MOVIDA

Movida, crescimento e rentabilidade no médio prazo?

Analista: Felipe Silveira (CNPI)

30 AGO, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

A Movida é o braço de rent a car do Grupo JSL. Em junho de 2017, a companhia possuía uma frota total de 70,8 mil carros e uma extensa rede de atendimento, com pontos espalhados por todos os estados do Brasil. Atualmente, a empresa possui 183 pontos de atendimento e uma rede de Seminovos que conta com 60 pontos de venda próprios distribuídos em 21 estados.

Quais são os fatores de crescimento da sua receita?

Suas operações estão divididas em três linhas de negócios que compreendem seus dois segmentos de prestação de serviços e a atividade complementar de comercialização de veículos seminovos. Tanto o segmento de locação de veículos (rent a car), quanto o segmento de gestão e terceirização de frotas estão bastante correlacionados com o desempenho econômico do país. Fora isso, a acirrada competição de mercado nos últimos anos fez com que os valores médios praticados pouco se elevassem, configurando uma "guerra de preços", mas que se atenuou recentemente. Por fim, como operação acessória, a empresa comercializa os veículos por meio de lojas próprias, principalmente sob a marca Movida Seminovos, e que tem conseguido boas vendas diante da modesta recuperação do setor automotivo nacional.

Qual é a sua situação financeira?

A companhia atua em um mercado que necessita de alavancagem financeira em função do curto prazo de renovação da frota operacional. Com isso, requer um certo nível de endividamento que, no seu caso, está em torno de 2,8 vezes do EBITDA gerado nos últimos doze meses encerrados em jun/17, a fim de financiar o volume de compras de veículos ao longo do ano. No entanto, em comparação com seus pares em bolsa (Localiza 1,8x e Locamerica 2,4x), nota-se que a alavancagem da Movida ainda está alta mesmo com os recursos captados pelo IPO (R$ 508,0 milhões líquidos), uma vez que os investimentos em frota para a expansão ainda são elevados. Dessa forma, quando a empresa atingir a maturidade em sua operação, acreditamos que sua situação financeira fique mais confortável.

Qual a avaliação do primeiro semestre da companhia na bolsa?

As ações MOVI3 farão lançadas em 08/02/2017 no âmbito do IPO à R$ 7,50. De lá pra cá, seus papéis chegaram a valer R$ 11,00, mas, recentemente, estão ao redor dos R$ 9,50/ação. Em nossa avaliação, enquanto a companhia ainda estiver operando com fluxo de caixa negativo, seus ativos não devem apresentar grande valorização.

Quais são os fatores de risco da empresa?

No mercado de aluguel de veículos, a renovação operacional é o diferencial competitivo em ambos os nichos de atuação. Portanto, a dinâmica entre compra e venda de ativos, além dos custos de financiamento, são fatores imprescindíveis para a companhia conquistar e manter seu market share, bem como a elevada escala de compra é a principal barreira à entrada nesse setor.

O que podemos esperar da(s) ações negociadas(s) na B3 no médio e longo prazos?

Acreditamos que a Movida possui importantes drivers para seu mercado de atuação e que suas ações tendem a se valorizar a partir do momento em que a companhia consiga aliar crescimento com rentabilidade em seus negócios. Neste contexto, a maturidade de sua operação deverá ser o principal gatilho para os investidores, o que ainda não vemos acontecendo no curto prazo. Portanto, com foco no médio e longo prazo, o posicionamento neste momento nos ativos da companhia podem se mostrar bastante oportuno, caso a empresa se aproxime de seus pares em bolsa mais adiante.