Projeto de Lei abre precedente legal para a liberação do amianto em São Paulo e significa a abertura de novos mercados para a Eternit
A votação em dez dias do Projeto de Lei de n° 917/2009 no legislativo de São Paulo é considerada uma oportunidade e uma disputa ganha pelo presidente da Eternit, Élio A. Martins. Durante reunião com associados e investidores na Apimec-Sul, o executivo se declarou otimista com a aprovação do PL, que, enquanto colocará a proibição ou suspensão da proibição da utilização do amianto crisotila em discussão no Estado, permitirá que ele seja utilizado no período de 10 anos. Após o período, o projeto prevê que o amianto seja definitivamente proibido ou liberado. Martins lembrou que a aprovação do PL em São Paulo poderá ser estendida a outros estados, através do Supremo Tribunal Federal. O amianto é proibido em Pernambuco, no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro e atualmente em São Paulo, após algumas disputas por meio de liminares.
As oportunidades de novos mercados consumidores, no entanto, não estão incluídas nas projeções de crescimento da Eternit. A companhia reassumiu a meta de atingir R$ 1 bilhão de faturamento até 2011 através de aumento de capacidade, investimento em novos equipamentos e aquisições de pequenas e médias empresas regionais, com uma gama considerável de produtos e de escala. Esse crescimento não significará o endividamento da companhia, que atualmente não o tem. Uma das medidas de capitalização é um processo de subscrição de ações em andamento, que deve injetar no grupo R$ 107 milhões.
A Eternit detém um terço do mercado brasileiro de produtos e soluções para cobertura, por meio de cinco fábricas e uma capacidade instalada de 730 mil toneladas ao ano. No terceiro trimestre, a companhia operou a uma capacidade de 90%, o que também ajudou nos resultados. Os números foram positivos, porém comparativamente estáveis ao mesmo período de 2008. No mercado de amianto crisotila, através da sua mineradora SAMA, a empresa tem um maketshare mundial de 13%. Nesse mercado, a demanda é de 2,4 milhões de toneladas/ano; e no Brasil, é de 150 mil ton/ano. Os maiores consumidores são a China, que produz 20% e importa da Rússia, que produz praticamente a metade do amianto do mundo.
As vendas da SAMA para o mercado interno no terceiro trimestre subiram 15,6% em doze meses, e em 2009, 7,6%. As exportações foram 26,6% menores no trimestre, e quase 20% inferiores no ano. Os efeitos da crise ainda não arrefeceram, no entanto, a empresa vê sinais de recuperação, principalmente a partir da China. No ano, as vendas totais da SAMA estão 8,6% menores que nos primeiros nove meses de 2008, o que em toneladas representaram 213,3 milhões. Historicamente, os volumes vendidos de amianto pela Eternit vêm crescendo 5% ao ano, através do foco no mercado interno, repassando apenas o excedente para outros países.
As vendas de produtos acabados da companhia estão praticamente estáveis em relação ao ano passado, com um percentual de queda de 0,7%. No entanto, foram 16,7% maiores no terceiro trimestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado. O volume comercializado foi de R$ 207,2 milhões. Esses produtos representaram 58,6% da receita líquida da companhia, que foi de R$ 425,6 milhões no terceiro trimestre, ou seja, 9% maior que no ano anterior. O amianto crisotila representou 31,7% desse faturamento, sendo que menos de 10% da receita provém de moldados, sistemas construtivos, telhas metálicas, caixas d’àgua e louças sanitárias.
Confira os resultados completos do 3tr09 da Eternit
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