RD - Raia Drogasil

Abertura de novas lojas desafia a administração

Analista: Sandra Peres (CNPI)

04 MAI, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

A RD - Gente, Saúde e Bem-estar, nasceu da fusão de duas antigas redes de farmácias, a Drogaria Raia, fundada em 1905 no interior de São Paulo, e a Drogasil, fundada em 1935. Juntas, elas possuem 1.457 lojas em operação em todas as regiões. Entre os produtos ofertados pela companhia estão medicamentos de marca, medicamentos genéricos, medicamentos isentos de prescrição médica e itens de higiene pessoal e beleza. A RD é a maior rede de comércio farmacêutico do país, tanto em número de lojas quanto em faturamento.

Quais são os fatores de crescimento da sua receita?

Em meio a uma perspectiva de expansão mais fraca da atividade econômica doméstica, ainda esperamos a continuidade do crescimento das vendas de medicamentos, produtos de higiene pessoal e outros de consumo para saúde, o que será favorável para o desempenho da RD. O crescimento de sua receita também pode ser explicado pelo expressivo aumento da venda de genéricos, que deve permanecer aquecida nos próximos anos, impulsionada pelos novos lançamentos.

Neste setor, em que a expansão em número de unidades é fundamental, o ritmo de ampliação no número tem viabilizado sua maior participação de mercado?

A companhia vem se destacando no mercado dado o seu forte programa de abertura de lojas. Os números da empresa vieram positivos neste primeiro trimestre de 2017, refletindo tanto o desempenho de lojas mais antigas (crescimento orgânico) quanto a abertura de novas lojas. Para o ano de 2017, 200 inaugurações foram programadas. Diante deste cenário, acreditamos que a RD se encontra bem posicionada para aproveitar uma retomada do setor de varejo farmacêutico no país.

Como a empresa está posicionada em seu setor?

De acordo com a Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), a Raia Drogasil é considerada a maior rede de comércio farmacêutico do país, tanto em número de lojas quanto em faturamento. Além disso, o desenvolvimento da indústria nacional e o ganho de produtividade vêm contribuindo para um panorama positivo.

Como a empresa se posiciona no momento de consolidação do varejo de medicamentos no Brasil?

O comércio farmacêutico, extremamente pulverizado, vem passando por um processo de consolidação, assim como nos países desenvolvidos, a exemplo dos Estados Unidos, onde as três principais marcas representam cerca de 95% do setor, segundo estudos da IMS Health. No Brasil, esta consolidação começou em 2011, quando duas das maiores redes do Brasil anunciaram fusão, criando a maior empresa do setor no país em faturamento e abrindo caminho para diversas outras parcerias de grande porte, o que vem chamando a atenção de grandes marcas internacionais. Desta forma, acreditamos que este processo continuará, com as grandes farmácias sendo beneficiadas com a concentração do mercado e os ganhos de sinergias.

O que podemos esperar da(s) ações negociadas(s) na BM&F Bovespa no médio e longo prazos?

Para o restante do ano, a RD permanece otimista quanto aos seus números e mantém sua perspectiva de abertura de lojas, com guidance de 200 aberturas. Outro ponto de destaque positivo é que a companhia, mesmo com seu plano agressivo de abertura de lojas, continua com baixa alavancagem, com grande parte do seu endividamento com prazos longos e taxas baixas. Um ponto de atenção é que a empresa está desenvolvendo diversos modelos de tamanhos de lojas, podendo ser um grande desafio para a administração, caso não for acertada. Entretanto, segundo a própria companhia, todas as novas lojas estão performando dentro do esperado. Contudo, mantemos nosso otimismo em relação aos futuros resultados da RD.