AES TIETÊ

Investimentos em energia eólica e armazenamento

Analista: Sandra Peres(CNPI)

13 JUL, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

                          

A Tietê possui nove usinas hidrelétricas e três pequenas centrais hidrelétricas (PCH’s), que somam uma capacidade instalada de aproximadamente 2.658 MW e possuem contrato de concessão até 2029. A companhia é controlada pela AES Holdings Brasil, subsidiária integral da americana AES Corporation, uma das líderes globais do setor elétrico. Na B3 a empresa está listada sob os códigos TIET11. No acumulado do ano seus papéis acumulam alta de 3,9%.

Quais os fundamentos para crescimento da receita?

A Tietê já possui boa parte de sua energia contratada para esse e para o próximo ano, 83% e 76% respectivamente, ao preço médio de R$ 161,00 por MWh. Trata-se de um portfólio balanceado, a nosso ver, pois o volume ainda descontratado dá maior segurança frente a possíveis adversidades climáticas e/ou possibilita um ganho adicional diante de possíveis picos no preço de energia no mercado de curto prazo. De 2018 em diante o volume de contratação cai expressivamente, chegando a 2021 em 14%, e a estratégia da companhia é ir aumentando esses níveis progressivamente, conforme vislumbre bons preços e tenha maior visibilidade das condições hidrológicas. Lembramos que o segmento de geração de energia tem como uma de suas principais características a previsibilidade de fluxo de caixa, pois é composto de contratos de médio/ longo prazo e sempre indexados a algum índice de inflação (IPCA ou IGPM).

Já a sua estratégia de crescimento tem como foco fontes renováveis, como usinas eólicas, solares ou térmicas a gás. Ademais, a companhia tem projetos na área de geração distribuída e é uma das pioneiras em armazenamento de energia elétrica em baterias, fazendo uso da expertise global de sua controladora (que é líder mundial no desenvolvimento desse tipo de tecnologia).

Qual a situação financeira da companhia?

A companhia mantém sólida situação financeira, com índice dívida líquida/ EBITDA dos últimos doze meses ficando em 0,8 vezes no resultado do 1° trim/17. Sua dívida bruta de R$ 1.475,0 milhões tem custo médio de 12,0%, estando indexado majoritariamente ao CDI e sem qualquer exposição à moeda estrangeira. O vencimento de curto prazo equivale a 18,8% do endividamento bruto, ainda de acordo com dados do último trimestre.

Como avaliar a aquisição do Complexo Eólico Alto Sertão II?

Essa aquisição, que deve ser completada ao longo do terceiro trimestre, contribui com a diversificação de matriz de geração, além de estar alinhada com sua estratégia de focar no segmento de renováveis. O complexo possui capacidade instalada de 386,1 MW, levando a uma expansão de quase 15% para as operações da Tietê e já está com a totalidade de sua energia contratada, no mercado regulado, por vinte anos.

Ademais, o valor da aquisição de R$ 600,0 milhões e assunção da dívida de R$ 1, 150 bilhões, sujeito a ajustes, embora possa ser considerado elevado, não traz grandes preocupações frente a atual situação financeira da companhia.

Quais são os fatores de risco da empresa?

Dentre os fatores de risco associados a Tietê destacam-se fatores exógenos como a possibilidade de mudanças regulatórias e ingerência política no setor elétrico (que é altamente regulado). Também constituem um risco para seus negócios as condições climáticas, pois uma baixa afluência de chuvas tende a comprometer sua capacidade de geração. Ademais, uma atividade anêmica por um período demasiadamente longo acaba afetando o consumo de energia e, consequentemente, reduz o preço médio de venda nos novos contratos.

O que podemos esperar da(s) ações negociadas(s) na B3 no médio e longo prazo?

Mantemos boas perspectivas para as operações da Tietê, que deve continuar apresentando resultados resilientes e com margens elevadas. O menor nível de contratação dos próximos anos também é importante, a nosso ver, pois propicia maior flexibilidade e torna seus negócios menos vulneráveis em condições hidrológicas atípicas. Sua situação financeira, mesmo diante da aquisição do Complexo Alto Sertão II, a deixa em condições favoráveis para fazer frente a eventuais oportunidades de expansão. Ademais, ressaltamos que a Tietê segue como interessante opção para investidores que buscam retorno via proventos, pois além do pay out próximo a 100% a geradora realizada distribuição trimestral de dividendos. Nesse contexto, recomendamos compra das ações TIET11. Nosso preço alvo de R$ 17,90 abre um potencial de valorização de 27,0% nos próximos doze meses.