo prazo. O que
justifica é o plano de crescimento apresentado, que deve ampliar as relações
comerciais nos países asiáticos – a demanda por celulose na China cresceu
17% em 2007 -, a clientela de longo prazo conquistada pela Aracruz, que está
75% na Europa e na América do Norte, e a manutenção de uma margem
operacional entre 40% e 50% nos últimos anos. Esse indicador é baseado no
Ebitda, que mede a capacidade de caixa da companhia, e no qual estão
baseados os cálculos para pagamento de juros sobre capital que a Aracruz
paga trimestralmente.
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