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A crise econômica impactou a CPFL
Energia, assim como outras companhias do setor, através da queda de consumo
industrial. Houve redução na venda de energia para metalúrgicas e empresas
do segmento automobilístico e siderúrgico, cujas produções caíram,
respectivamente, 14%, 14% e 10% em São Paulo. No Rio Grande do Sul, outro
estado em que a empresa atua, a queda na produção industrial foi de 10%. Por
isso, a receita da CPFL Energia para o segmento industrial, chamado de alta
tensão, também veio menor. No entanto, o total de energia comercializada
cresceu 4,6% e ficou em 46.227 GW em relação a 2007.
Um dos elementos que impactaram
negativamente a receita foi a queda de 5% nas vendas para o mercado livre,
que totalizaram 8.904 GW. Esse foi um dos principais fatores que puxou a
receita líquida do último trimestre do ano para baixo - 4% menor que há doze
meses, atingindo R$ 2.522 bilhões, apesar de no ano, ter crescido 3,1% e
atingido R$ 9,410 bilhões. O faturamento com o mercado livre foi um dos
responsáveis pela queda no trimestre, já que houve redução de 0,4% dos
clientes livres no ano, 4,3% no 4tr08, e 0,5% dessas vendas, frente a um
aumento de 3,4% dos negócios totais da companhia no trimestre.
No entanto, o cenário com que a
empresa trabalha, de acordo com o diretor de relações com o mercado, Gustavo
Estrella, que esteve em reunião na ApimecSul, é de uma tendência de
recuperação dos setores industriais. “A divulgação de que em março o volume
total de energia fechou 2,2% maior é um indicativo, assim como notícias
positivas relativas a vendas de automóveis”, justificou. Além disso, o
executivo argumentou que os riscos para o cancelamento de negócios ou para
efeitos piores da crise no setor são menores do que se pensa. Os negócios de
geração têm 100% dos contratos de longo prazo, nos quais o preço e o volume
contratado são fixos em um prazo de 4 a 5 anos. “No pior dos cenários, temos
uma exposição ao mercado livre de 4%. Além disso, boa parte dos clientes
livres continua seguindo os montantes contratados”, detalha Estrella.
Com essa visão, a companhia
integrada de energia elétrica permanece focada em se consolidar como líder
nos mercados de distribuição e comercialização, e na produção através de
fontes alternativas e mais rentáveis, como a biomassa e usinas hidrelétricas
de pequeno porte (PCH). Isso deve ser possível a partir de aquisições e
novos projetos. As aquisições, como as obras de crescimento, estão
garantidas por um Capex 100% contratado pelo BNDES no valor de R$ 1,2 bilhão
em 2009. Apesar de ter iniciado 2009 com um Ebitda (geração de caixa) 16%
menor (R$ 2,808 bilhões), tem uma exposição à moeda estrangeira de 21%,
protegida por operações de hedge. Além disso, a CPFL Energia acredita que o
mercado de captações já está retomando o fôlego.
O ano também inicia com novos
negócios. Em dezembro de 2008, a usina de 14 de Julho começou a operar,
agregando 649 Gwh ao ano à capacidade total. Outro novo projeto é a criação
da CPFL Bioenergia e de um empreendimento da Usina Baldin, que tiveram
investimento de R$ 98 milhões. Mas duas apostas são as empresas de serviços
Total – de arrecadação de contas – e Atende – de call center. De acordo com
Estrella, esses negócios têm um potencial muito grande, através do
atendimento a todo o setor de energia.
Outro efeito nos resultados do ano
passado foi a revisão tarifária na maioria das empresas do grupo. Isso
contribuiu para a redução do lucro líquido e do Ebitda na comparação com
2007. No primeiro semestre, devem passar por esse processo as últimas duas
empresas do grupo. De acordo com o diretor, pouco efeito deve ter no balanço
da companhia. Da mesma forma, foram encaradas as notícias da prisão
temporária de executivos do grupo Camargo Correa investigados numa operação
da Policia Federal. A empresa detém 28% das ações da CPFL Energia, através
da VBC Energia.
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