COPASA

Mercado aguarda pela segunda etapa da revisão tarifária

Analistas: Sandra Perez(CNPI)

14 FEV, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

A Copasa é a concessionária responsável pela prestação de serviços de água e esgoto na maior parte de Minas Gerais. A companhia detém concessão de água em 634 municípios, o equivalente a 75% do total daquele Estado. No segmento de esgoto, são 298 concessões. Na BM&FBovespa, a empresa está listada com o código CSMG3, no Novo Mercado de Governança Corporativa. Em doze meses, os papéis da acumulam valorização de 311,7%, e no ano, de 34,2% (ambos até 10/02).

Quais os fundamentos para o crescimento da sua receita?

O primeiro tem relação com a severa crise hídrica que afligiu o sudeste do país entre 2014 e 2015, levando a necessidade de racionamento de água em alguns municípios. No último ano, a hidrologia melhorou, recuperando em boa medida o volume armazenado. Todavia, o consumo ainda continuou tímido, em razão da mudança de hábito da população que foi incentivada a economizar e da adversa conjuntura econômica. Logo, em 2017 há um espaço para retomada do consumo médio por ligação.

O segundo ponto, que deve ser o grande destaque do ano, é a segunda etapa de sua revisão tarifária, que é prevista para ocorrer entre abril e maio. Na primeira etapa, o índice médio de reajuste foi de 13,9%, e a perspectiva é que a próxima revisão também resulte em reajuste positivo.

Já o crescimento das receitas em função do aumento no número de concessões deve ocorrer apenas no médio prazo, pois, segundo a própria companhia, os investimentos de curto prazo devem ser destinados aos municípios em que já atua, melhorando a segurança hídrica, os índices de perdas de água e o tratamento de esgoto.

Qual a situação financeira da companhia?

A situação financeira vem melhorando gradualmente desde 2016, sobretudo pelos esforços que foram depreendidos para cortar custos e despesas, bem como pela redução no volume de investimentos e recuperação das receitas. Para esse ano, a perspectiva é de que a situação financeira da companhia fique mais sólida. No 3° trim/16, a dívida líquida da companhia era de R$ 3 bilhões, o que equivale a 2,5 vezes sua geração de caixa dos últimos doze meses, uma redução importante frente aos 3,4 vezes registrados um ano atrás. Apenas 14% de sua dívida bruta está alocada no curto prazo, e o cupom médio é de 9,3%.

Quais as perspectivas para a 2° etapa do processo de Revisão Tarifária Periódica?

Mantemos perspectiva positiva para a 2° etapa do processo de Revisão Tarifária, sobretudo por conta da mudança na metodologia que deve ser adotada. A nova forma de reajuste, proposta em 2016 e que passou por uma série de consultas e audiências públicas promovidas pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (ARSAE-MG), incorpora a remuneração pela base de ativos de infraestrutura constituídos pela companhia para a prestação dos serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto. Essa metodologia há tempos já é utilizada no processo de revisão de todas as distribuidoras de energia elétrica, bem como na maior concessionária de saneamento do país, a Sabesp.

Notícias dando conta da privatização de determinadas concessionárias de saneamento têm ganhado força nesse ano. Como fica a Copasa neste cenário?

Os rumores em torno de uma possibilidade de privatização da Copasa tem ganhado destaque, principalmente após o Rio de Janeiro se comprometer a privatizar a CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) no acordo de socorro financeiro concebido junto a União. Todavia, representantes do Estado de Minas Gerais negam qualquer possibilidade disso ocorrer. Então, é algo bastante improvável, mas que ao decorrer dos fatos, com certeza, vai movimentar os papéis da companhia, uma vez que, na percepção do mercado, a privatização gera um up side adicional e reduz o risco de ingerência regulatória.

O que podemos esperar das ações negociadas na BM&FBovespa no médio e longo prazos?

Entendemos que 2017 deve ser um ano mais favorável para as operações da Copasa, que deve entregar resultados operacionais mais rentáveis e resilientes, com retomada da demanda e normalização da oferta, além dos frutos pelos esforços para redução de custos e despesas. Além disso, a questão da revisão tarifária, que deve ser destaque ao longo do ano, corrobora boas perspectivas tanto no curto quanto para o médio e longo prazos. Estamos revisando nosso modelo de projeção e em breve divulgaremos nosso preço-alvo para CMG3. Todavia, por ora, tendo em vista a expressiva valorização registrada em 2016, recomendamos somente a manutenção de seus ativos em bolsa. .