CSN

Contagem regressiva para amenizar a dívida

Analista: Felipe Silveira (CNPI)

13 JUN, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) atua de forma integrada na cadeia produtiva de aço, tendo sua operação dividida em cinco segmentos: Siderurgia, Mineração, Logística, Cimento e Energia. As incertezas com relação ao timing e magnitude da recuperação do setor siderúrgico, aliadas à situação financeira da companhia, suscitam cautela. Na Bolsa, suas ações (CSNA3) registram queda de 3,45% no acumulado dos últimos 12 meses.

Quais os fundamentos para crescimento da receita?

A área de siderurgia é a mais representativa para os resultados da CSN, correspondendo por cerca de 60% de seu faturamento. A dinâmica de excesso de oferta e demanda reprimida perduram no contexto internacional há alguns anos, fato que, aliado à anêmica economia doméstica, tem tornado o ambiente ainda mais desafiador para as siderúrgicas. O crescimento de sua receita está atrelado principalmente à retomada dos setores de infraestrutura, automotivo, linha branca e embalagens no mercado interno. O outro segmento mais relevante é o de mineração (responsável por cerca de 30% da receita), cujo crescimento está bastante correlacionado com o dinamismo econômico na China, que baliza a cotação da commodity no mercado internacional, e também à taxa de câmbio vigente.

Como está a situação financeira da companhia?

A atual situação financeira da companhia é delicada. Sua dívida líquida ajustada é de cerca de R$ 25,5 bilhões, de acordo com a prévia operacional do 1° trim/17, enquanto a relação dívida líquida/ EBITDA está em 5,4x. Cerca de 50% dessa dívida está alocada em moeda estrangeira. Não há uma grande concentração no curto prazo, porém, de 2018 até 2020, o volume a ser amortizado é bastante elevado.

Os dados de produção de aço apresentaram uma melhora no início deste ano, isso indica que teremos uma forte recuperação?

Infelizmente, não. Os números sobre a produção de aço no primeiro trimestre de fato mostram uma melhora, com crescimento de 10,9% na fabricação de aço bruto, segundo dados do Instituto Aço Brasil. Todavia, os números do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço mostram que, no mesmo período, as vendas caíram 8,7% e os estoques aumentaram. Essa dinâmica deixa claro que o cenário segue bastante desafiador para as siderúrgicas, e, ainda que a economia doméstica apresente uma recuperação, isso levará um tempo para se converter em aumento efetivo na demanda por aço, fato que corrobora nossa percepção de que uma melhora consistente ocorrerá apenas no médio ou longo prazos.

A empresa não arquivou as Demonstrações Financeiras e o Formulário 20-F referente ao exercício de 2016. Como isso afeta seus negócios?

A companhia alega que vem trabalhando com seus auditores externos em determinados procedimentos contábeis relacionados à aquisição da Nacional Minérios (Namisa) pela CSN Mineração, em novembro de 2015. Porém, não há previsão para a divulgação de tais informações financeiras. A não divulgação do formulário 20 – F já deixou a siderúrgica em desconformidade com a regulação SEC, o que pode levar até mesmo à suspensão temporária da negociação de suas ADRs. Além disso, essa questão acaba trazendo certa insegurança aos investidores e tem repercussão negativa na imagem da companhia, mas não afeta diretamente suas operações.

O que podemos esperar da(s) ações negociadas(s) na BM&FBovespa no médio e longo prazos?

No médio e longo prazos, vislumbramos uma recuperação mais consistente no mercado interno de siderurgia, sobretudo na medida em que setor de infraestrutura, automotivo e de bens de capital for ganhando fôlego. Entretanto, por outro lado, a tendência de arrefecimento econômico na China traz perspectivas menos animadoras, tanto para o setor siderúrgico em âmbito global quanto para a cotação do minério de ferro. No curto prazo, pode ocorrer uma aparente melhora em função da fraca base de comparação, mas as margens das empresas continuarão pressionadas, exigindo uma forte disciplina sobre custos e alocação de capital. Recomendamos tão somente a manutenção de seus ativos em bolsa, haja vista que, a nosso ver, há outras opções com a relação risco versus retorno mais atrativas.