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Como o Itaú acelera o lucro mesmo com aperto do crédito?

Analista: Felipe Silveira (CNPI)

17 MAI, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

O Itaú tem desempenhado uma política bastante agressiva de aquisições nos últimos anos. As operações de varejo do Citi no Brasil e a participação minoritária na XP são alguns exemplos. Além de comercializar novos produtos, que vão além do crédito, o crescimento inorgânico também deve se fazer presente nos resultados do banco. No primeiro trimestre deste ano, o lucro chegou a R$ 6,17 bilhões, alta de 20% quase 20% sobre o mesmo período de 2016. Os principais riscos do banco estão atrelados ao desempenho da economia brasileira.

Quais são os fatores de crescimento da sua receita?

Hoje, a atuação dos bancos está muito mais diversificada do que no passado. Portanto, mesmo em momentos como o atual, onde as operações de crédito estão se reduzindo, com menor demanda e também maior seletividade por parte dos bancos. Essas instituições têm apresentado boa evolução em seus números com receitas que antes eram consideradas secundárias, como segmentos como seguros, previdência e capitalização. A penetração desses produtos entre a população brasileira ainda é muito baixa, por isso, seu crescimento nos próximos anos deve permanecer acelerado.

Qual é a sua situação financeira?

O Itaú tem uma folga de caixa considerável, mesmo considerando as novas regras de Basiléia que têm entrado em vigor, o que tem possibilitado a agressividade do banco em aquisições. Além disso, mesmo com a queda de juros,os spreads bancários têm se mantido elevados, o que acaba sendo um balizador importante para os próximos resultados da empresa.

Como a empresa está posicionada em seu setor?

O banco disputa com o BB o posto de maior instituição financeira do Brasil em tamanho de ativos. Considerando todas as operações, como seguros, por exemplo, o banco já ultrapassou o Banco do Brasil. Pelo critério do Banco Central, que considera apenas as atividades efetivamente bancárias, o BB ainda é o líder. Porém, em rentabilidade, o Itaú já é o líder no setor há um bom tempo, com boa vantagem sobre seus concorrentes.

Quais são os fatores de risco da empresa?

Mesmo passando praticamente incólume pela crise que assola o país, o banco sofreria bastante caso a dinâmica econômica doméstica continuasse a se deteriorar por um período prolongado.Além disso, como comentamos, o banco tem sido agressivo em aquisições, e a taxa de retorno dessas operações pode diferir da rentabilidade apresentada pelo banco, sendo um fator de incerteza para os seus resultados no futuro próximo.

O que podemos esperar da(s) ações negociadas(s) na BM&F Bovespa no médio e longo prazos?

Mantemos nossa recomendação de compra para os papéis do banco, principalmente pela previsibilidade de seus resultados e segurança que o seu modelo de negócio, cada vez mais diversificado, traz para os acionistas. Além disso, o Itaú é um dos bancos com distribuição mensal de proventos, mesmo que o yield mensal seja bem baixo.