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O desempenho do primeiro
trimestre de 2008 da M. Dias Branco reflete dois cenário opostos que
marcaram as operações da líder do mercado brasileiro de massas e
biscoitos em 2007. O aumento do preço no trigo penalizou as margens e
as ações da companhia ao longo do ano passado. Mas os esforços para
reduzir despesas asseguraram um resultado líquido positivo nos
primeiros meses deste ano. A aquisição da Vitarella (primeira compra
após abertura de capital e entrada no Novo Mercado) consolidou a
presença da companhia no Nordeste (através de Recife), e elevou seu
market share
nacional. No primeiro bimestre deste ano, a M. Dias aumentou 5,5
pontos percentuais (p.p.) sua participação no mercado de biscoitos,
ultrapassando os 19% de mercado. No segmento de massas, esse aumento
foi de 2,9 p.p., para 21,3% de
market share.
Isso contribuiu para que o volume de vendas de biscoitos subisse 2%,
chegando a 72,7 mil toneladas no período. O incremento de massas
comercializadas foi de 11%, totalizando 60,8 mil toneladas.
A Vitarella é um exemplo de
como serão as próximas aquisições que a companhia define como
estratégicas para crescer, juntamente com a expansão orgânica, na
qual se concentraram os investimentos nos últimos anos. Entre 2003 e
2006, ano da abertura de capital, o
Capex
da companhia foi de R$ 500 milhões. O montante foi utilizado em obras
civis de uma forma que já previssem a expansão das linhas de
produção. Para isso, a empresa passou a operar com tecnologias
consideradas de ponta, de acordo com o vice-presidente de
investimentos e controladoria Geraldo Luciano Mattos Júnior durante
ApimecSul. A partir da unidade de Recife, a mais recente aquisição,
todas as 11 fábricas que a empresa possui no Brasil terão instalações
modernas. Os dois moinhos da Vitarella reduzem os custos da produção
na região, à medida que têm uma reserva de capacidade de produção de
30%. Para essa modernização, o enxugamento na estrutura da companhia,
com revisão do número de funcionários e a implementação de um novo
sistema operacional.
Dessa forma, a M.Dias Branco
contabilizou um lucro líquido de R$ 22,4 milhões no 1T08, superior
34,1% a doze meses. A receita líquida cresceu 14%, e totalizou R$ 419
milhões. Isso também foi possível através dos incentivos fiscais que
a empresa recebe por ter fábricas no Nordeste. Esses recursos,
calculados com base no ICMS pago, aumentaram à medida que os preços
das principais matérias-primas subiram. No final de 2006, a empresa
pagava US$ 160 por tonelada de trigo. Em dezembro de 2007, o preço
era de US$ 450/ton. O óleo de soja foi outro componente que impactou
nos custos da companhia, mas como na aquisição da farinha de trigo, a
M. Dias conseguiu ganhar através dos preços mais baixos devido ao
volume de compra e também à possibilidade de armazenagem das
matérias-primas de cerca de seis meses.
Para os próximos trimestres,
essa estratégia de estocagem será revista, pois de acordo com seu
vice-presidente, o preço do trigo deve arrefecer. Safras de grandes
produtores, como Estados Unidos, Canadá e Austrália devem ser
promissoras. Delas deve vir também a saída para o problema de redução
das exportações da Argentina, de quem a M. Dias compra 90% do trigo
utilizado. O percentual que tem sido comprado desses outros
produtores deve ser superior aos 30% atuais caso os problemas de
oferta na Argentina não se resolvam. No entanto, a aquisição de trigo
de locais mais distantes representa um gasto maior de US$ 10 a US$ 15
por tonelada importada.
O repasse dos custos aos
preços dos produtos é outra media que se apresenta como alternativa
constante à M.Dias. No entanto, há diferentes formas de fazer esses
repasses. Mattos explica que à farinha de trigo os custos são
contabilizados imediatamente, porque 80% da sua composição é o trigo.
No primeiro trimestre, a receita bruta com a venda de farinha e
farelo de trigo aumentou 30,3% e totalizou R$ 148 milhões. Para
massas e biscoitos esse repasse é relativo, pois depende também de
outras matérias-primas, como o açúcar. Nesse trimestre o preço não
foi elevado, devido à queda da cotação de alguns dos outros
componentes. No entanto, a receita com biscoitos cresceu apenas 2,2%,
mas ainda representa a maior parcela do faturamento da M. Dias. Ela
foi de R$ 233,4 milhões no 1tr08. O ganho com as massas aumentou em
27,3%, devido ao início das vendas de marcas mais fortes e de
produtos com maior valor agregado, como as massas instantâneas.
Para os próximos anos, a
M.Dias espera continuar se beneficiando do incremento nas vendas dos
produtos de maior valor agregado. Para isso, também destinou parte
dos investimentos, como os recursos usados aplicados em tecnologias
de produção de produtos
light
e diet.
Em 2008, o Capex
programado é de R$ 30 milhões, e será utilizado em operações padrões
da companhia. Desse valor não sairia o montante para uma possível
aquisição. O segmento de biscoitos tem um potencial grande para a
consolidação. A M.Dias ocupa a liderança e tem um mercado duas vezes
maior que o segundo colocado. Quase 60% do setor é dominado por
pequenos negócios. O mercado de massas também é pulverizado, com 47%
dele sem liderança. Das 236 mil toneladas vendidas no 1T08, os
biscoitos e as massas foram responsáveis por um pouco menos de um
quarto desse volume, e a farinha de trigo, por 53,5%. A clientela
focada pela M.Dias continua sendo o pequeno varejo, com o objetivo de
se manter independente de um tipo de clientes, principalmente,
grandes redes de varejo. |