carne crua

Carne Fraca: Mercado ainda pune frigoríficos

Analista: Sandra Peres (CNPI)

30 MAR, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

A operação Carne Fraca, desencadeada pela Polícia Federal no dia 17 de março e que atingiu as maiores empresas do ramo – JBS, dona das marcas Seara, Swift, Friboi e Vigor, e a BRF, dona da Sadia e Perdigão – ameaça os resultados dos frigoríficos e tira o sono de investidores. Dificuldade em acessar linhas de investimentos, desgaste público e prejuízo nas exportações, em razão de fechamento de mercados, já punem as empresas. Na entrevista abaixo, Sandra Peres, analista da Coinvalores, avalia o impacto da operação nos negócios de JBS e BRF e alerta o que ainda pode vir pela frente. .

As restrições de compradores internacionais terão qual impacto nos próximos resultados de JBS e BRF?

Consideramos que ainda é cedo para traçar um real impacto que esta operação deixou nos números e imagens das empresas. Desta forma, ainda consideramos muito arriscado o investimento no setor de frigorífico, principalmente nas empresas que estão sendo investigadas.

E no mercado interno, deve-se esperar queda no consumo e rompimento de contrato de compras por redes de supermercados?

Acreditamos que sim, além do prejuízo que as companhias terão por conta da redução do abate, como aconteceu com a JBS, que anunciou a suspensão do abate em 33 unidades além de dar férias coletivas. Fora isso, vários comércios suspenderam e retiraram mercadorias adquiridas dos frigoríficos investigados. Das empresas mais conhecidas, tanto a BRF quanto a JBS tiveram algumas de suas unidades fechadas ou estão sendo investigadas, desta forma, suas marcas estão perdendo a credibilidade. Caíram na desconfiança dos consumidores, tanto internos quanto externos.

O escândalo torna mais difícil o acesso à capital privado e financiamento público para executar seus investimentos?

Financiamento público, acreditamos que não haverá grandes problemas. Mas no privado, as companhias terão um longo caminho a superar. Outro problema que as empresas terão, principalmente a JBS e a BRF, é que ambas queriam abrir capital de suas empresas na Bolsa de Nova York e Londres, respectivamente. A JBS terá que enfrentar a maior dificuldade para abrir o capital da JBS Foods International, empresa que irá reunir todos os negócios internacionais da JBS e da Seara. Já a BRF também vinha pensando em fazer um IPO de sua holding a OneFoods na Bolsa de Valores de Londres, Inglaterra, o que agora fica mais complicado.

Após a "punição" inicial de investidores às ações da BRF e JBS com a operação Carne Fraca, deve-se esperar novos "golpes" nas ações dessas empresas, ou o pior já passou?

Os problemas enfrentados pelas empresas na operação Carne Fraca foram bem representativos e deve afetar seus próximos resultados e a relação que as companhias tem com países, seus principais importadores.

E para quem ainda não tem esses papéis, a recente queda pode ser uma boa oportunidade para comprar suas ações?

Mesmo acreditando que os embargos sejam restabelecidos rapidamente, em sua maioria, a imagem da carne brasileira ficará afetada, sendo bem mais difícil a abertura de um novo mercado. Além disso, os frigoríficos terão uma fiscalização redobrada tanto internamente quando por autoridades dos países importadores. No momento, recomendamos a seletividade para o investimento no setor. Estamos com parecer de compra somente para a Minerva, mesmo assim, para investidores com visão retorno para o longo prazo.

Leia o Relatório Frigoríficos