CCR

CCR deve buscar oportunidades em mercado secundário

Analista: Felipe Silveira (CNPI)

28 JUN, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

                          

Fundada em 1999, com atuação nos segmentos de concessão de rodovias, mobilidade urbana, aeroportos e serviços e foi a primeira participante do Novo Mercado da BM&FBovespa. A companhia é responsável por 3.265 quilômetros de rodovias da malha concedida nacional, nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Mato Grosso do Sul, sob a gestão das concessionárias CCR NovaDutra (SP-RJ), CCR ViaLagos (RJ), CCR RodoNorte (PR), CCR AutoBAn (SP), CCR ViaOeste (SP), CCR RodoAnel (SP), CCR SPVias (SP), Renovias (SP) e CCR MSVia (MS). Quanto aos riscos que enfrenta, destaque para a inerente incerteza de demanda e eventuais conflitos com governos.

Quais são os fatores de crescimento da sua receita?

Um ponto relevante para a receita das companhias de concessões é o reajuste anual com base na inflação. Com o tráfego claudicante nos últimos anos, esse reajuste tem sido o responsável pela expansão da receita quando olhamos as concessões mais maduras da companhia. Além disso, a CCR tem uma série de ativos em fase de ramp up, como o metrô de Salvador e o aeroporto de Confins.

Qual é a sua situação financeira?

A companhia tem uma situação confortável. Além disso, para fazer frente às oportunidades no setor, realizou uma oferta de ações para fortalecer seu caixa. Entre as oportunidades, estão os leilões de infraestrutura, mas esperamos que a companhia também busque oportunidades no mercado secundário.

Como a empresa está posicionada em seu setor?

A companhia tem concessões em regiões estratégicas do Brasil, que concentram boa parte do PIB nacional. Isso a coloca em uma posição bastante favorável. Além disso, em seu portfólio constam alguns ativos como a Dutra e a Bandeirantes-Anhanguera, que além de bem localizadas, tem uma rentabilidade bem elevada, pois foram leiloadas em um cenário completamente diferente do atual, sem um marco regulatório sólido e sem um track record no setor.

Quais são os fatores de risco da empresa?

Um risco sempre presente é a relação entre concessionário e poder concedente. Nem sempre essa relação é das mais tranquilas, e no Brasil temos um histórico um pouco conturbado, apesar de que, na imensa maioria das vezes, as instâncias superiores da justiça brasileira façam valer os contratos, mitigando esse efeito. Outro ponto importante, e que muitas vezes a empresa sofre na pele, é a mudança na percepção de valor em uma concessão no decorrer do tempo. Usando o exemplo de uma estrada. Quando ela acaba de ser duplicada, a população usualmente não vê problemas em pagar o pedágio. Conforme o tempo passa, a percepção de que o valor cobrado pelo pedágio é abusivo começa a aparecer, mesmo que ele só tenha sido reajustado pela inflação, pois o benefício para o usuário para de aumentar. Porém, mesmo 20 anos após o início de uma concessão, aquele fluxo de caixa está remunerando o investimento realizado lá atrás.

O que podemos esperar da(s) ações negociadas(s) na BM&F Bovespa no médio e longo prazo?

Vemos na CCR o veículo mais estável para o investidor se posicionar diretamente no segmento de concessões de infraestrutura em Bolsa. Outras empresas do setor tem um perfil de risco mais elevado. Vale salientar que as perspectivas para o setor são favoráveis, como comentamos, com oportunidades em leilões e também no mercado secundário.