ESTÁCIO PART.

Como fica a Estácio após fracasso da fusão com a Kroton?

Analista: Felipe Silveira (CNPI)

16 AGO, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

A Estácio Participações é uma das maiores organizações privadas do setor de ensino superior no Brasil, com mais de 40 anos de atuação e focada nas classes de renda média e média-baixa. Ao fim de junho de 2017, contava com 539,9 mil alunos matriculados nas modalidades presenciais e à distância, em cursos de graduação e pós-graduação. Sua rede é composta por uma universidade, dez centros universitários, 40 faculdades e 238 polos de ensino à distância credenciados pelo MEC, com uma capilaridade nacional representada por 95 campi, em 23 estados brasileiros e no Distrito Federal.

Quais são os fatores de crescimento da sua receita?

Em síntese, a evolução na base de alunos e o valor das mensalidades, bem como por meio de aquisições. Contudo, há de se destacar o caráter cíclico dos serviços educacionais prestados pela companhia. Nos níveis técnicos e superiores, a demanda dos alunos se deve a uma série de condicionantes macroeconômicas, com destaque, principalmente, para o mercado de trabalho. Isso influi sobre a dinâmica entre oferta de cursos, preenchimento de vagas e taxa de evasão. Ou seja, nesses segmentos pode ocorrer um forte crescimento (como vimos de 2010 até 2015), como também uma baixa na captação de alunos a depender da conjuntura econômica e regulatória, como temos observado desde 2016.

Qual é a sua situação financeira?

Embora o ambiente se mantenha desafiador, a companhia tem conseguido recuperar suas operações e ter uma forte geração de caixa (margem EBITDA voltando aos 30% neste ano) e baixo endividamento (indicador Dívida Líquida - R$ 615,5 milhões - sobre EBITDA em doze meses - R$ 828,6 bilhões - registrado em 0,74 vez). Mesmo levando-se em conta os investimentos previstos, a situação financeira da Estácio é bastante confortável.

Como fica a empresa após a reprovação da fusão com a Kroton?

Mais focada na adequação operacional, com contenção de gastos atuais, maturação das aquisições recentes e melhora na rentabilidade dos seus ativos. Além do processo de crescimento orgânico, sobretudo no mercado de EAD, cuja entrada de novos polos foram autorizada pelo MEC. Ademais, a empresa poderá voltar a olhar para aquisições de mercado, assim como possibilidade de união de negócios com outros grupos de ensino superior que atuam no Brasil.

Quais são os fatores de risco da empresa?

Como a Estácio executa a estratégia de consolidação de mercado, há o risco de algumas das aquisições não corresponderem com as expectativas de geração de resultados. Outros fatores são a desqualificação de cursos e o fim dos incentivos governamentais para o setor, que se refere ao indutor de crescimento nos últimos anos. Por fim, pontuamos um fator de risco mais específico que pode ocorrer com o crescimento na evasão na base de alunos, trazendo impacto direto ao faturamento da companhia.

O que podemos esperar da(s) ações negociadas(s) na B3 no médio e longo prazos?

Por ora, estamos revisando a modelagem de todo o setor de educação em razão das mudanças regulatórias. No entanto, estamos recomendando compra para os ativos ESTC3 em razão dos melhores resultados operacionais que já estamos observando em seus desempenhos trimestrais. Também avaliamos que o cenário regulatório está menos atribulado do que antes, com uma maior acomodação do FIES, mesmo que em patamar menor, e boas expectativas após o marco regulatório do ensino à distância, que tende a beneficiar a companhia.