índice/2005
Especial ALL
Redução de custos e mudanças operacionais salvam a ALL
09 de agosto de 2005
A América Latina Logística (ALL) reduziu custos a fim de enfrentar à quebra da soja na Região Sul e a valorização cambial na Argentina e no Brasil. A realização de contratos do tipo take or pay, a elevação dos preços cobrados pelos fretes (o Brasil está entre os países que tem um dos mais altos preços), a ampliação do market share e o corte de custos contribuíram, segundo o presidente do conselho de administração da companhia, Alexandre Behring, para um “resultado operacional melhor em um ambiente desfavorável dos grãos”. A ALL demitiu 300 funcionários em razão da conjuntura econômica. O corte de pessoal resultou em 10% da queda total nas despesas de 33,4% no segundo trimestre deste ano.

Anunciada desde o início do ano, a redução do volume colhido pela maioria dos clientes da empresa de transporte e logística, os agricultores dos três estados do Sul do País, contabilizaram cerca de 6 milhões de toneladas de grãos. As influências das perdas no setor do agronegócio refletiram no lucro líquido da empresa. No primeiro semestre, o resultado foi 4% inferior ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 50 milhões.

A companhia redirecionou o escoamento dos produtos para portos do centro e norte brasileiros. A presença nos portos do País passou de 43% para 67%. As exportações realizadas através do Porto de Rio Grande, no litoral sul do Rio Grande do Sul, caíram 80% neste semestre. A ALL aposta no aumentou de mais 10 milhões de grãos produzidos, no mesmo período no ano que vem. Os contratos take or pay serão avaliados e, provavelmente, vão ser renovados no próximo ano. De acordo com o presidente, Bernardo Hees, os contratos com o Sul não representam perdas para a empresa, mesmo com o fraco resultado do agronegócio na região, muitos produtores, como aconteceu durante o semestre que passou, vão compensar os fracos negócios do sul com os clientes que têm no norte.

De uma maneira geral, as ações operacionais da ALL deram resultados. A empresa aumentou o Ebita (lucro antes dos juros, imposto de renda, depreciação, amortização e aluguel de vagões) em 32% no segundo trimestre em relação a 2004 e ampliou o yield em 15%. No semestre, o Ebita cresceu mais de 20%, a margem 7,6 pontos percentuais e o yield, 17,3%. A geração de caixa da ALL Argentina aumentou quase 75% , atingindo 13,2 milhões de pesos no segundo trimestre, e 43% no primeiro semestre, chegando à cerca de 23 milhões de pesos.

Os volumes em relação à indústria siderúrgica e cargas conteinerizadas cresceram, devido às mudanças no mix de fretes e repasses dos preços. Os resultados quanto aos serviços rodoviários não foram bons, segundo Hees, mesmo que os volumes também tenham aumentado quase 8% no segundo trimestre e, 3,4% no semestre em relação ao ano passado. O volume total transportado pela empresa aumentou 5% e passou de 3.286 para 3.437 mil toneladas. Quanto aos negócios ferroviários, a ALL está aguardando decisões como da Brasil Ferrovia (contratos em negociação) e referentes à concessão na Argentina.

A ALL foi eleita a maior empresa do Sul do País. Um estudo encomendado pela revista Expressão, realizado pela Fundação Getúlio Vargas, indicou a companhia como destaque na categoria Logística. A América Latina Logística, com sede no Brasil e na Argentina, é a primeira companhia do setor a abrir capital. A empresa ingressou no Nível 2 da Governança Corporativa na Bolsa de Valores de São Paulo.
 

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Equipe Técnica Acionista.com.br

Editado pela jornalista Ana Borges
09/08/05
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