IGUATEMI

Crescimento tímido para 2017

Analista: Felipe M. Silveira (CNPI)

07 MAR, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

O Iguatemi, uma das maiores empresas full service no setor de shopping centers do Brasil, apresentou nos resultados 4T16, a receita líquida de R$ 184 milhões, um acréscimo de 6,9% comparado ao 4T15. As vendas totais atingiram R$ 12,7 bi, um crescimento de 7,3% comparado com o 2015 e R$ 3,9 bilhões no 4T16, 2,7% acima do 4T15. Na BM&FBovespa a empresa está listada com o código IGTA3, no Novo Mercado de Governança Corporativa.

Quais são os fatores de crescimento da sua receita?

O crescimento da receita da Iguatemi deve ser novamente tímido em 2017, muito impactado pela morosidade na recuperação da atividade econômica doméstica, mesmo que a queda na taxa de juros por aqui melhore sensivelmente as perspectivas para o varejo nos próximos períodos, influenciando a parcela variável dos contratos de locação e também a política de descontos que foi uma constante no setor nos últimos dois anos. A expectativa da Iguatemi é crescer entre 2% e 7% na receita líquida esse ano (em 2016, o crescimento foi de 5%). Vale lembrar que a companhia não trabalha com a inauguração de centros de compras para o ano, sendo que os outlets em desenvolvimento ficaram para 2018 e 2019. A taxa de ocupação dos shoppings da Iguatemi terminou 2016 um pouco abaixo da média histórica da companhia, e a normalização desse número também pode responder por uma parte no crescimento da receita em 2017.

A possibilidade de retomada da economia poderá fazer o Iguatemi retomar o ritmo em abertura de novos shoppings ou aquisição de terrenos?

Como comentamos parcialmente na questão anterior, a companhia tem sido bem conservadora na abertura de novos shoppings, não devendo inaugurar nenhum novo centro nesse ano, apesar de três projetos de outlets em andamento. Esse é um segmento que a empresa tem apostado bastante, especialmente por conta da pouca penetração desse tipo de empreendimento por aqui. Ainda assim, o ritmo das aberturas diminuiu bastante. No modelo tradicional de shoppings não há projeto no pipeline atual da companhia, devendo os investimentos se concentrarem em expansão de alguns centros já existentes.

Como os investidores receberam o balanço do Iguatemi ao final de fevereiro, sob o receio de mais uma queda no lucro como o que já havia ocorrido no terceiro trimestre?

O resultado em si veio bem sólido em um período tão conturbado. Ainda assim, a divulgação foi mal recebida pelo mercado por conta do guidance para 2017, muito conservador em nossa visão. Especialmente no tocante a margens, que foi um dos pontos positivos nesse ano. Como já dissemos, a Iguatemi espera receita líquida de 2% a 7% maior nesse ano em relação a 2016. Até aí, sem problemas, não esperávamos que o ano fosse de recuperação forte para o setor. Porém, a projeção de margem EBITDA para o ano é de algo entre 73% e 77%, contra 78% entregue em 2016. Ou seja, o EBITDA da empresa para o ano pode variar até 4,5% para baixo, segundo essa estimativa, quando a expectativa é de continuidade do bom trabalho de controle de custos e manutenção de margens.

Quais são os fatores de risco da empresa?

Consideramos que a companhia tem um perfil de baixo risco, com um portfólio forte e bem posicionado. O endividamento (índice dívida líquida / EBITDA atingiu 3,23x) está em um patamar que consideramos confortável no setor imobiliário, que costuma trabalhar com alta alavancagem. Por se tratar de uma marca voltada ao público de maior poder aquisitivo, sua expansão futura acaba limitada geograficamente, tendo em vista que é reduzido o número de cidades que comportam um empreendimento desse tipo. Além disso, não podemos esquecer os riscos macroeconômicos, longe de estarem completamente resolvidos por aqui.

O que podemos esperar da(s) ações negociadas(s) na BM&FBovespa no médio e longo prazo?

Os papéis da Iguatemi estão entre as nossas recomendações para o ano, especialmente tendo em vista o processo de queda de juros, que o Copom vem dando sinais de aceleração ultimamente. Com o cenário ainda incerto para o varejo para esse ano, optamos por recomendar a Iguatemi por conta da resiliência que seus shoppings vêm mostrando, mantendo bons indicadores durante a crise, especialmente pelo seu posicionamento, focado nas classes A e B, e sua diferenciação através da marca muito forte. Para o médio / longo prazo, adiciona-se ainda a recuperação esperada para o varejo brasileiro nos próximos anos e estamos diante de um ativo com interessante potencial de valorização.