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O Banco do Brasil está dando passos
importantes na diversificação da carteira. O grande objetivo do banco
para este ano é o crescimento através do crédito para pessoa física. A
instituição, que entrou atrasada no processo de acordos entre bancos e
redes de varejo, pretende recuperar o tempo perdido através de
operações com lojas de médio porte e regionais. As parcerias serão
anunciadas em breve. Outro segmento tido como prioritário é o
financiamento a veículos.
A informação foi dada ao mercado financeiro durante a reunião com os
analistas da ApimecSul.
"As principais varejistas já fecharam parceria ou estão com modelo
solo de crediário. É normal essa busca do varejo em ser financeira ao
mesmo tempo, mas para o BB participar foi preciso quebrar paradigmas
dentro do banco", afirma o diretor de Relações com Investidores do BB,
Marco Geovanne. Para financiar o consumo, o BB está se adaptando ao
atendimento ao não-correntista, o que requer uma estrutura específica
de avaliação de risco.
O banco perdeu espaço para outras instituições financeiras na área do
financiamento ao consumo. A participação do BB neste mercado caiu de
15% para 11%. A pretensão é atrair R$ 2 bilhões de crédito ao consumo.
"Com isso vamos recuperar o espaço estratégico. O mercado para pessoa
física deve crescer 35% e estimamos para o BB 45%", diz Geovanne. Na
área de financiamento de veículos, o BB pretende atingir a casa de R$
1 bilhão.
O BB trabalha com a perspectiva de passar a atuar no ramo de crédito
imobiliário, outro segmento que tende a ter forte crescimento entre as
instituições financeiras. "Será a próxima onda quando chegarmos aos
juros na casa de um dígito", destaca. O segmento de cartão de crédito
também será um dos enfoques. A meta é passar de nove milhões para 15
milhões de usuários. O primeiro foco é a base de clientes do BB, hoje
de 22 milhões.
Sobre o crédito para o agronegócio, o banco ampliou as provisões
diante da quebra de safra no ano de 2005 na Região Sul. As dívidas dos
produtores com dificuldade de pagamento foram adiadas. Os problemas
estão sendo analisados caso a caso. No total, a carteira do BB soma
US$ 35,7 bilhões. No ano passado, a carteira de crédito rural cresceu
18,9%, grande parte devido à renegociação com os produtores atingidos
pela estiagem. Para a safra deste ano, as perspectivas são mais
positivas.
Um dos problemas de investir no banco é o desconto dado na ação,
quando comparada com os outros múltiplos brasileiros. Geovanne não
acredita que o motivo seja pela exposição ao agronegócio, que hoje
representa cerca de 35% da carteira de crédito, mas sim pela menor
liquidez do papel. “Os analistas aplicam cerca de 30% de desconto para
os preços alvo do BB. O motivo é a liquidez”, explica. A rentabilidade
do patrimônio líquido do banco é de 25%. Para melhorar o problema,
ampliando o free float, não está descartada uma nova oferta de ações
por parte do governo. “Há condições de estarmos entre as 15 ações mais
negociadas do Ibovespa”, estima. Também faz parte dos estudos, a
possibilidade de desdobramento das ações, o que estimularia o aumento
das pessoas físicas que investem no papel. Hoje, o mínimo para aplicar
em ações do BB é de R$ 5.500,00.
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