Klabin

Alto endividamento atrai atenção do mercado

Analista: Felipe Silveira (CNPI)

19 ABR, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

A Klabin é líder no segmento de papel, e entrou em celulose com o projeto Puma, no Paraná. O principal fator de crescimento da receita é o ramp up da sua nova unidade produtiva, que produz celulose de fibra curta e de fibra longa. Fundada em 1899, a empresa possui atualmente 18 unidades industriais, 17 no Brasil, localizadas em oito estados, e uma na Argentina. A empresa é uma importante produtora e exportadora de papéis, incluindo produção de papéis e cartões para embalagens, embalagens de papelão ondulado e sacos industriais, além de comercializar madeira em toras.

Como as variações no preço do papel e celulose e no câmbio têm impactado nos resultados da empresa?

Nesse começo de ano, com a postergação de nova capacidade em alguns projetos importantes e a demanda ainda forte da China, o preço da celulose no mercado internacional tem mostrado força, o que deve compensar o patamar cambial atual, com o real mais valorizado do que em períodos anteriores. O embarque de celulose para a China, por exemplo, cresceu 19,1% na comparação de janeiro e fevereiro de 2017 contra o mesmo período de 2016. No mercado interno, a demanda por papel deve obedecer o ritmo de recuperação da atividade econômica.

Qual é a sua situação financeira?

A companhia está passando por um momento de alta alavancagem, tendo em vista o investimento feito no projeto Puma, no Paraná, que totalizou R$ 8,5 bilhões, e adiciona 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano à sua capacidade produtiva. A companhia fechou 2016 com um índice de dívida líquida / EBITDA em 5,2x, ainda que um ano antes, o indicador estivesse em 6,3x.

Como a empresa está posicionada em seu setor?

É a companhia do setor que tem mais exposição ao mercado interno, especialmente em relação aos pares listados. Isso traz uma menor volatilidade em relação à variação cambial, ainda que, mesmo para a Klabin, a maior parte da receita já venha do mercado externo com o aumento da produção de celulose no Paraná.

Quais são os fatores de risco da empresa?

Um risco que parece estar se dispersando no curto prazo, mas que ainda é relevante para o setor, é o excesso de oferta que decorre do aumento da capacidade produtiva de plantas nos principais países produtores, em especial Brasil e alguns países asiáticos. Além disso, a alavancagem ainda elevada perfaz um risco não ignorável no curto/médio prazo.

O que podemos esperar da(s) ações negociadas(s) na BM&F Bovespa no médio e longo prazo?

No médio prazo, a companhia deve se beneficiar pela retomada da demanda interna e o processo final de ramp up do projeto Puma. Desta forma, mantemos nossa recomendação de compra para seus ativos, mesmo com os riscos que não são poucos, como comentamos. Mas vemos o novo projeto de produção de celulose subprecificado nos papéis da companhia.