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Mais de seis anos depois de assumir a presidência do Banco Central do Brasil (BCB), Henrique de Campos Meirelles tem a oportunidade de provar que as mudanças
conquistadas, boa parte delas à frente do BC, são estruturais, conforme sustentou em palestra especial promovida pela Federasul, em Porto Alegre. A conjuntura positiva mundial da qual se beneficiou o Brasil durante
os primeiros anos do governo Lula e da sua condução das rédeas monetárias e fiscais do país deram lugar a um cenário de grave crise. Aquela que o ministro do Banco Central define como a “maior crise desde a Segunda
Guerra Mundial” demonstrou, segundo ele, que, em primeiro lugar e sem discussão, ela afetou o Brasil; em segundo lugar, que ela chegou por aqui, mas foi totalmente importada; e em terceiro lugar, apesar disso, a
receita brasileira não deixou de subir e o Governo não deixou de trabalhar.
A missão cumprida até aqui, na visão de Meirelles, se deve a um colchão de proteção. Parte é formada pelos US$ 205 bilhões de reservas internacionais
que se tinha em agosto do ano passado. Esse montante deu segurança e permitiu que o Governo pudesse fazer frente à escassez de crédito internacional, que foi um dos incentivadores da retomada de crescimento do
Brasil nos últimos anos, principalmente, mediante capital financeiro. O pagamento de boa parte da Dívida Pública Internacional fez com que a situação do Brasil se invertesse a credor no cenário mundial. Mais
importante que isso, possibilitou que o endividamento não aumentasse mais ainda, o que possivelmente iria acontecer com a subida que o dólar tem diante de momentos de nervosismos do mercado.
Projeções
Esses são os principais fatores que colocam o Brasil, na visão do presidente do BC, em situação de destaque. Esses dados levam a uma posição
diferenciada também nos próximos anos. A expectativa para 2010 é que a Dívida Pública do Brasil esteja em 37,5% do PIB, inferior aos 68,9% do Reino Unido, 70,4% dos EUA, 78% da Alemanha e 114,8% do Japão. A expansão
do PIB também deve ser maior. Apesar de estar revisando, o BC já reafirmou que acredita que o crescimento do Produto Interno Bruto pode ser levemente positivo, como 0,5% em 2009.
A perspectiva é que, se o pior da crise ainda não passou, podemos esperar que até 2010 o cenário de retração se estabilize, conforme tem apontado o mercado nos
últimos dias. A reserva de liquidez que o Banco Central ainda tem caixa para socorrer o mercado, caso seja necessário, como foi necessário desde o ano passado. Em 2009, a preocupação está nas instituições
financeiras de médio e pequeno porte, em que, ainda se nota que a oferta de crédito não retomou a patamares anteriores, de acordo com o ministro. No entanto, a atenção do BC está redobrada a esses bancos,
principalmente, após a formação do Fundo Garantidor de Crédito especialmente para elas. Dados do BC demonstram que de setembro do ano passado até abril de 2009 em comparação com doze meses, a retração de crédito
nesses bancos era de 5%. Já nos grandes, o crescimento foi de 11%, e nos públicos, chegou a 20%.
A garantia
A crescente demanda por mão-de-obra e a retomada da demanda por setores chaves no Brasil, como veículos, varejo e construção civil, são sinais muito importantes de
que o País está saindo da crise. Para Meirelles está claro que a situação é melhor, visto que foi a primeira vez que o BC conseguiu reduzir taxa de juros em meio a uma crise. O ministro também chama a atenção para o
nível mais baixo em que está a Taxa de Juros de 360 dias, a 9,38%. Ela é formada não só pela Selic, que foi reduzida para 10,25%, mas pela inflação e pelo prêmio de risco Brasil. E ela é importante, de acordo com
Meirelles, porque não é conduzida pelo Governo, mas pelo mercado. O controle da inflação, medida pelo IPCA, que oscila desde 2003, conforme dados do BC, próximo ao centro da meta, dá outra idéia de estabilidade. Por
fim, e na prática, a visão do presidente do Banco Central, que reafirma seu conservadorismo e da instituição que preside,são os dados divulgados do mês de abril de 3,7% de queda da inflação e da redução de 0,1% do
desemprego, e a recuperação do setor de veículos, cujas vendas de março foram a segunda melhor da história do país, demonstrando um crescimento de mais de 180% em um ano. |