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A primeira e única empresa produtora de biodiesel no país a
abrir capital captou R$ 378,9 milhões no mercado financeiro
no final de 2006. O resultado da IPO (Oferta Pública de
Ações) deu o título de maior empresa mundial do segmento em
valor de mercado à Brasil Ecodiesel. A venda de ações veio
acompanhada do ingresso no nível de Governança Corporativa
de maior exigência às companhias, especialmente, em relação
à transparência de informações - o Novo Mercado.
Em teleconferência com a imprensa, o diretor Ricardo Vianna
apresentou os resultados de 2006, o primeiro ano de
exercício, após formação em 2005. O faturamento líquido de
R$ 52,9 milhões teve participação da receita de 496 mil
metros cúbicos comercializados no ano. Além disso, a empresa
também garantiu a entrega de 466 mil metros cúbicos,
ofertados em leilão promovido pela Associação Nacional de
Petróleo (ANP). A produção da companhia foi de 34,5 metros
cúbicos do combustível - derivado da mamona, girassol e do
pinhão manso, complementados com 95% de óleo de soja.
As matérias-primas para a fabricação do combustível limpo,
cuja venda é destinada para fazer parte de 2% da mistura do
diesel (percentual exigido pela lei brasileira), provém de
3.500 hectares de terras próprias e da parceria com mais de
30 mil famílias agricultoras. A empresa objetiva aumentar o
número de agricultores para 100 mil em 2007. Os produtores
recebem equipamentos e insumos para plantar oleaginosas em
parcelas não utilizadas ou desgastadas do solo da qual são
proprietários e o qual já cultivam. De acordo com Vianna, a
intenção da Ecodiesel é diversificar os grãos utilizados e
elevar as parcerias com os agricultores.
A forma de produção visa à redução do percentual do óleo de
soja utilizado no combustível final. Dessa forma, o custo da
companhia estaria se pulverizando, pois deixaria de depender
de um insumo tão utilizado como a soja, e que tem
apresentado preços elevados. O gasto para a empresa na
produção do litro está em R$ 1,50. No leilão participado, o
preço do biodiesel vendido foi de R$ 1,80 o litro.
O custo na aquisição da matéria-prima foi um dos fatores que
contribuiu para o prejuízo líquido de R$ 9,7 milhões no ano.
As vendas abaixo do esperado no último trimestre também
reduziram as margens da companhia, que teve prejuízo de R$
4,8 milhões nos últimos três meses. Despesas
administrativas, como montagem da estrutura da empresa e
para produção das usinas, e gastos com a abertura de capital
somaram ao resultado negativo. O IPO resultou em gasto de R$
38 milhões.
O montante programado para investimento foi de R$ 101, 4
milhões. Para este ano, ficou um saldo de R$ 80 milhões. A
fim de continuar a expansão da produção, a Ecodiesel estima
aplicar, por planta, R$ 20 milhões. Até o final do exercício
de 2007, estarão em operação as fábricas de extração de óleo
de Crateús (CE) e Iraquara (BA), Floriano (PI) - cuja
produção deve ser dobrada no segundo semestre - e a de São
Luiz Gonzaga (RS), adquirida recentemente. Outras bases
produtivas entrarão em operação no mês de abril. Serão as
plantas de Porto Nacional (TO), Rosário do Sul (RS), Itaqui
(MA) e Dourados (MS). Para 2007, o total de ativos
investidos (Capex) ainda não foi aprovado. O diretor
garantiu que o montante vai garantir a expansão da
capacidade produtiva da empresa, a qual se pretende que
dobre de tamanho até o final deste ano. A intenção é atingir
uma capacidade instalada de 800 mil metros cúbicos ou
(milhões de litros) de óleo combustível.
O mercado interno deve continuar sendo o destino da produção
da Brasil Ecodiesel. A companhia ainda não exporta. Não
formou acordo em outros países, contudo já estuda negócios
nos EUA e na Europa. O primeiro, pela crescente demanda do
combustível limpo, nação que investe na produção a partir do
milho. E a comunidade européia, devido à crescente demanda -
cerca de 10 milhões de metros cúbicos ao ano - e reduzida
área livre de terras para a fabricação do biocombustível. Os
países europeus são os grandes consumidores e produtores. A
Alemanha produz 2,2 milhões metros cúbicos ao ano. De acordo
com Ministério de Minas e Energia, o Brasil deve ter
potencial de mercado de 840 mil metros cúbicos neste ano, e
se aproximar do 1 milhão em 2008. Em 2010, a exigência de 2%
da mistura de biodiesel no Diesel pode passar para 5%,
estimulando o mercado.
Resultados 2006(PDF)
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