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M.Dias Branco obtém resultado líquido positivo no 1Tr08 mesmo com impacto do trigo
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13 de maio de 2008
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O desempenho do primeiro trimestre de 2008 da M. Dias Branco reflete dois cenário opostos que marcaram as operações da líder do mercado brasileiro de massas e biscoitos em 2007. O aumento do preço no trigo penalizou as margens e as ações da companhia ao longo do ano passado. Mas os esforços para reduzir despesas asseguraram um resultado líquido positivo nos primeiros meses deste ano. A aquisição da Vitarella (primeira compra após abertura de capital e entrada no Novo Mercado) consolidou a presença da companhia no Nordeste (através de Recife), e elevou seu market share nacional. No primeiro bimestre deste ano, a M. Dias aumentou 5,5 pontos percentuais (p.p.) sua participação no mercado de biscoitos, ultrapassando os 19% de mercado. No segmento de massas, esse aumento foi de 2,9 p.p., para 21,3% de market share. Isso contribuiu para que o volume de vendas de biscoitos subisse 2%, chegando a 72,7 mil toneladas no período. O incremento de massas comercializadas foi de 11%, totalizando 60,8 mil toneladas.

A Vitarella é um exemplo de como serão as próximas aquisições que a companhia define como estratégicas para crescer, juntamente com a expansão orgânica, na qual se concentraram os investimentos nos últimos anos. Entre 2003 e 2006, ano da abertura de capital, o Capex da companhia foi de R$ 500 milhões. O montante foi utilizado em obras civis de uma forma que já previssem a expansão das linhas de produção. Para isso, a empresa passou a operar com tecnologias consideradas de ponta, de acordo com o vice-presidente de investimentos e controladoria Geraldo Luciano Mattos Júnior durante ApimecSul. A partir da unidade de Recife, a mais recente aquisição, todas as 11 fábricas que a empresa possui no Brasil terão instalações modernas. Os dois moinhos da Vitarella reduzem os custos da produção na região, à medida que têm uma reserva de capacidade de produção de 30%. Para essa modernização, o enxugamento na estrutura da companhia, com revisão do número de funcionários e a implementação de um novo sistema operacional.

Dessa forma, a M.Dias Branco contabilizou um lucro líquido de R$ 22,4 milhões no 1T08, superior 34,1% a doze meses. A receita líquida cresceu 14%, e totalizou R$ 419 milhões. Isso também foi possível através dos incentivos fiscais que a empresa recebe por ter fábricas no Nordeste. Esses recursos, calculados com base no ICMS pago, aumentaram à medida que os preços das principais matérias-primas subiram. No final de 2006, a empresa pagava US$ 160 por tonelada de trigo. Em dezembro de 2007, o preço era de US$ 450/ton. O óleo de soja foi outro componente que impactou nos custos da companhia, mas como na aquisição da farinha de trigo, a M. Dias conseguiu ganhar através dos preços mais baixos devido ao volume de compra e também à possibilidade de armazenagem das matérias-primas de cerca de seis meses.

Para os próximos trimestres, essa estratégia de estocagem será revista, pois de acordo com seu vice-presidente, o preço do trigo deve arrefecer. Safras de grandes produtores, como Estados Unidos, Canadá e Austrália devem ser promissoras. Delas deve vir também a saída para o problema de redução das exportações da Argentina, de quem a M. Dias compra 90% do trigo utilizado. O percentual que tem sido comprado desses outros produtores deve ser superior aos 30% atuais caso os problemas de oferta na Argentina não se resolvam. No entanto, a aquisição de trigo de locais mais distantes representa um gasto maior de US$ 10 a US$ 15 por tonelada importada.

O repasse dos custos aos preços dos produtos é outra media que se apresenta como alternativa constante à M.Dias. No entanto, há diferentes formas de fazer esses repasses. Mattos explica que à farinha de trigo os custos são contabilizados imediatamente, porque 80% da sua composição é o trigo. No primeiro trimestre, a receita bruta com a venda de farinha e farelo de trigo aumentou 30,3% e totalizou R$ 148 milhões. Para massas e biscoitos esse repasse é relativo, pois depende também de outras matérias-primas, como o açúcar. Nesse trimestre o preço não foi elevado, devido à queda da cotação de alguns dos outros componentes. No entanto, a receita com biscoitos cresceu apenas 2,2%, mas ainda representa a maior parcela do faturamento da M. Dias. Ela foi de R$ 233,4 milhões no 1tr08. O ganho com as massas aumentou em 27,3%, devido ao início das vendas de marcas mais fortes e de produtos com maior valor agregado, como as massas instantâneas.

Para os próximos anos, a M.Dias espera continuar se beneficiando do incremento nas vendas dos produtos de maior valor agregado. Para isso, também destinou parte dos investimentos, como os recursos usados aplicados em tecnologias de produção de produtos light e diet. Em 2008, o Capex programado é de R$ 30 milhões, e será utilizado em operações padrões da companhia. Desse valor não sairia o montante para uma possível aquisição. O segmento de biscoitos tem um potencial grande para a consolidação. A M.Dias ocupa a liderança e tem um mercado duas vezes maior que o segundo colocado. Quase 60% do setor é dominado por pequenos negócios. O mercado de massas também é pulverizado, com 47% dele sem liderança. Das 236 mil toneladas vendidas no 1T08, os biscoitos e as massas foram responsáveis por um pouco menos de um quarto desse volume, e a farinha de trigo, por 53,5%. A clientela focada pela M.Dias continua sendo o pequeno varejo, com o objetivo de se manter independente de um tipo de clientes, principalmente, grandes redes de varejo.

Resultados 1T08


Apresentação Resultados Apimec-Sul
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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