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Eletrobrás ingressará no Mercado de Governança Corporativa

A Eletrobrás será a mais nova empresa a fazer parte do Mercado de Governança Corporativa. A boa notícia foi trazida pelo gerente do departamento de Relações com Investidores, Arlindo Soares Castanheira, que veio a Porto Alegre apresentar os resultados da companhia referentes ao segundo trimestre e aproveitou a oportunidade para fazer o comunicado. Na reunião de ontem à noite promovida pela Apimec-Sul, Castanheira sinalizou a obtenção da última assinatura que faltava para a concretização dos planos de inserção no Mercado de Governança Corporativa. Não estabeleceu prazo, mas afirmou que agora é só uma questão de tempo. Pouco tempo. Talvez nas próximas semanas já se possa ter mais uma companhia no grupo que, entre outros, mede o grau de lisura das empresas listadas no Ibovespa.

Dando um pontapé inicial ao modelo de maior transparência, o gerente de RI foi muito franco ao dizer que não há previsão de liquidação de uma reserva de R$ 6,9 bilhões em dividendos aos acionistas. “Comprem as ações da Eletrobrás porque é papel de uma empresa consolidada, mas não esperem receber dividendos de imediato, porque isso não vai acontecer”, afirmou.

Como era de se esperar, a pergunta sobre a possibilidade de um apagão até 2010 não deixou de ser feita, mas Castanheira tratou de acalmar os ânimos dos acionistas. Para ele, não há o menor risco de que ocorra novo grande blecaute nos próximos cinco anos. A preocupação poderia começar apenas em 2011 se não for feito nenhum investimento. Como, porém, o governo acena para a possibilidade de construção de novas hidroelétricas, o risco é mínimo.

Foi também ressaltado o aumento do valor de energia nova nos leilões que têm sido feitos desde 2004. Na época inicial o MegaWatt/hora era leiloado a R$ 57. Em junho de 2006, o preço médio do MW/h foi de R$ 125.

Em relação ao segundo trimestre de 2006, o destaque ficou com o lucro de R$ 462 milhões frente ao prejuízo de R$ 612 milhões do mesmo trimestre do ano anterior. O aporte com vendas e transmissão de energia elétrica subiu de R$ 5 bilhões para R$ 5,19 bilhões de um ano para outro. A quantidade de recursos destinada ao provisionamento caiu de R$ 343 milhões para R$ 264 milhões, mas não deve recuar ainda mais, pois existem quase três mil ações na Justiça contra a Eletrobrás. Portanto, o excedente é necessário em caso de perda destas demandas jurídicas.

Apesar da Eletrobrás destinar apenas 2,5% do total do passivo ao financiamento e empréstimos a outras empresas do setor de energia elétrica, a companhia tem R$ 36,2 bilhões a receber e apenas R$ 2,3 bilhões a pagar. Isso a coloca em uma posição confortável, com investimentos mais agressivos para este ano. Até o final de 2006 serão investidos R$ 5,2 bilhões, focando principalmente o mercado de geração (2 bilhões) e transmissão (R$ 2,2 bilhões).

 
06/09/06
Apresentação Resultados Apimec-Sul
Jornalista Flávia Regina Pollo
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