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Renar Maçãs reduz margens negativas

O abatimento do custo da produção do quilo da maçã de R$ 1,39 para R$ 1,12 (“Projeto R$ 1,00”), a reestruturação da diretoria e da logística – com a introdução de uma operação comercial mais rentável -, assim como a melhoria dos preços europeus da fruta resultaram na queda substancial das despesas com vendas (cerca de 80% em relação ao ano passado) e no crescimento da margem do Ebitda de (5,4%) em junho de 2005 para 11,6% no mesmo período de 2006. Com isso, o prejuízo líquido da terceira maior produtora de maçãs do País reduziu de R$ (7.761) milhões do final do ano passado para R$ (585) mil neste primeiro semestre.

A produção dos seis meses iniciais de 2006 atingiu o patamar de 22 mil toneladas. A venda de 13mil/t e a formação de estoques com 16 mil/t para a comercialização até o final do ano demonstra uma produção anual de 30 mil/t de fruta in natura, compatível com patamares de anos positivos para a Renar como o de 2003. A demanda nacional foi de 700 mil/t nos últimos dois anos, devido a invernos fracos e chuvas na época da florada – nos meses de setembro e outubro -. Para 2007 e 2008, espera-se safra de 800 a 900 mil/t. Além desse aumento da produção, os custos também devem cair, conseqüentemente, o segmento pode voltar a exportar.

A exportação da Companhia sofreu o impacto da valorização do real frente ao dólar. Foram vendidas 18 mil/t, principalmente, para a Europa. A Renar sempre foi considerada a maior exportadora brasileira de maçãs. Neste ano, o volume exportado ficará em 10% das 100 mil/t de maçãs que o Brasil comercializa com outros países. O diretor administrativo e financeiro da Renar Maçãs, Ricardo Sampaio Corrêa Filho, durante reunião promovida pela Apimec São Paulo, enfatizou que a estratégia que proporciona a recuperação dos maus resultados da companhia no ano passado é baseada na alteração do foco de atuação da empresa - de exportadora para distribuidora no Brasil.

Até o final de 2006 e para as safras seguintes, ações de estímulo ao comércio interno serão realizadas. A região nordeste recebe um diretor específico, que ficará responsável pelo estímulo das vendas naqueles estados. Em Santa Catarina e no Paraná, existem parcerias com pequenos produtores de maçã e outras frutas, como uva (tipo cravinho) e manga. O diretor presidente Roberto Frey não descartou a possibilidade de investir em outros produtos industrializados, além da polpa de maçã e da fruta desidratada vendidas pela Renar. Segundo Frey, a “maçã industrial” tem um valor agregado maior que a fruta in natura.

O incremento nas margens operacionais tem representatividade no desempenho da companhia frente ao mercado financeiro. A empresa realizou a primeira oferta pública de ações em 2005 e ingressou no Novo Mercado. Além da redução e alongamento do endividamento, Sampaio garante a atenção da Renar Maçãs com as exigências para fazer parte de um rol de empresas cujas ações de Governança Corporativa são fundamentais. Além de modificações na diretoria, o website também foi alterado e disponibiliza o estatuto da companhia na internet. “Só assim, uma empresa do nosso porte pode manter-se”, justifica o diretor financeiro.

Todas essas alterações objetivam aumentar o diálogo com os investidores e analistas. Sampaio destaca a presença, entre os acionistas da Renar, dos clubes de investimento e de jovens. “As pessoas físicas e os clubes de investimento representam uma parcela que vem crescendo entre os nossos investidores. Temos desenvolvido palestras em escolas e universidades, assim como sido tema de trabalhos de graduação e pós-graduação, devido ao interesse deste público na empresa”.

 
01/09/06
Apresentação Resultados Apimec-Sul
Jornalista Grazieli Binkowski
redacao@acionista.com.br

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